Chegou ao fim o sonho do pentacampeonato do Flamengo na Libertadores. A equipe teve um jogador a mais diante do Estudiantes durante todo o segundo tempo no Maracanã, no jogo de volta da semifinal, mas repetiu o empate sem gols de La Plata, e foi eliminada nos pênaltis (3 a 2), com Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique desperdiçando suas cobranças. O treinador Leonardo Jardim explicou a queda no torneio.
— O futebol só tem uma grande regra: só falha quem marca. Eu só coloquei para bater os jogadores mais consagrados, que estão acostumados a bater pênaltis pelo clube e na seleção. Só quem falha é quem está lá dentro. Eles tentaram, e mais do que ninguém, queriam fazer o gol. Durante a semana, tivemos duas sessões de treino de pênaltis, em que muitos deles tiveram 100% de eficácia, e por isso também foram escolhidos. Agora, é fácil apontar o dedo a uma situação ou outra. Mas o responsável é sempre o treinador, e os jogadores tentaram fazer o seu melhor, tanto nos pênaltis como no jogo — disse Jardim em coletiva.
Mais de 72 mil pessoas estiveram no estádio, a grande maioria rubro-negra, o que não impediu o que o treinador definiu como “frustração grande”.
— Agradecer ao público que esteve presente, entusiasmado com nossa campanha. É uma frustração grande. Decepção. Operamos as mudanças que achamos necessárias. O adversário estava jogando com linhas baixas. O Arrascaeta podia nos dar essa qualidade. Mantivemos jogadores como Paquetá, arriscamos com Bruno Henrique e Plata. Eles fecharam o bloco e não conseguimos ter essa presença na área que poderíamos — explicou o português.
O Flamengo só conseguiu uma finalização certa no confronto no segundo tempo do jogo dessa noite, quando já tinha vantagem numérica. Jardim explicou se teria feito algo diferente:
— Eu acredito que só ganhamos a superioridade do jogo quando passamos a jogar contra 10. Antes disso, foi um jogo extremamente equilibrado. Não conseguimos criar, em termos ofensivos, por demérito nosso, porque nossos jogadores de ataque não tiveram as melhores decisões. Mas também por um mérito do adversário, que entrou pressionando. É uma equipe extremamente agressiva, cortou muitos lances de construção com contatos e pequenas faltas. E isso fez com que a nossa produção ofensiva não fosse igual ao que a gente gosta de fazer. A segunda parte foi totalmente diferente, foi um adversário que se juntou lá atrás. Nós demos voltas, mas tivemos pouco impacto dentro daquele bloco do adversário.
A principal surpresa do jogo foi a entrada de Arrascaeta no segundo tempo. O meia fraturou o punho esquerdo no fim de setembro, e só tinha previsão de voltar no fim de novembro, mas entrou no sacrifício. Jardim explicou a escolha:
— Na semana que passou, o Arrasca trabalhou o físico, sem contato. Nesta semana, nos treinos que fizemos, ele trabalhou com o grupo, fez todas as atividades com o grupo. Dificilmente, ia ser titular por conta do impacto que foi o jogo, e vocês viram como o adversário impactou muito, e o bloco deles estava baixo. O Arrasca é o melhor que temos para jogar em pequenos espaços, e ele também se disponibilizou, desde a semana passada, para ser uma solução se a equipe tivesse necessidade. Se a equipe estivesse ganhando, não íamos precisar dele, mas, nessa situação em que estávamos com mais um jogador e havia muito jogo entrelinhas, ele entrou. Não fez um excelente jogo, mas tentou ajudar naquilo que foi possível, assim como todos que entraram.
Ao Flamengo, só resta o Brasileirão na temporada. A equipe é líder e joga contra o Atlético-MG, na próxima segunda-feira, no Maracanã, em jogo da 32ª rodada.




