O município de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, está passando por uma transformação na infraestrutura que começa a aparecer nas ruas, nos rios e na rotina dos moradores. Obras de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto vêm ampliando o acesso a serviços essenciais e criando novas condições para o desenvolvimento da cidade. Os investimentos em saneamento já somam R$ 250 milhões nos últimos cinco anos, desde o início da operação da Águas do Rio. A previsão é chegar a R$ 3,1 bilhões ao longo dos 35 anos de contrato, beneficiando cerca de 300 mil moradores.
— Por décadas, São Gonçalo enfrentou déficit no abastecimento de água e no sistema de esgotamento. Estamos trabalhando na modernização do sistema e na regularização da distribuição. No caso do esgoto, nosso foco foi fazer tudo que já existia funcionar. Ampliamos e revitalizamos estações de tratamento, redes de coleta de esgoto e sistemas de bombeamento — conta Diogo Freitas, diretor-executivo da Águas do Rio.
Entre as principais obras ligadas ao esgoto estão a implementação do Coletor em Tempo Seco (CTS), a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de São Gonçalo e a implantação dos sistemas de esgotamento dos bairros do Mutondo e do Gradim.
— A intervenção no Mutondo conectou toda a população do bairro ao nosso sistema operacional, garantindo que o esgoto de 30 mil moradores chegasse até a estação de tratamento. Também implantamos todo o sistema de abastecimento de água e de esgotamento sanitário na região da Praia das Pedrinhas, um dos maiores cartões-postais da cidade, e iniciamos recentemente também a obra no bairro Gradim, reafirmando nosso compromisso com o saneamento no município — detalha Diogo.
As melhorias no abastecimento de água já alcançam toda a cidade e vêm transformando o sistema de São Gonçalo. Até o momento, as intervenções já beneficiaram diretamente mais de 160 mil moradores. Entre as ações mais recentes estão as obras no bairro do Sacramento, onde foram implantados 17 quilômetros de redes de água, e em Santa Izabel, que recebe outros 32 quilômetros. Juntas, essas obras beneficiam diretamente mais de 10 mil moradores com a ampliação e melhoria do abastecimento.
— Nosso trabalho vai muito além dessas intervenções mais recentes. Já implantamos mais de 300 quilômetros de redes de água em São Gonçalo. É uma extensão tão grande que, se toda essa rede pudesse ser colocada em linha reta, seria suficiente para percorrer a distância entre São Gonçalo e Arraial do Cabo. Também instalamos 50 bombas para garantir que a água chegue às casas com mais pressão, regularidade e qualidade — explica Diogo.
Infraestrutura que gera qualidade de vida
Essas intervenções representam uma transformação na infraestrutura do município. Os investimentos fortalecem a estrutura urbana, ampliam o acesso a serviços essenciais e impulsionam o desenvolvimento econômico de São Gonçalo.
— Imagino, para o futuro, uma cidade mais saudável. O saneamento ajuda os cofres públicos a terem menos atendimentos emergenciais de doenças de veiculação hídrica. Esse tipo de impacto é o que tira a criança da escola, o adulto do trabalho. A melhoria do serviço dá ganhos muito importantes para a sociedade — comenta o diretor-executivo da Águas do Rio.
A ampliação da coleta e do tratamento de esgoto também já produz efeitos positivos no meio ambiente. No Mutondo, o trabalho de saneamento realizado já evita o lançamento de 7 milhões de litros de esgoto por dia no Rio Alcântara e na Baía de Guanabara. No Rio Imboaçu, o primeiro ponto do sistema de Coleta em Tempo Seco já permite tratar 3,5 milhões de litros por dia. Com a implantação dos demais pontos previstos, a expectativa é interceptar e encaminhar para tratamento até 12 milhões de litros de esgoto por dia, evitando que esse volume chegue aos rios da cidade, à Praia das Pedrinhas e, consequentemente, à Baía de Guanabara.
O executivo da Águas do Rio prevê um ganho turístico importante para o município:
— A Ilha de Paquetá depende 100% do sistema de São Gonçalo. Em dezembro de 2025, tivemos um período em que 100% das praias da ilha estavam balneáveis. Queremos que isso aconteça na Praia das Pedrinhas também. Os impactos positivos na qualidade da água, que são visíveis para os moradores, também trouxeram benefícios socioeconômicos. A região já tem o triplo de restaurantes, por exemplo.
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O resultado das obras de infraestrutura começa a ser percebido no cotidiano de quem vive nas áreas atendidas. A melhoria do esgotamento sanitário reduz alagamentos, elimina o contato com águas contaminadas e cria condições para a recuperação de ruas e espaços públicos. Para os moradores, os efeitos aparecem em situações simples do dia a dia — da ausência de valões e mau cheiro à possibilidade de circular por ruas mais seguras e viver em um ambiente mais saudável.
O operador industrial Fábio Assis, de 43 anos, mora no bairro do Neves e vê a transformação acontecer dentro de casa.
— A Águas do Rio fez uma mudança radical. O esgoto não era tratado, o valão que tinha na rua João Batista vivia jorrando água suja e as crianças brincavam no meio disso. Agora, a bomba joga tudo para uma estação de tratamento. Quando chove muito, não tem mais enchente. Além disso, meu filho não tem mais as crises de bronquite que tinha por respirar o mau cheiro do esgoto — relata ele.
A psicóloga Eliania Pereira, de 48 anos, moradora de Mutuaguaçu, elogia as obras na região e já enxerga seus resultados.
— A gente percebe que melhorou. Hoje quase não tem mais aquele mau cheiro, nem a quantidade de insetos e bichos, como os ratos, que traz doenças né. Pra mim, saneamento não é luxo, é qualidade de vida. É o que permite que o bairro se desenvolva, mas, principalmente, que as pessoas vivam com o mínimo de dignidade — avalia ela.




