Psicodélicos avançam em pesquisas clínicas e ampliam debate sobre saúde mental

Sessenta anos após a primeira onda de psicodélicos, a classe de substâncias psicoativas tem sido tema de um avanço nas pesquisas clínicas sobre o seu poder terapêutico. A Austrália, por exemplo, passou a permitir o uso de MDMA para tratamento de estresse pós-traumático e da psilocibina em casos de depressão.
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Ao mesmo tempo, começam a ser difundidos outros conceitos, como a microdosagem, até mesmo fora de ambientes controlados, principalmente em lugares em que a produtividade e a performance cognitiva são prioridade.
Para o médico psiquiatra e neurocientista Diogo Lara, o crescimento do interesse no uso de psicodélicos em processos terapêuticos mostra uma mudança na abordagem clínica: busca-se substâncias que atuem mais que apenas na contenção de sintomas.
“Existe uma tentativa de compreender o sofrimento emocional a partir de uma perspectiva mais ampla, envolvendo memória, percepção, história de vida e padrões emocionais”, diz Lara.
“As terapias psicodélicas passaram a chamar atenção porque alguns estudos mostram a possibilidade de acessar conteúdos psíquicos que muitas vezes permanecem bloqueados em tratamentos convencionais”, afirma.
Além da Austrália, os Estados Unidos e alguns países da Europa vêm investindo em pesquisas sobre o uso de substâncias psicodélicas. No Brasil, o debate permanece apenas na cannabis medicinal.
Uso recreativo é diferente do uso terapêutico
Diogo Lara explica que a retomada e os estudos atuais diferenciam experiências recreativas de propostas terapêuticas estruturadas: “Os protocolos clínicos não envolvem apenas o uso da substância. Existe preparação emocional, acompanhamento profissional, integração posterior e um trabalho voltado à reorganização psíquica”.
Ele destaca: “A substância, isoladamente, não representa tratamento. O que está sendo investigado é a combinação entre neurociência, psicoterapia e estados ampliados de consciência dentro de um contexto clínico”.
Um enfoque que os recentes estudos têm tido é na diferença e na efetividade da microdosagem, definida pelos efeitos sutis e por intervalos regulares, e nas terapias com doses completas, que colocam o paciente sob efeito da substância psicoativa, o que pode ser útil no tratamento e na revisão de traumas.
Para o neurocientista, o uso de psicodélicos pretende criar as condições necessárias para que o paciente consiga “acessar” conteúdos internos de forma segura, o que, esperam os pesquisadores, vai promover uma reorganização emocional e uma maior compreensão sobre si.
“As substâncias psicodélicas despertam interesse científico, mas também reforçam uma discussão mais ampla sobre saúde mental, presença, consciência e formas de lidar com sofrimento psíquico”, concluiu o médico.



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