PL projeta um terço do Senado, mas não terá força para pauta anti-STF


Mesmo no cenário mais otimista, partido dependerá de aliados para controlar a pauta e afastar um ministro do Supremo

Mesmo se eleger os 28 senadores projetados pelo presidente nacional Valdemar Costa Neto, o PL chegará a 36 cadeiras no Senado ao somar os oito mandatos conquistados em 2022. O número não basta para controlar sozinho a pauta da Casa nem para afastar um ministro do Supremo Tribunal Federal. Para avançar com uma agenda contra a Corte, o partido terá de recorrer a alianças.

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Valdemar apresentou a meta após reunião com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O resultado daria ao PL 44% das 81 cadeiras e ampliaria o poder de negociação da legenda. Neste ano, 54 vagas estão em disputa. Os eleitos se juntarão aos 27 senadores escolhidos em 2022, o que transformou a renovação da Casa em uma das prioridades do bolsonarismo.

A matemática, no entanto, limita a estratégia. São necessários 41 votos para autorizar a abertura do julgamento de um ministro do STF e 54 para condenar e afastar. Com 36 cadeiras, o PL ficaria cinco votos abaixo do primeiro patamar e 18 abaixo do segundo. Além disso, cabe ao presidente do Senado decidir se dá andamento ao pedido. Em 2025, a oposição reuniu 41 assinaturas pelo impeachment de Alexandre de Moraes, mas Davi Alcolumbre não deu sequência ao processo.

Nenhum ministro do STF perdeu o cargo por impeachment na história do país. A eleição de 28 nomes daria ao PL força para negociar o comando do Senado e pressionar o próximo governo, mas não permitiria ao partido cumprir sozinho a agenda defendida pelo bolsonarismo contra a Corte. O próprio Valdemar já afirmou ser contra o afastamento de integrantes do Supremo.

Mesmo elegendo 28 senadores e chegando a 36 cadeiras, o PL não terá sozinho os votos necessários para abrir ou concluir um processo de impeachment contra ministro do STF.

A projeção de Valdemar inclui candidatos próprios e aliados de outras legendas. Entre os nomes citados estão Michelle Bolsonaro, Bia Kicis, Domingos Sávio, Sanderson, Marcelo Queiroga, João Roma, Anderson Ferreira, José Medeiros, Filipe Barros, Gustavo Gayer, Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, além de aliados como Marcel van Hattem, Ciro Nogueira, Styvenson Valentim e Deltan Dallagnol.

A estratégia retoma um discurso repetido por Jair Bolsonaro de conquistar fatia significativa do Congresso para “mudar o destino do Brasil”. Na prática, porém, o PL sairá das urnas, mesmo no melhor cenário, ainda dependente de negociações com o Centrão e outras forças de direita para avançar qualquer pauta mais agressiva em relação ao Supremo.

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