Tem se perdido em horas de vídeos curtos bobos? Saiba o que a ciência diz sobre o ‘brain rot’

Você já deitou na sua cama — ou no ônibus na volta pra casa— abriu um aplicativo de vídeos curtos e passou horas e horas? Principalmente conteúdo bobo, muitas vezes sem sentido?
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Na internet, essa prática tem nome: “brain rot” ou, em bom português, “cérebro apodrecido”. É uma piada com o fato de que, na maioria das vezes, esse tipo de conteúdo serve para “desligar” o cérebro, o que causaria o seu “apodrecimento” — essa, pelo menos, é a graça da gíria.
Outro uso para a expressão foi por meio dos personagens, gerados por IA, conhecidos como “brain rot italiano”: se você tiver fihos pequenos provavelmente ja ouviu falar do “Tung Tung Tung Sahur”, um dos mais famosos.
Ao mesmo tempo que é uma piada, pesquisas recentes indicam que o “brain rot” pode, realmente, fazer mal para a saúde do cérebro. Em maio, o governo dos EUA divulgou um alerta do Cirurgião-Geral sobre os malefícios do uso de telas por jovens, mencionando principalmente as redes sociais, jogos, chatbots e outras atividades.
Cada vez mais estudos indicam que o uso excessivo de dispositivos digitais, como tablets, computadores e celulares, e redes sociais pode ser prejudicial, especialmente para a saúde mental, informa o site Science News.
E isso é pior, principalmente, entre adolescentes. Jason Nagata, médico especializado em saúde de adolescentes e mídia digital na Universidade da Califórnia, em São Francisco, liderou um estudo que acompanhou quais aplicativos os jovens abriam e usavam enquanto estavam na escola.
Segundo sua pesquisa, aplicativos educacionais estavam, basicamente, sempre no fim da lista; enquanto isso, os apps mais abertos eram sempre redes sociais.
Em 2021, um estudo com 500 estudantes entre 15 e 19 anos da idade na India mostrou que um em cada três mostravam sintomas de vício em telefones celulares; outros estudos mostram que o uso “viciado”, ou pelo menos o hábito, de smartphones interfere no sono, nos estudos e nas amizades.
Causa e Efeito
Um dos principais estudos sobre o desenvolvimento cerebral de adolescente se chama ABCD — acrônimo de Adolescent Brain Cognitive Development (Desenvolvimento cognitivo do cérebro adolescente).
Utilizando dados do ABCD, Nagata, em 2025, produziu um estudo, publicado no American Journal of Preventive Medicine, mostrando que passar muito tempo em frente às telas está associado a um risco maior de problemas de saúde, como depressão, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e transtornos alimentares.
Uso de IA pode ser nova forma de ‘brain rot’
Com a popularização dos chatbots — como Chat GPT, Claude e DeepSeek —uma nova forma de “amadurecimento cerebral” começou a aparecer. Pela forma que são usados, os chatbots acabam funcionando como um “substituto” do cérebro.
Como são novas ferramentas, poucos estudos ainda existem sobre os efeitos dessa forma de inteligência artificial, mas o que existem já mostram: o uso excessivo de IA acaba por diminuir a atividade cerebral.
Nem tudo parece perdido
Para Baumgartner, crianças se adaptam rapidamente às novas mídias; além disso, uma de suas pesquisas indica que adolescentes que usam dispositivos digitais com frequência — enquanto realizam outras atividades — até podem relatar dificuldade de concentração, segundo sua pesquisa.
No entanto, quando não estão tentando fazer várias coisas ao mesmo tempo, eles conseguem se concentrar tão bem quanto seus colegas que relatam realizar menos multitarefas.
“Se você usa a mídia de uma forma que te faz sentir melhor consigo mesmo, que te permite aprender e se conectar com outras pessoas, isso é ótimo”, diz Nagata: “Se você se sentir mal com o conteúdo que tem visto, isso pode ser um sinal [para parar].



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