Luan Monteiro, do PCO, defende armar a população e fim da PM: 'O tráfico cede à pressão ou entra em guerra'

Euzinha estava com saudade deste clássico das eleições: minhas entrevistas com os candidatos ao governo do Rio. O economista Luan Monteiro (PCO) é o primeiro desta série, que vai até semana que vem. Hoje morador do Engenho Novo, ele voltou à Praça Seca, onde viveu a maior parte da vida, para defender suas opiniões, mesmo que polêmicas, do futebol à Segurança.
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A principal praça daqui é a Barão da Taquara, dono de terras e afilhado de Dom Pedro II. O que um comunista acha disso?
Faz parte da História do Brasil. A esquerda tem o hábito de atacar nossa História, e o nosso partido entende que tudo é um processo de desenvolvimento.
O PCO diz que não participa das eleições para fazer promessas. É medo de ser o “Candidato caô caô”, do Bezerra da Silva?
Não é isso. Pessoalmente, gosto muito dessa música, porque ajuda a explicar toda a farsa que existe na eleição: é um show de demagogia. A gente procura não fazer um milhão de promessas, mas usar essa plataforma para mostrar que a maior parte das conquistas do trabalhador é feita na rua.
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O PCO tem ala na Unidos do Jacarezinho…
Sim, sou o presidente da ala.
O partido defende o fim das reformas. Mas a escola foi beneficiada por uma mudança de regulamento, que cancelou o último rebaixamento. Essa reforma você defende?
(Risos) Acho que ter mais escolas desfilando é sempre interessante, mas defendemos é mais incentivo.
Daria um subsídio maior?
Dinheiro tem. A gente defende a nossa cultura: o carnaval, o futebol.
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Vocês já defenderam o Neymar. Depois dele apoiar o Bolsonaro e ir machucado para a Copa, isso continua?
Uma coisa que a gente sempre fala é “Não quero que o Neymar case com a minha filha”. Gosto dele jogando futebol, quero que traga o hexa, mas não sei se vai dar tempo. Nossos craques de 70, de 2002, ninguém ali era grande esquerdista. Se esperarmos que todos os ídolos sejam de esquerda, a gente não vai fazer mais nada.
Não vai ganhar nada?
Nada. Mas pensa também na música, no cinema. Gosto de alguns filmes de Hollywood, mas ali todo mundo é sionista. Quentin Tarantino é pró-Israel: seus filmes são sensacionais; ele, abominável politicamente.
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Botafoguense, é a favor das SAFs?
Somos totalmente contrários. Mesmo que tenha ajudado um pouquinho o Botafogo, que é um time que sofre.
Foi alvo de protestos na UFRJ pelo partido ser contra as cotas trans.
A gente é a favor do livre ingresso na universidade. A cota é um paliativo para tentar resolver um problema de acesso ao ensino superior, que é elitizado. Se é para democratizar, deveria seguir apenas o critério social. Se faz um processo desses para menos de 1% da população, não é para reparar um problema, é quase dar um privilégio para um setor muito minoritário.
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Defende o fim da PM. CV, TCP e milícia também vão acabar?
Defendemos uma reforma na Segurança Pública. O primeiro passo é acabar com a PM, que (existe) é para poder atacar e reprimir os trabalhadores. Agora, as facções existem principalmente pelo problema das drogas: defendemos a descriminalização de todas as drogas. E, com o fim do controle do estado, você instaura a segurança de bairro. Uma parte importante do processo é o direito ao armamento do povo.
Isso não vai fortalecer o domínio do crime?
Não, porque se os trabalhadores tiverem condições de se defenderem, o tráfico cede à pressão ou entra em guerra.
Uma guerra civil?
Talvez não, porque muitas pessoas do tráfico são ligadas àquela região e isso talvez não seja do interesse deles. Assim como a Venezuela tem milícias bolivarianas, defendemos que o pessoal monte a sua própria organização localmente.
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Feijão por cima ou por baixo do arroz?
Por cima.
Uma comida que odeia.
Chuchu.
Um influencer que te diverte.
Gosto muito do Mohamad Hindi, que foi do Masterchef.
Um lugar para comprar barato no estado.
Uruguaiana.
Luan Monteiro em uma frase.
Se a classe operária tudo produz, a ela tudo pertence.
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