A caminhada para a Copa de 2030 está apenas no começo. Mas, afinal, o quão longe do próximo Mundial estão os jogadores convocados por Carlo Ancelotti para os primeiros amistosos deste período? O histórico dos ciclos anteriores mostra aos 26 chamados para os jogos contra Austrália e Índia que é permitido, sim, sonhar com uma vaga no torneio. Mas o gargalo é apertado. Menos da metade dos que estão na primeira convocação costumam atingir o objetivo.
Nos três últimos ciclos, no máximo 11 convocados para os primeiros amistosos estiveram na convocação final. Este número foi atingido na Copa de 2022. O goleiro Alisson; o lateral Alex Sandro; os zagueiros Marquinhos, Thiago Silva e Éder Militão; os volantes Fabinho, Casemiro e Fred; o meia Lucas Paquetá; e os atacantes Neymar e Richarlison participaram tanto dos amistosos contra Estados Unidos e El Salvador, em setembro de 2018, como do Mundial do Catar.
Antes, o grupo da Copa da Rússia-2018 havia contado com nove que estavam nos primeiros amistosos do período preparatório (Colômbia e Equador, em setembro de 2014): os laterais Filipe Luís, Danilo e Marcelo; os zagueiros Marquinhos e Miranda; o volante Fernandinho; e os atacantes Willian, Neymar, Philippe Coutinho.
O menor número de remanescentes foi justamente na Copa realizada nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Oito dos que participaram do amistoso contra Marrocos, em março de 2023, apareceram na lista do Mundial. Foram eles os goleiros Weverton e Ederson; os zagueiros Marquinhos, Ibañez e Bremer; o volante Casemiro; o meia Paquetá; e o atacante Vini Jr.
Mas é verdade também que este número poderia ter sido maior, já que Éder Militão e Rodrygo, presentes contra os marroquinos, se lesionaram antes da convocação e ficaram fora. Os dois eram considerados presença certa na lista.
Convocados na primeira data Fifa de cada ciclo que foram à Copa:
- 2026 (oito): Weverton, Ederson, Marquinhos, Bremer, Ibañez, Casemiro, Lucas Paquetá, Vini Jr
- 2022 (11): Alisson, Alex Sandro, Fabinho, Marquinhos, Thiago Silva, Éder Militão, Casemiro, Fred, Lucas Paquetá, Neymar, Richarlison
- 2018 (nove): Filipe Luís, Danilo, Marcelo, Marquinhos, Miranda, Fernandinho, Willian, Neymar, Philipe Coutinho
Até na área técnica a permanência não é garantida. Nos últimos três ciclos, só em um o treinador dos primeiros amistosos chegou até a Copa. Foi Tite, que iniciou e concluiu toda a preparação para o Catar-2022.
No pontapé inicial do ciclo de 2018, a seleção era comandada por Dunga, substituído depois por Tite. Já o amistoso que marcou o começo da caminhada para 2026 teve Ramon Menezes no comando interino. Em seguida, a Amarelinha ainda teria mais dois técnicos (Fernando Diniz e Dorival Júnior) antes de Ancelotti.
Talvez não seja coincidência o fato de ter sido o ciclo de 2022 — o único com um único treinador do início ao fim — que registrou, na lista final da Copa, o maior número de remanescentes dos primeiros amistosos. Agora, se os planos da CBF e de Ancelotti não forem atropelados, a seleção também terá a mesma comissão técnica até o Mundial. O que serve ainda mais de estímulo aos que estão na Austrália.
— É o início de uma trajetória. A gente encara esses jogos com muita seriedade — disse o volante Martinelli:
— Acho que cada oportunidade é um passo para criar casca, mostrar seu futebol e se sentir à vontade. Para que nesses quatro anos possa ser criado um grande time, para que a gente possa chegar forte na Copa.



