A mãe de uma criança não verbal foi acusada de esconder um gravador nas roupas de seu filho em Victoria, na Austrália. Conforme a rede de televisão australiana ABC, Skye Cooper costurou o equipamento no uniforme do menino após ele chegar em casa com o que ela acreditou ser escoriações.
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O menino de 7 anos, que tem epilepsia, autismo, atraso global no desenvolvimento e atraso grave na linguagem, estudava na escola desde fevereiro de 2025, começando a apresentar mudanças no comportamento um mês após o início do ano letivo.
Preocupações ignoradas por escola
“Ele não queria sair do carro. Começou a gritar, começou a implorar por mim”, afirma Skye: “Ele foi ficando cada vez mais perturbado emocionalmente… [e] não ficava sozinho em um cômodo com ninguém além de mim. Ele estava traumatizado“.
Segundo a mãe, foram diversas reuniões com funcionários do colégio que acabaram por ignorar as suas preocupações. Foi aí, diz ela, que uma defensora dos direitos das pessoas com deficiência recomendou que ela costurasse o gravador nas roupas do filho.
Em uma das gravações, afirma, seria possível ouvir um funcionário ameaçando seu filho: “Se você me machucar, eu vou te machucar”.
Condenação por gravar conversas sem consentimento
Skye acabou sendo acusada por conta da Lei de Dispositivos de Vigilância de 1999 de Victoria, que proíbe indivíduos de gravarem conversas privadas sem estarem presentes ou sem consentimento das partes.
No entanto, a polícia afirmou que Skye pode evitar “manchar” sua ficha criminal se aceitar se declarar culpada e pagar uma multa de aproximadamente R$ 1.100.
Mãe abriu petição
Ao mesmo tempo que lida com a acusação, Skye abriu uma petição on-line pedindo a demissão da auxiliar escolar e solicitando ao Ministro da Educação da Austrália que defenda a alteração da Lei de Dispositivos de Vigilância “para permitir que os pais garantam a segurança de seus filhos”.
“Como é possível que o Departamento de Educação não faça nada, exceto contra a mãe, quando a criança no centro desta situação sequer consegue contar verbalmente a alguém o que lhe acontece diariamente e precisa de proteção?”, diz a petição: “O auxiliar precisa ser demitido. O Ministro da Educação precisa assumir o controle desta situação e obrigar o Ministério da Educação a agir rapidamente e garantir a proteção integral das crianças vulneráveis com deficiência”.
Em entrevista à ABC, Sky disse ter recebido um pedido de desculpas do auxiliar: “Claramente usei palavras que não deveria ter usado”, teria escrito o funcionário.
“Embora não tenham sido usadas como uma ameaça ou uma declaração literal, reconheço que a linguagem utilizada foi inadequada”, conclui.
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