Com um pé fora da Copa, Neymar tem um mês para convencer Ancelotti a convocá-lo; entenda chances


A um mês da convocação final da seleção brasileira para a Copa do Mundo, Neymar segue como centro da discussão que mobiliza a bolha do futebol e o país como um todo. Hoje, contra o Fluminense, às 16h, na Vila Belmiro, será mais uma oportunidade de desfazer uma impressão que ganha força na CBF, segundo o GLOBO apurou: a de que apenas uma reviravolta fará com que o astro esteja na lista definitiva de Carlo Ancelotti no dia 18 de maio.

Em 11 meses de trabalho do técnico italiano, que não convocou Neymar nem para amistosos, o recado foi sempre o mesmo: o de que as portas estavam abertas se ele estivesse fisicamente apto. Com a camisa do Santos, o jogador de 34 anos montou um plano para melhorar seu condicionamento depois de uma lesão que o obrigou a fazer uma cirurgia no joelho esquerdo em dezembro do ano passado. A meta era, em seis meses, estar pronto para a Copa. No clube e no entorno do jogador, a avaliação obtida pela reportagem é de que o objetivo será atingido. Mas o otimismo já foi maior.

Neymar estreou em 2026 há dois meses. No período, disputou apenas oito jogos, mesmo número de um finalista do Mundial ao longo de 39 dias. Em sete partidas, atuou por 90 minutos, tirando a primeira, quando retornou no Campeonato Paulista. O compromisso em que teve maior destaque foi diante do Vasco, já no Brasileiro, quando fez dois gols. De lá para cá, foram mais dois, contra Inter e Recoleta (PAR), este na Sul-Americana. Das oito partidas, o Santos venceu metade, e Neymar deu três assistências.

Sem atuações incontestáveis, mas também com lampejos que indicam a possibilidade de o craque resolver jogos, a convocação de Neymar virou tema de pesquisa de opinião e foi parar até no presidente Lula, que disse ter sido perguntado por Ancelotti se deveria levar o astro — informação que não se confirma na CBF. Em que pese a predisposição do técnico de falar do assunto Neymar exaustivamente, em entrevistas e no contato com brasileiros em estádios, no carnaval e, de uma forma geral, o frenesi fica da porta da CBF para fora. Nos bastidores, a comissão técnica se mantém fiel aos critérios adotados desde o início do trabalho e está tranquila de que a decisão tomada será a correta, para o benefício coletivo da seleção.

Observação na reta final

Neymar ainda não foi chamado para a seleção brasileira por Carlo Ancelotti — Foto: Marcelo Theobald/09.11.2025

Para não pecar pela omissão, a programação da seleção brasileira prevê nova observação de Neymar antes da convocação final para a Copa do Mundo. Após a tentativa frustrada de Ancelotti de avaliar o desempenho do atacante diante do Mirassol, em março, o treinador retorna ao Brasil na próxima semana para tirar as dúvidas finais antes de fechar a lista.

A possível visita, porém, será mais adiante. O Santos terá um jogo contra o Bahia fora de casa no próximo fim de semana e o clássico contra o Palmeiras no dia 2 de maio, em São Paulo — teste mais difícil para Neymar até a convocação e ainda com presença incerta do craque pelo piso sintético. A CBF precisa enviar a lista de 55 nomes para a Fifa no dia 11 de maio. Em seguida, corta para 26 nomes no dia 18. Ao jornal L’Equipe, da França, Ancelotti chegou a dizer que Neymar estava “no caminho certo”, em entrevista concedida há dois meses, antes da sequência atual de jogos.

— Ele é capaz de voltar a estar a 100%. Vou convocar os jogadores que estiverem fisicamente aptos. Neymar teve uma ótima recuperação, está marcando gols. Ele precisa continuar nessa direção e melhorar seu condicionamento físico. Ele está no caminho certo — afirmou Ancelotti.

Chama atenção, entretanto, a falta de contato da CBF com o estafe de Neymar e com o Santos. O cronograma de evolução física fica a cargo da equipe do jogador. No clube, sabe-se que o camisa 10 está apto para o jogo contra o Fluminense. O planejamento prevê atuar em dois jogos e ser preservado de um. Mas a definição sobre participação em treinos e nas partidas seguintes depende sempre da avaliação feita após o próximo jogo, tornando o plano uma incógnita até a Copa.

Coro por convocação diminui

Além do critério físico, Ancelotti indicou na última convocação que pode levar Neymar se ele puder crescer de produção durante a Copa do Mundo. A mudança de perspectiva com a proximidade do Mundial passa por uma avaliação dos pontos positivos que o craque pode aportar à seleção brasileira, além da intensidade e do coro pela convocação. Mesmo na fase final da carreira, o atacante ainda é a principal referência da geração que defende o Brasil neste ciclo. Entre os capitães da seleção, como Marquinhos, Casemiro e Danilo, sua ida é vista como importante. Ex-jogadores campeões do mundo pelo Brasil também enfileiraram manifestações a favor, publicamente e em conversas privadas com Ancelotti.

Entretanto, o forte lobby para Neymar atuar contra França e Croácia perdeu força depois dos jogos. Até a forte expectativa da ala política da entidade em relação à presença do astro se reduziu, com discursos públicos e nos bastidores em prol da autonomia de Carlo Ancelotti sobre a decisão final. Depois dos últimos questionamentos, o treinador vetou o assunto nas entrevistas entre os amistosos e preferiu falar sobre os convocados. As observações agradaram diante de adversários fortes, e a dependência de um salvador da pátria diminuiu. Nesta semana, levantamento da Genial/Quaest mostra que 47% das pessoas defendem a convocação de Neymar, enquanto 45% são contrárias. A única certeza é que Neymar será o principal assunto da convocação no dia 18 de maio.



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