Enquanto no Brasil a estreia contra Marrocos é tratada como o primeiro grande teste da Seleção na Copa do Mundo de 2026, a imprensa marroquina tem adotado um discurso diferente. Para parte da mídia do país africano, o confronto deste sábado é importante pelo prestígio, mas está longe de ser considerado decisivo para o futuro dos Leões do Atlas no torneio.
Em análise publicada pelo jornal marroquino Actu Maroc, o duelo contra o Brasil é tratado como apenas o primeiro passo de uma caminhada mais longa. Segundo o veículo, a classificação para as oitavas de final deverá ser definida principalmente nas partidas seguintes, diante de Escócia e Haiti.
“O jogo contra o Brasil não é o mais importante para Marrocos”, escreveu o jornal, em texto que pede serenidade aos torcedores independentemente do resultado da estreia.
A avaliação parte do entendimento de que enfrentar uma das seleções mais tradicionais do futebol mundial representa um desafio de enorme dificuldade, mas não necessariamente um confronto que determinará o destino da equipe no Grupo C.
Para o veículo, um eventual tropeço diante da Seleção Brasileira não deve provocar questionamentos sobre a força do elenco marroquino nem comprometer as ambições construídas após a histórica campanha de 2022, quando a equipe se tornou a primeira africana a alcançar uma semifinal de Copa do Mundo.
Da mesma forma, uma vitória sobre o Brasil também não deveria gerar excesso de euforia.
“O mais importante virá depois deste confronto”, destaca o texto, ao defender que a equipe mantenha o foco nos compromissos contra Escócia, em Atlanta, e Haiti, em Boston.
Com os dois primeiros colocados de cada grupo avançando diretamente e a possibilidade de classificação de algumas seleções que terminarem em terceiro lugar, a imprensa marroquina considera fundamental administrar energia física e emocional ao longo das três rodadas.
O jornal alerta que muitas seleções já surpreenderam favoritos em estreias de Copa e, ainda assim, acabaram eliminadas precocemente. Também lembra casos de equipes apontadas como candidatas ao título que começaram bem e fracassaram nas fases seguintes.
Por isso, a recomendação aos torcedores é evitar conclusões definitivas após o duelo contra o Brasil.
O discurso também mostra como mudou a percepção de Marrocos sobre si mesmo após o Mundial do Catar. Há quatro anos, os Leões do Atlas entraram na competição como azarões. Agora, chegam cercados por expectativas e tratados como uma das seleções emergentes do futebol internacional.
A preocupação demonstrada pelo Actu Maroc é justamente impedir que essa nova condição gere pressão excessiva sobre o elenco.
Segundo o jornal, a equipe comandada por Mohamed Ouahbi precisa manter “os pés no chão e a cabeça erguida” para atravessar um torneio que considera especialmente complexo.



