O delegado Alexandre Netto, titular da 14ª DP (Leblon), afirmou, nesta quinta-feira, que a quadrilha especializada em roubos na Zona Sul do Rio, investigada pela tentativa de latrocínio — roubo seguido de morte — contra a arqueóloga Tania Andrade Lima, de 81 anos, tem “ligação direta com o Comando Vermelho (CV)”. Um dos chefes do grupo morreu durante uma perseguição policial em Botafogo, na quarta-feira. Segundo o delegado, a organização criminosa, que possui cerca de 11 pessoas envolvidas nos crimes, escolhe a Zona Sul pelo alto poder aquisitivo dos moradores e das pessoas que circulam pela área.
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— Já temos conhecimento de pessoas dentro dessa facção que dão suporte para que esse crime aconteça. Então não é uma ação isolada, é uma estrutura bem organizada, bem arquitetada, que tem por objetivo realizar roubos, furtos na região — afirmou o delegado.
O delegado explicou que a quadrilha é extremamente organizada, na qual cada integrante possui funções bem definidas. Ele ainda detalhou as tarefas de cada membro do grupo:
— Normalmente, essa atuação acontece no primeiro momento com um elemento que vai identificar uma vítima vulnerável, pessoas ou lugares em que essa quadrilha vai atuar. Temos o batedor, que é outra pessoa que vai analisar o caminho que será percorrido, verificando se há blitz, algo utra ação da polícia ou de outra instituição de segurança pública. Os elementos atuam com violência e grave ameaça. Normalmente estão conduzindo uma motocicleta porque é mais fácil se evadir daquela região.
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Perseguição policial
Na manhã de quarta-feira, Luiz Fernando Rodrigues dos Santos morreu durante uma perseguição da Polícia Civil. Segundo a corporação, o homem era um dos chefes da quadrilha da qual também faria parte o principal suspeito da tentativa de latrocínio — roubo seguido de morte — contra a arqueóloga Tania Andrade Lima. Ele acumulava 27 passagens pela polícia, principalmente por crimes de roubo.
A localização dele foi possível por meio de um trabalho de inteligência policial com apoio da Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas).
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O monitoramento do veículo começou às 9h16, na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, e terminou às 10h38, na Rua São Clemente, em Botafogo. De acordo com a Civitas, o carro passou por seis bairros em cerca de 1h22: Centro, Lapa, Catete, Glória, Flamengo e Botafogo. Ao longo do trajeto, o sistema de monitoramento emitiu 19 alertas à polícia, cada um correspondente a um registro da passagem do veículo.
Segundo a Polícia Civil, informações de inteligência indicavam que o carro era utilizado para dar suporte logístico a outros integrantes da quadrilha. Na manhã de quarta-feira, o grupo estaria atuando nas regiões do Centro e da Zona Sul.
A perseguição teve início em Botafogo, durante uma tentativa de interceptação do veículo. De acordo com a versão preliminar da Polícia Civil, o suspeito teria jogado o carro contra outra equipe policial e efetuado um disparo de arma de fogo. Os agentes reagiram, e Luiz Fernando foi baleado.
Ele foi levado ao Hospital municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo a direção da unidade, o homem já chegou morto ao hospital.
Carro atingido por veículo em fuga em Botafogo
Julia Fernandes
Uma mulher que estava no veículo com o suspeito foi atingida por estilhaços e também recebeu atendimento médico. Netto afirmou que ela não é uma integrante da organização criminosa.
Durante a sequência da ocorrência, o carro em que estavam os suspeitos colidiu com outro veículo que passava pelo local. O motorista do automóvel atingido não se feriu e foi levado à delegacia para prestar depoimento.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
Área movimentada e perto de escolas
A ocorrência aconteceu por volta das 10h30, em uma área movimentada, próxima a escolas e a pouco mais de 100 metros do Palácio da Cidade. Devido à ação, uma faixa da Rua São Clemente foi interditada na altura da Rua Matriz, segundo o Centro de Operações e Resiliência (COR), da prefeitura.
Rosiane Ferreira, de 24 anos, estava na Praça Tião Belo com duas colegas quando ouviu os disparos. Monitora de van escolar, ela conta que se escondeu atrás de uma árvore por medo e esperou alguns minutos antes de tentar entender o que havia acontecido.
— Quando a gente viu, tinham dois carros da Civil para lá e para cá. Eles estavam vindo pela São Clemente quando escutamos os disparos. Foram cerca de cinco tiros, às 10h40 — relata.
Ao sair de trás das árvores, Rosiane encontrou os dois carros batidos e ouviu que um homem estava ferido.
Tania Andrade Lima na cerimônia de entrega do Prêmio Faz Diferênça 2016, no Copacabana Palace —
Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
Baleada no Leblon
Tania Andrade Lima foi atingida por três disparos durante um assalto na tarde de 15 de outubro, na Rua General Venâncio Flores, no Leblon, na Zona Sul do Rio. De acordo com a Polícia Civil, ela foi seguida por criminosos após sair de uma agência bancária.
Ao ser abordada, Tania tentou impedir que os assaltantes levassem sua bolsa, mas foi derrubada e arrastada. Um dos criminosos atirou três vezes contra ela e fugiu na garupa de uma motocicleta conduzida por um comparsa, levando seus pertences. Após os disparos, três homens correram para socorrê-la.
A arqueóloga foi atendida por uma equipe do programa Segurança Presente e encaminhada ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Posteriormente, foi transferida para a Casa de Saúde São José, no Humaitá, onde passou por um procedimento para a retirada de um projétil alojado no pescoço e por uma cirurgia para a reconstituição da mão. Ela já recebeu alta médica.
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