Essas ligações diárias me ajudam bastante. Nunca fui de ficar meio deslumbrado, não. Eu só gosto de fazer um bom trabalho. Além de ser uma coisa minha, de ser um cara mais tranquilo, lá em casa nunca entrou muito esse status de glamour. A gente entende que nada é permanente e que tudo está no momento. Não que eu não vá ser mais famoso, não é sobre isso, mas nenhum estado é para sempre. O que de fato cativa as pessoas é o que você é, não necessariamente o que você fez ou o que está fazendo no momento. Quando você trata as pessoas bem, acho que é isso que fica. Agora que as coisas meio que aceleraram em termos de imagem para mim, não é agora que vou estar acreditando num falso glamour. Acredito nos elogios. Mas procuro entender o que sou desde antes para não me preocupar com o que vá me tornar, porque sei o que sou. Daqui eu não saio. Cresci em Campo Grande, no Rio, e em Salvador, na Fazenda Grande do Retiro, ambos bairros periféricos que me acompanham até hoje e fazem parte de mim. Não tem como isso sair de mim, seria ir contra tudo o que me foi ensinado e tudo o que passei. Acharia meio démodé, careta. As pessoas têm que se apegar ao bem que fazem aos outros, e isso sim é motivo para você ter um ego. Ser uma pessoa agradável é o que faz sentido.



