Flamengo questiona venda da SAF do Vasco a Lamacchia em agência reguladora


A negociação entre Vasco e Marcos Lamacchia para a venda de 90% da SAF ganhou mais um obstáculo. Nesta quinta-feira (16), o Flamengo acionou a Agência Nacional de Regulação e Sustenabilidade do Futebol (ANRESF) pedindo uma análise da operação, a qual Bap, presidente rubro-negro já criticou anteriormente.

A solicitação tem por base a seção 9 do Regulamento de Sustentabilidade Financeira e o artigo 62 da Lei Geral do Esporte, que tratam da multipropriedade de clubes e impedem a “participação simultânea no capital social ou na gestão de outra organização esportiva” que dispute a mesma competição profissional. Isso porque Marcos é filho de José Lamacchia, dono da Crefisa e avalista da operação, casado com Leila Pereira, presidente do Palmeiras até 2027, relação que fundamentou o pedido de análise e possível veto. As informações foram divulgadas pelo “ge”.

Ainda que o Flamengo tenha se antecipado, o regulamento da ANRESF prevê que qualquer mudança societária seja informada em até 30 dias após a alteração societária — o que ainda não foi feito, já que a venda não foi concluída. Dessa maneira, e tendo em vista que a agência não depende de provocação para atuar, a operação já seria objeto de análise independentemente da manifestação do rival carioca.

Em consonância com a nova legislação, o advogado Athos de Andrade Figueira Neves, designado “watchdog” pela Justiça do Rio para fiscalizar os atos de governança da SAF, manifestou-se no processo da recuperação judicial nesta quinta-feira garantindo compromisso com o regulamento de sustentabilidade do futebol brasileiro.

Vasco e Lamacchia iniciam processo de venda da SAF

Na terça-feira, foi divulgado que a Almirante Participações, representada por Marcos Lamacchia e Mario Junqueira Franco Junior, assinou contrato vinculante com o Vasco, tornando-se investidora âncora em um processo de concorrência pela venda de 90% da SAF. A condição garante direito de preferência para cobrir futuras ofertas, que serão tratadas em juízo. A proposta prevê um investimento mínimo de R$ 650 milhões, sendo 500 exclusivos ao futebol profissional e restante dividido entre melhorias de infraestrutura do CT Moacyr Barbosa e das categorias de base.

A venda se dá por meio de uma “UPI Equity” (Unidade Produtiva Isolada), instrumento jurídico que garante a venda desembaraçada de um bem para garantir o pagamento dos credores. Previsto no plano de reestruturação da recuperação judicial homologado pela Justiça, o modelo permite ainda a venda ou exploração de São Januário (“UPI Estádio”).

O edital foi publicado nos autos processo da recuperação judicial, que corre em segredo de justiça pelo caráter sensível das informações. Todos os próximos passos da negociação com a Almirante ou outras investidoras serão registrados na Justiça, que mediará a venda.



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