Uma cidade mais segura, o sonho dos cariocas

O município do Rio de Janeiro, capital do estado, é o principal centro político, econômico, cultural e turístico fluminense. A economia é diversificada, mas com forte predomínio do setor de serviços. A cidade funciona como um grande polo para negócios e atividades empresariais, financeiras e administrativas, além de concentrar instituições públicas. O turismo se constituiu como uma importante vocação econômica, impulsionado pela natureza, pelos patrimônios histórico e cultural e por eventos como o carnaval e o réveillon. Apesar disso, o Rio apresenta profundas desigualdades sociais e problemas persistentes, como redes deficientes de saúde e educação, problemas nos transportes municipal e intermunicipal e mobilidade urbana. Mas, o grande desafio apontado pelo moradores é o combate à violência e ao crime organizado.
A cidade do Rio vive um cenário de enfrentamento da violência, manifestada por assaltos e furtos e o avanço do controle territorial de organizações criminosas em grande parte da cidade. A expansão gera graves problemas ao cotidiano do carioca, impactando diretamente na qualidade de vida e na percepção de segurança. Nesse sentido, a segurança pública desponta como uma das principais demandas dos moradores, assim como dos candidatos, que apresentam propostas ao enfrentamento da violência.
Em seu plano de governo, o candidato do PSD a governador do Rio, Eduardo Paes, coloca a redução da violência no estado como um dos seus compromissos centrais, caso eleito. Durante a campanha e em entrevistas, Paes afirma que uma das suas principais ações será a integração de forças de segurança a partir do desenvolvimento de um “Sistema Único de Segurança Fluminense”, que vai unir Polícia Militar e guardas municipais locais. O candidato do PL, Douglas Ruas, também coloca a segurança pública como principal ação, caso eleito. Seu plano de governo prevê a retomada do território dominado pelo crime organizado e ações como a construção de presídios de segurança máxima. Já Garotinho (Republicanos), por sua vez, destaca como sua principal ação, caso eleito, o programa Bope 2.0, com a criação de um novo batalhão para ocupação e retomada de territórios nas mãos do crime organizado.
Sobre os problemas no transporte do Rio e a integração com a Região Metropolitana, queixas frequentes na capital, os candidatos ao governo propõem ações parecidas. A principal delas envolve a construção da Linha 3 do metrô, que ligaria a capital aos municípios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Paes ainda sugere mudanças no sistema de bilhetagem eletrônica, com o objetivo passar para a responsabilidade do estado a arrecadação, inspirado no modelo do Jaé, cartão implantado na capital na sua gestão enquanto prefeito. Ruas também aposta na expansão do metrô em direção a Itaboraí. Propõe ainda uma maior integração tarifária entre os diferentes modais de transporte no estado, assim como uma redução da tarifa do metrô. E Garotinho afirma que, caso eleito, também investirá na Linha 3, mas sem construir um túnel entre a capital e Niterói. A integração para Itaboraí seria feita por meio de uma malha de barcas de alta velocidade. O candidato também promete a redução das tarifas dos transportes.
Segundo o IBGE, a capital possui uma população superior a 6 milhões de habitantes. São 4,95 milhões de votantes (38,5% do eleitorado). O Rio tem o melhor Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) entre as cidades fluminenses: 0,7933 (veja o quadro). O IFDM avalia educação, saúde e emprego.
Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM)
Editoria de Arte
Contexto político: urnas polarizadas com Paes e Ruas
Pesquisa Datafolha para o governo do Rio divulgada na última quinta-feira mostra o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) na liderança, com 43% de intenções de voto. O presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Douglas Ruas (PL), desponta em segundo com 30%. Anthony Garotinho (Republicanos) registrou 8%.
Paes tem seu reduto eleitoral no Rio, maior colégio eleitoral do estado, enquanto Ruas cresceu politicamente em São Gonçalo, cidade da Região Metropolitana governada por seu pai, Capitão Nelson (PL), e segunda maior cidade em eleitores, enquanto Garotinho começou a vida pública em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, município com mais votantes do interior.
Paes, por quatro vezes eleito prefeito do Rio, cidade berço do bolsonarismo, foca sua campanha na ideia de “reconstrução” do estado, prometendo expandir seus principais avanços na capital para os demais municípios. Nessa lógica, o candidato fechou alianças com prefeitos de todas as regiões e de partidos diferentes. Paes tem o apoio do presidente Lula (PT), candidato à reeleição.
Em seus compromissos na capital e na propaganda eleitoral gratuita, Ruas procurou descolar sua imagem de aliados como o ex-governador Cláudio Castro (PL), que saiu desgastado de sua administração, e do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União), que está preso sob suspeita de vazar informações sigilosas de operações policiais para uma facção criminosa. Para conseguir o voto da direita e do bolsonarismo, Ruas explora a ligação com o candidato a presidente de sua sigla, Flávio Bolsonaro, polarizando com Paes as urnas.
O que a população quer para a capital
Adriana Silva, 56 anos, pedagoga, moradora em Santíssimo, Zona Oeste do Rio
Arquivo Pessoal
Mais segurança é o principal anseio dos moradores da capital, que pedem também transporte melhor.
— A violência tomando conta, né? Nem todos os espaços têm um policiamento adequado. Em alguns bairros da Zona Oeste, a pessoa até acostuma com aquela situação, porque tem que viver ali, mas não tem uma vida adequada. Há confrontos, a violência causa problemas para outras áreas, como a mobilidade — afirma Adriana Silva, 56 anos, pedagoga, moradora em Santíssimo, na Zona Oeste.
— Quando saio, andando na rua, não vejo carros de polícia, agentes de segurança pública. Parece que a gente está abandonado por essas entidades. Quando a gente vê no noticiário que aumentaram homicídios, roubos de celulares e a violência, a gente não vê nenhuma ação do governo — diz Luciana Almeida dos Santos, 49 anos, estatista, moradora em Del Castilho, na Zona Norte.
*Graduanda em Ciências Sociais (UFRJ) e doutorando em Ciência Política (Iesp-Uerj), sob a supervisão de Marcelo Remigio
PROJETO TAMO JUNTO: É uma parceria do EXTRA com o Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (Lappcom) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em que jornalistas e pesquisadores focalizam o processo eleitoral deste ano em sete regiões do Estado do Rio de Janeiro, abordando problemas, apontando soluções e apresentando propostas dos planos de governo dos principais candidatos.



Source link

- Advertisement -spot_img

More From UrbanEdge

‘O amor ainda estava dentro de nós’

— Procurei ser cuidadoso, pois ficou...
- Advertisement -spot_img