“Sou um pouco egoísta em tudo o que faço na minha vida pessoal e profissional. Penso em mim, porque sei que, se eu estiver bem, consigo ajudar os outros”. É com essa mentalidade que Thiago Silva completa, nesta terça-feira, dia 22, 42 anos e transforma a própria idade em um combustível a mais para manter o alto nível dentro de campo. Para administrar a longevidade, o zagueiro do Fluminense segue um planejamento específico para se preservar fisicamente. Além de selecionar os jogos em que atua, ele também dá aquela “fugidinha” no fim dos treinos comandados por Marcão, seu amigo de longa data.
— No final, se você fica algum tempo sem jogar, perde um pouquinho da capacidade física. Mas acho que temos grandes profissionais no clube que conseguem compensar isso e tornar as coisas mais fáceis para mim. Em alguns treinos, nem chego a terminar. Falo com o Marcão: “Para mim, hoje está suficiente, estou satisfeito”. Com a comissão técnica, que conheço bem, existe essa abertura, e isso facilita meu dia a dia — disse o Monstro após a partida contra o Corinthians, no domingo passado, pelo Campeonato Brasileiro (vitória tricolor por 3 a 1).
Por outro lado, isso não quer dizer que Thiago conseguiu abrir uma brecha em sua rotina por conta da boa relação com Marcão. Pelo contrário, o defensor sempre segue uma programação e um controle de carga, levando em conta uma série de fatores, independentemente do clube ou treinador.
Em razão da idade avançada, o ex-jogador da seleção brasileira dificilmente emenda uma sequência longa de partidas na temporada. Com uma lesão na coxa direita, ele ficou fora dos jogos contra o Vasco, no início de agosto, pelas oitavas de final da Copa do Brasil. A equipe obviamente sentiu a sua falta no comando da zaga e foi eliminada novamente para o rival na competição.
Outro fator que mantém a cautela de Thiago sobre o lado físico é o gramado sintético. O veterano evita jogar nesse tipo de piso por ser um dos principais críticos ao tema no futebol brasileiro. Não será o caso da semifinal contra o Palmeiras pela Libertadores. Devido à importância do confronto, ele, se estiver em condições de jogo, entrará em campo no “tapetinho” do Nubank Parque, em São Paulo.
— Eu também me sinto bem nos jogos porque consigo ler algumas jogadas. Não preciso correr tanto para cortar uma bola ou fazer uma cobertura. A experiência me ajuda nesse sentido — destacou o camisa 3 do Flu.
É com esse know-how que Thiago é a principal liderança do time dentro de campo. E a situação não é muito diferente fora dele. O capitão tem abertura para discutir assuntos pertinentes com a própria diretoria, que aproveitou dessa proximidade para convencê-lo a voltar ao clube, no fim de junho. Ao lado de Hulk, ele foi a grande aposta para elevar o nível técnico da equipe e conquistar um título de peso na temporada.
É comum que Thiago seja uma espécie de porta-voz do grupo em reuniões no CT Carlos Castilho com os dirigentes, principalmente com o diretor-geral Mário Bittencourt, que acompanha mais de perto o dia a dia do futebol. Também há casos em que o treinador está presente na conversa para discutir o momento da equipe, seja nos aspectos técnico, tático ou mental.
O interesse em analisar o jogo mais a fundo não é por acaso. Thiago já manifestou o desejo de virar técnico em um futuro próximo e deve se despedir dos gramados no fim desta temporada. Quem pode fazer companhia à beira do campo é o próprio Marcão. Conforme revelado pelo GLOBO, a relação entre os dois é tão próxima que ele deseja trabalhar como auxiliar do zagueiro quando este iniciar a carreira de técnico.
— Sou suspeito para falar porque ele (Marcão) é uma pessoa extraordinária e muito humilde. Todos têm essa imagem do Marcão, mas essa humildade não significa ser “otário”. Ele sabe o momento de apertar e cobrar. Em todas as vezes que assumiu o Fluminense, tanto nos bons quanto nos momentos difíceis, mostrou estar preparado — elogiou Thiago.




