Entre gatinho e leão, seleção brasileira estreia na Copa do Mundo contra Marrocos com Ancelotti como escudo


Entre Rio e Estados Unidos, foram dezoito dias de preparação do Brasil desde a convocação até a estreia na Copa do Mundo de 2026, após um ciclo curto de pouco mais de um ano sob o comando de Carlo Ancelotti e conturbado com troca de presidência na CBF. A partir de hoje, às 19h (de Brasília), no MetLife, Stadium contra Marrocos, primeira equipe que derrotou a seleção após o Mundial de 2022, o resultado de um trabalho atrasado dentro e fora de campo será posto à prova.

Sem Neymar, ainda em recuperação da lesão na panturrilha direita e aguardado para a próxima rodada, contra o Haiti, a geração que idolatra o maior jogador que o país revelou nos últimos anos terá de superar esse fantasma e se virar sem ele dentro de campo. O candidato a preencher a lacuna é Vinicius Junior, que concedeu entrevista na véspera do jogo junto de Ancelotti e alternou respostas firmes e um semblante tenso com um sorriso esperançoso.

A postura contrastou com a do técnico italiano, trazido como o escudo perfeito no ano passado pela CBF para acalmar as cobranças e a crise política, depois de trabalhos frustrados dos técnicos brasileiros Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior. Ainda que não tenha conseguido devolver ao país um futebol encantador, Ancelotti prometeu um time competitivo, tirou o peso do favoritismo da seleção pentacampeã e falou que o medo pode ter papel importante ao dimensionar como vai encarar a sua primeira Copa como treinador.

— Medo é um componente importante da vida. Se você não tem medo e encontra um leão, ele parece um gato. E você pode ser comido. A preocupação é fazer um bom jogo. Estamos confiantes, otimistas. Acho que a equipe está preparada para o jogo e para a Copa do Mundo — projetou.

Ancelotti acabou atraindo mais questionamentos sobre a sua estreia no torneio do que sobre a do Brasil. Disse estar adaptado à cultura do país e tratou a posição como uma “responsabilidade e honra por representar o país do futebol, a seleção mais laureada do mundo”. Ainda assim, falou da experiência com sensação de alegria:

— É um momento muito bonito da minha história.

Não é um momento bonito, porém, da história da seleção brasileira, que amarga jejum de 24 anos sem uma Copa do Mundo. Se esse peso não recai nas costas de Ancelotti, a blindagem do técnico some quando o questionamento é sobre os jogadores. Mesmo assim, o italiano disse esperar uma Copa equilibrada, com muitas equipes com possibilidade de competir no torneio.

— Podemos competir. O sentimento é bom, não apenas para o primeiro jogo, mas para a competição. Estamos prontos — sentenciou.

Ao longo de toda a preparação, alguns jogadores admitiram a inevitável cobrança por uma conquista. E Vini Jr. traduziu isso pelos companheiros, colocando a história da camisa amarela como a nostalgia que permite a todos sonhar.

— Chegamos para sermos campeões. Estamos no nível das grandes equipes. Quando chega na Copa, zera tudo — avisou Vini, pedindo apoio. — Queremos colocar o Brasil onde não deveria ter saído, que é o topo. O povo tem que estar com a gente para ser feliz e torcer — completou o atacante de 25 anos, quase a idade do jejum do Brasil em Copas.

Nem Vini nem Ancelotti quiseram dar pistas sobre a escalação. Houve testes ao longo da semana para confirmar se a linha de defesa teria a experiência de Danilo e Alex Sandro, do Flamengo, nas laterais, e o ataque, a chegada de Paquetá para abastecer o trio formado por Vini, Raphinha e um centroavante, com Matheus Cunha e Igor Thiago como concorrentes pela vaga.

A única baixa ao longo da preparação foi o corte do lateral Wesley, que acabou substituído por Ederson. Outro contratempo foi com Gabriel Magalhães, que chegou aos EUA abatido com a perda do pênalti na final da Liga dos Campeões e fisicamente abaixo do esperado. Mesmo assim, o zagueiro deve formar dupla de com o capitão Marquinhos, o que deixa o Brasil com oito dos 11 titulares da estreia da última Copa.

Brasil x Marrocos – Grupo C

  • Horário: 19h.
  • Local: MetLife Stadium, Nova York (EUA).
  • Árbitro: Slavko Vinčić (Eslovênia).
  • Transmissão: TV Globo, Ge TV, Sportv, Globoplay, CazéTV, SBT e Nsports.

Provável escalação do Brasil: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Raphinha, Matheus Cunha e Vinicius Junior. Técnico: Carlo Ancelotti.

Provável escalação do Marrocos: Bono; Achraf Hakimi, Issa Diop, Chadi Riad e Noussair Mazraoui; El Aynaoui, Ayyoub Bouaddi e Azzedine Ounahi; Brahim Díaz, Chemsdine Talbi e Ismael Saibari. Técnico: Mohamed Ouahbi.

Marrocos prega respeito à seleção

O Marrocos, por sua vez, prega “respeito” pela seleção brasileira, mas garante “não ter medo”. Como tem feito desde a chegada de Mohamed Ouahbi, em março, após a saída de Walid Regragui mesmo depois do título — no tapetão — da Copa Africana de Nações, o time africano tentará manter a posse de bola e, quando perdê-la, optar por se defender em bloco baixo, para aproveitar as transições em velocidade.

— Sabemos que o Marrocos está em outra prateleira, mas não temos medo do Brasil. Vamos respeitar, é claro, é um respeito merecido. Temos nossos princípios, nossos valores e sabemos o que vamos mostrar, o porquê jogamos — disse Ouahbi.



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