O Vasco entrou na Justiça, nesta quinta-feira, para conseguir a liberação para jogar a partida de volta da semifinal da Copa Sul-Americana, com o Boca Juniors, no Maracanã. O cruz-maltino ajuizou uma ação com pedido de tutela de urgência contra a concessionária do Maracanã, a FLA-FLU Serviços S.A., que vetou o clube de usar o estádio, com a justificativa de que causaria desgaste do gramado. O clube também solicitou multa diária de 1 milhão de reais em caso de descumprimento da ordem.
A semifinal ocorrerá no dia 20 de outubro, mas o Vasco tem até o dia 10 para informar à Conmebol o estádio do Rio de Janeiro que será escolhido para a partida. Em caso de um estádio fora do estado, o cruz-maltino deverá enviar a decisão com maior antecedência, até o dia 5.
O clube sustenta que o seu estádio, São Januário, não atende ao requisito mínimo de capacidade estabelecido pela Conmebol. O clube destaca que a estrutura do Maracanã para receber um confronto dessa dimensão é mais de 3 vezes maior que o seu próprio estádio. A petição também cita manifestação da Polícia Militar favorável à realização do jogo no estádio.
“Enquanto São Januário comporta aproximadamente 21.880 espectadores, o Estádio Jornalista Mário Filho — Maracanã„ dispõe de estrutura para receber aproximadamente 78.838 pessoas sentadas, em assentos individuais numerados. Trata-se, portanto, de equipamento com capacidade aproximadamente 3,6 vezes superior de São Januário”, argumentou o clube. “As próprias autoridades responsáveis pela segurança pública reconhecem a excepcionalidade do confronto e a conveniência de sua realização no Maracanã”.
O Vasco afirma ainda que possui um Memorando de Entendimentos firmado em 2025 que previa a utilização do Maracanã em quatro partidas de competições da CBF, FIFA ou CONMEBOL, além de estabelecer que eventual negativa deveria ser fundamentada em critérios técnicos e operacionais.
O clube também argumenta que Nilton Santos poderia gerar uma desvantagem esportiva devido ao gramado sintético.
“O VASCO, até o presente momento, não disputou qualquer partida da Copa Sudamericana em gramado sintético. Dessa forma, a eventual realizaçãoo da partida no Estádio Nilton Santos imporia ao clube mandante inequívoca desvantagem esportiva, na medida em que o Estádio São Januário, sua praça desportiva habitual, possui gramado natural, assim como o Estádio do Maracanã. A alteração do do local da partida acarretaria a necessidade de adaptação a condições de jogo diversas daquelas regularmente enfrentadas pelo clube ao longo da competição, em evidente prejuízo ao equilÌbrio esportivo da disputa”, argumentou no documento.
Para além da realização do jogo, o cruz-maltino também reforça a disponibilização da carga de ingresso máxima, liberação do uso de todas as instalações necessárias à realização da aprtida, além do acesso à torcida para realização de mosaico.
Além da multa e mcaso de descumprimento, o cruz-maltino cobra também que o rubro-negro pague as custas processuais no valor de 10 mil reais.
Reunião com poder público
Ao mesmo tempo em que o clube busca o uso do Maracanã pela via litigiosa, tenta também obter mudanças no projeto de segurança de seu próprio estádio, São Januário, para chegar ao número mais próximo possível da capacidade estabelecida pela Conmebol. Assim, o clube pleitearia uma excepcionalidade, que seria jogar em um estádio fora dos padrões determinados na semifinal do torneio.
Para isso, o Vasco realizou uma reunião com órgãos do poder público, nesta quarta-feira, e apresentou um projeto que visa expandir o estádio São Januário para a capacidade de 24.155 pessoas (Cerca de 3 mil a mais que o atual), segundo apurou O GLOBO.
O objetivo é se adequar ao número mínimo de cadeiras para torcedores visitantes, estimado pela Conmebol para partidas de semifinal da Copa Sul-Americana. Caso consiga aprovação, o clube terá um argumento forte para pleitear à entidade a possibilidade de jogar com o Boca Juniors-ARG dentro de casa.
O cruz-maltino aguarda agora a resposta dos órgãos responsáveis. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) respondeu, em nota, que “as propostas serão analisadas pelas diretorias competentes, conforme os requisitos técnicos e de segurança aplicáveis”.
No planejamento da diretoria, caso consiga superar essa limitação, tentaram recorrer à entidade para flexibilizar excepcionalmente a capacidade míninma de público de um estádio de semifinal, que é de 30 mil.
Além dos Bombeiros, a reunião que ocorreu no Estado-Maior-Geral da Corporação, no centro do Rio, contou com a participação do chefe do Estado-Maior-Geral (CHEMG), da Diretoria-Geral de Diversões Públicas (DGDP) e do próprio staff do clube .
— Na ocasião, o Vasco apresentou um novo projeto, com alterações no layout de alguns setores do estádio, incluindo a reserva de um espaço com capacidade para 4 mil torcedores da equipe visitante. As modificações também contemplam adequações nos cálculos de ocupação e nos fluxos de escoamento do público. O projeto prevê uma capacidade total de 24.155 espectadores. O clube deu entrada, nesta quarta-feira, nos pedidos de autorização junto à DGDP e de aprovação do projeto junto à Diretoria-Geral de Serviços Técnicos (DGST) — consta na nota.




