Mudança de rota? Scout? Entenda por que Flamengo resolveu buscar jovens reforços sul-americanos


Após insucessos recentes no mercado, como as tentativas de contratar Thiago Almada e Luiz Henrique, o Flamengo se viu em necessidade de fazer uma mudança de rota e fechar as contratações do argentino Joaquín Freitas, de 19 anos, e do equatoriano Anthony Valencia, de 23. Os primeiros reforços desta janela fogem da linha de medalhões e de valores recordes que prevaleceu recentemente, e o elenco recebe talentos jovens e de custo mais baixo, com a possibilidade de crescerem e se valorizarem.

Dentro da atual gestão, o rubro-negro só fez a tentativa de contratar um nome com mais “perfil de scout” com Juninho, no início de 2025, mas o mesmo já é veterano e foi vendido após um ano de pouca utilização. Quando fez proposta por grandes nomes na atual janela, a tendência era que o método continuasse sendo deixado de lado pelo departamento de futebol comandado pelo diretor José Boto, mas as coisas mudaram.

Juntos, Freitas e Valencia custarão R$ 70 milhões ao Flamengo, e suas capacidades de evolução colocarão à prova a capacidade da diretoria em fazer um bom “garimpo” — assim como do treinador Leonardo Jardim de adaptá-los. Em ambos os casos, a intenção é buscar jogadores de ataque com maior mobilidade e que entreguem intensidade por mais tempo.

Valencia chega como reposição ao compatriota Gonzalo Plata, vendido para o futebol russo. Já Freitas é a nova tentativa do clube em conseguir um reserva para Pedro. Se no começo do ano, o rubro-negro fez proposta na casa dos 30 milhões de euros para tirar Kaio Jorge do Cruzeiro, já que o nome era visto como concorrente ideal para o camisa 9 por reunir as características de mobilidade e artilharia, o caminho seguido agora é quase oposto.

Diferentemente de Filipe Luís, que priorizava buscar nomes específicos, como Kaio Jorge, Jardim garante conversar com a diretoria para ir atrás de perfis.

— O que está conversado é buscar jogadores com o perfil dos que saíram. Por exemplo, volantes não precisamos mais, também temos pontas que jogam por dentro. O clube está à procura das melhores funções. O que eu indico sempre aos clubes é o perfil. No perfil, vamos ter as respostas que queremos dar em todos os jogos, para não termos jogadores iguais para as mesmas posições.

Sem esticar a corda para gastar

A pressão política nos bastidores do Flamengo e a necessidade de adequação ao orçamento aprovado pesaram para a diretoria frear investimentos na segunda janela de transferências. A decisão de não esticar a corda está diretamente relacionada à cobrança de conselheiros pela execução orçamentária.

Pelo Estatuto do Flamengo, o Conselho Diretor perde automaticamente sua autonomia para celebrar acordos, contratos, empréstimos e antecipações de receitas quando os balancetes trimestrais apontam déficit superior a 3% do faturamento previsto no orçamento aprovado, o que já aconteceu. Foi justamente esse dispositivo que entrou no radar político após a divulgação do resultado do primeiro semestre, que apresentou déficit acumulado de R$ 33,8 milhões.

A diretoria já havia indicado internamente que o segundo trimestre fecharia no vermelho. A divulgação do resultado aumentou a pressão para que o clube não ampliasse ainda mais seus compromissos financeiros na janela. Com a necessidade de vender R$ 250 milhões e receitas apertadas com a eliminação da Copa do Brasil, a diretoria segurou o dinheiro.

Depois de investir R$ 495 milhões na contratação de jogadores no primeiro semestre — incluindo R$ 315,7 milhões na operação de Lucas Paquetá — o clube passou a trabalhar com mais cautela para evitar um descolamento ainda maior do orçamento.



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