EUA vencem Austrália e avançam ao mata-mata da Copa de 2026 embalados por pressão alta de Pochettino


Quando buscou o argentino Mauricio Pochettino para ser seu treinador, há dois anos, a seleção dos Estados Unidos devia buscar (ou deu a sorte de encontrar) exatamente o que se viu em campo nesta sexta-feira, na vitória por 2 a 0 sobre a Austrália em Seattle: pressão alta e marcação sufocante contra os adversários. Com o resultado, a seleção americana garantiu vaga na próxima fase da Copa do Mundo de 2026.

A marcação com pressão no campo ofensivo é o estilo dos times de Pochettino desde o início da carreira, no Espanyol (ESP), e que ele lapidou no Tottenham (ING) na década passada. E os EUA, que já haviam mostrado essa identidade na goleada diante o Paraguai, na estreia, repetiram a dose contra os australianos, para se classificarem à segunda fase com uma rodada de antecedência.

A lesão do astro Pulisic, que desfalcou os EUA nesta sexta após boa atuação na estreia, apenas reforçou a postura do time de Pochettino — que abriu mão de atacantes habilidosos na escalação titular, como Timothy Weah e Giovanni Reyna, em favor de “operários” como o meia Tillman, o lateral-direito Freeman e o ala Sergiño Dest.

A movimentação do atacante Balogun, destaque americano na primeira rodada, foi letal de novo contra a Austrália. Aos 11 minutos, ele arrancou pela esquerda, conduziu até a linha de fundo e cruzou rasteiro. A bola tinha como destino os pés de Ricardo Pepi, seu companheiro de ataque na ausência de Pulisic. Na ânsia de se antecipar, o zagueiro australiano Burgess acabou fazendo gol contra.

Sem dar sossego à Austrália, os EUA chegaram ao segundo gol aos 43 do segundo tempo, em uma jogada que começou com o que os times de Pochettino têm de melhor. Tillman, meia que jogava aberto pela esquerda, decidiu se aventurar pelo lado oposto, para triangular com o meia McKennie e o ala-direito Dest. A duras penas, a defesa australiana conseguiu um breve desarme, mas Tillman imediatamente pressionou, retomou a bola e só foi parado com falta.

Na cobrança ensaiada, o ala-esquerdo Robinson rolou para Dest finalizar. A bola desviou na zaga e sobrou para o lateral-direito Freeman completar de cabeça.

McKennie, Freeman e Dest, de um lado, e Robinson, Tillman e Balogun, do outro, faziam da vida da Austrália um inferno no calor da tarde de Seattle. Quando os EUA tinham a bola, os dois trios se aproximavam constantemente de cada lado, sempre dando opções de passe e superando com frequência as linhas da marcação australiana. Sem a bola, todos também se agrupavam com rapidez, para pressionar os rivais e, não raro, retomar a posse ainda no campo de ataque.

Não por acaso, os EUA já tinham sido, na estreia contra o Paraguai, a seleção com a terceira maior distância percorrida na primeira rodada da fase de grupos (119,9 quilômetros, na soma dos jogadores), ligeiramente atrás de França e Áustria. Na ocasião, os dados da Fifa mostraram que a maior parte das recuperações de posse pela seleção americana ocorreram no campo de ataque, uma amostra da força da pressão alta sob o comando de Pochettino.

Tanta intensidade, porém, cobrou um preço no segundo tempo. Enquanto a Austrália fez quatro substituições antes dos 15 minutos da etapa final, Pochettino esperou quase até os 30 minutos para mexer pela primeira vez. Com pernas mais frescas, a seleção australiana passou a levar perigo. Na melhor chance, aos 16 minutos,

Aos 16 minutos, na primeira vez que superou a pressão alta dos americanos, a Austrália escapou com o atacante Irakunda pela direita e teve sua melhor chance no jogo, em uma bola rolada para Volpato, que finalizou para fora.

Quando a Austrália melhorou no jogo, a arbitragem do alemão Felix Zwayer passou a tirar os australianos do sério. Primeiro, ao ignorar um toque no braço do americano Berhalter dentro da própria área, quando tentava afastar uma bola de cabeça. Depois, ao contemporizar quando Robinson deixou o braço no rosto de Volpato, antes de um arremesso lateral — o jogador americano sequer recebeu cartão.

Apesar do fim de jogo menos confortável do que sugeria a atuação no primeiro tempo, os EUA se classificam com justiça para a segunda fase da Copa. As duas vitórias, com seis gols marcados e só um sofrido, fazem com que a seleção americana já garanta, no mínimo, a vaga entre os oito melhores terceiros colocados.

E o resultado pode render a liderança antecipada do grupo ainda nesta sexta, caso a Turquia não vença o Paraguai no outro jogo da chave, às 19h (de Brasília). Nessa hipótese, pelos critérios de desempate, os EUA já não poderiam ser alcançados por mais ninguém no grupo.



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