Samuel Lino chamou atenção nestes amistosos da seleção brasileira contra Austrália (2) e Índia na primeira data Fifa após a Copa do Mundo dos Estados Unidos. Personalidade, boa leitura de jogo, eficácia nos duelos individuais e dois gols em 88 minutos de atuação nos três jogos. É cedo, por vários motivos, para dizer se o atacante do Flamengo resolverá a falta de criatividade e a pouca ofensividade do time de Carlo Ancelotti. Mas, aos 26 anos, se encaixa perfeitamente no perfil que sustenta a discussão em torno do número de estrangeiros nos clubes brasileiros.
Nascido em dezembro de 1999, o atacante revelado pelo São Bernardo chegou à base do Flamengo em 2017, emprestado, e, com 18 anos, já tinha jogos nos profissionais do clube do interior paulista. Fez quatro jogos oficiais no sub-20 rubro-negro, dois deles na Copa São Paulo Sub-20, em janeiro de 2018. Sem espaço no time campeão do torneio, preferiu voltar a seu clube formador. Jogou a Copa Paulista pelo time principal e, antes de completar os 19 anos, saiu para o Gil Vicente, de Portugal. Três temporadas depois, chegou ao Valência e logo foi para o Atlético de Madrid.
O caso de Samuel Lino é só um exemplo a sustentar a tese que escora o projeto elaborado pelos executivos do Movimento de Clubes Formadores do Futebol Brasileiro (MCFFB). As críticas ao trabalho feito nas divisões de base são recebidas com reservas. Com o número de jogadores brasileiros espalhados pelo mundo, a explicação é que o problema por aqui é na transição – e não exatamente na formação. Ou seja: a falta de espaço para o aproveitamento nos profissionais de jogadores com o tempo de maturação mais longo do que os considerados extrasséries.
No trabalho discutido nos grupos abertos pela CBF para melhorar o processo de formação nas divisões de base, representantes dos clubes com certificação mostraram que o excessivo número de estrangeiros (nove) dificulta a transição para o profissional e estimula a saída daqueles em desenvolvimento. O MCFFB é presidido por Augusto Oliveira, diretor das divisões de base do Botafogo, e tem a seu lado executivos de Palmeiras, Vasco e Sport – gente capacitada, portanto, para debater o tema e propor soluções para uma percepção mais justa.
Nesta janela de amistosos, a seleção brasileira foi até ontem, entre as principais forças, a que mais utilizou jogadores que não estiveram presentes na última Copa do Mundo: 13. A Alemanha utilizou oito; Argentina e Inglaterra sete; França seis. Holanda cinco. Mais ou menos todos dispostos a abrir espaço para o novo.
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Samuel Lino, do Flamengo, reforça o debate sobre transição e formação de talentos no futebol brasileiro



