No dia 18 de junho de 1956, o então presidente da República, Juscelino Kubitschek, assinou a Lei n° 2.800/1956, chamada “Lei Mater dos Químicos”, que regulamentou o exercício profissional do químico e permitiu a criação do Conselho Federal de Química (CFQ) e dos Conselhos Regionais de Química (CRQs) em território brasileiro. Dessa forma, o dia 18 de junho passou a ser considerado como o Dia do Químico.
A data, que neste ano chega a 70 anos da regulamentação, têm o intuito de celebrar todas as conquistas realizadas ao longo da história pelos homens e mulheres que realizaram grandes descobertas na área da química e disseminar o conhecimento por meio do compartilhamento de informações e experiências.
Em todo o mundo existe um trabalho árduo — e muitas vezes anônimo — que esses profissionais desempenham. Graças a eles, há um constante desenvolvimento técnico-científico e industrial, pois eles adequam a química à solução de problemas tecnológicos e impulsionam os centros de pesquisas químicas e universitárias em todo o globo.
No Brasil, as atividades desempenhadas no exercício da profissão de químico podem ser vistas em detalhes no Decreto nº 85877/81 e nas Resoluções Normativas do Conselho Federal de Química. São normas que regem a atuação profissional de químicos que colaboram para construir uma indústria química potente.
Atualmente, a indústria química brasileira ocupa a quarta posição em todo o globo. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), ela corresponde a 11% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial e utiliza a energia mais limpa e sustentável do mundo, com 82,9% de fontes renováveis.
Ainda conforme a Abiquim, o faturamento líquido do setor em 2024 foi de US$158,6 bilhões. Em 2025, estão sendo realizados novos R$ 759,3 milhões em investimentos, que impulsionam a inovação e a geração de empregos, movimentando a economia de maneira decisiva, fazendo parte da rotina de cada um.
Parlamento goiano
No Parlamento goiano alguns projetos de lei relacionados ao assunto tramitaram recentemente. De autoria do Governo estadual foi aprovado na Casa de Leis, o projeto de lei nº 6500/26 que destina um crédito especial para a empresa Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego).
Além deste, o deputado Antônio Gomide (PT) também apresentou o projeto de lei nº 15885/25 que instituiu o Dia Estadual do Profissional Químico, a ser celebrado, anualmente em 18 de junho, em referência à data nacional instituída pela Lei Federal que regulamentou a profissão no Brasil e criou os Conselhos de Química.
No ano passado, depois de ter a matéria sancionada, Gomide realizou uma sessão solene em homenagem ao Dia do Profissional Químico. Neste ano, também por meio de sua iniciativa, a Casa de Leis realizou nessa quarta-feira, 17, mais uma sessão solene em homenagem ao Dia do Profissional Químico, com o intuito de reconhecer a importância do trabalho desempenhado pelos profissionais da química no Estado de Goiás.
Segundo mencionou o legislador em seu requerimento, “a atuação do químico se faz presente nos mais variados setores da sociedade, tendo atribuições que perpassam pela indústria até o meio ambiente, seja no campo do ensino e da pesquisa ou na prática”.
Além das proposituras anteriores, também tramita na Casa de Leis, o projeto de lei nº 8317/26, de autoria da deputada Rosângela Rezende (Agir) que busca instituir o Programa de Incentivo às Aulas Práticas de Química nas escolas da rede pública estadual com o objetivo de estimular o pensamento científico, crítico e investigativo dos estudantes. A matéria agora aguarda encaminhamento para as respectivas comissões.
Conforme apontou a parlamentar no texto da sua justificativa, as aulas práticas com experimentos químicos podem desempenhar papel fundamental na consolidação do conhecimento científico, permitindo que os estudantes observem fenômenos, testem hipóteses e relacionem teoria e prática de maneira mais efetiva.
Profissional
Com empresa consolidada no ramo químico, o paulista André Luiz Cardoso Rodrigues de Sá concedeu entrevista à Agência Assembleia de Notícias e emprestou seus conhecimentos para auxiliar na compreensão desse universo tão vasto. Apaixonado pela área, ele percebeu que sua conexão com a química quando entendeu que por meio dela é possível analisar praticamente qualquer tipo de matéria considerando que tudo o que existe é formado por átomos e moléculas.
“Desde uma gota de água até o ar atmosférico, um alimento, um medicamento, uma rocha, um metal ou o próprio corpo humano, todos possuem composição química e propriedades que podem ser testadas e identificadas, funcionando quase como uma ‘impressão digital’ química”, disse Sá.
Com extensa formação na área, ele atualmente lidera um dos maiores laboratórios de análises químicos do país em Goiânia. A companhia atende grandes empresas instaladas em diversas regiões do país. Seus maiores clientes são concessionárias do serviço público de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, além de grandes consumidores de energia como mineradoras e indústrias.
O entrevistado conta que em 1997 abriu seu negócio, atendendo basicamente clientes restritos ao território goiano e, aos poucos, com um trabalho extremamente técnico foi ganhando espaço e novos clientes. Hoje, sua empresa conta com mais de 100 funcionários e, além de Goiás, tem unidades em São Paulo e no Rio Grande do Sul.
Ele explica que escolheu Goiás por entender que o Estado tem um grande potencial e uma localização geográfica que pode favorecer o negócio. Hoje, Goiás se destaca nessa área com uma atuação bastante relevante na área da química, principalmente devido à força do agronegócio, da mineração, da indústria farmacêutica, da produção de alimentos, do setor sucroenergético e da geração de energia.
“O Estado abriga importantes indústrias e laboratórios que utilizam processos químicos em suas atividades diárias, além de universidades e centros de pesquisa que contribuem para a formação de profissionais qualificados e para o desenvolvimento científico regional”, discorre o profissional.
Rodrigues de Sá lembra que Goiás também abriga, na região de Anápolis, um dos principais polos farmacêuticos do Brasil, o segundo maior do país. O Estado é responsável por produzir cerca de 60% dos medicamentos mais vendidos em território nacional e grande parte dos genéricos da América Latina. O complexo reúne mais de 20 grandes laboratórios e centenas de empresas, gerando mais de 10 mil empregos diretos.
“Goiás também tem forte presença na produção de etanol e biodiesel e o potencial de expansão de novas tecnologias ligadas à transição energética, incluindo o hidrogênio verde, além de apresentar crescimento importante na mineração e na industrialização mineral, áreas que demandam forte atuação da química em análises laboratoriais, processos industriais e monitoramento ambiental”, ressalta.
Conforme Sá, essa é uma área que segue avançando no Brasil graças ao setor químico bastante relevante e desenvolvido em diversas áreas, especialmente na indústria petroquímica, agronegócio, biocombustíveis, mineração, energia, alimentos, cosméticos e análises laboratoriais. O país ocupa posição de destaque mundial, como no setor de biocombustíveis, especialmente etanol e biodiesel, além do agronegócio, mineração, petróleo e monitoramento industrial.
Avanços
O profissional explica que nos últimos anos, a química avançou de forma significativa, sendo impulsionada pela evolução tecnológica, pela automação e pela integração com áreas como a biotecnologia, a inteligência artificial e a ciência dos materiais. Ele diz que um dos principais avanços ocorreu na área de análises químicas, com equipamentos cada vez mais precisos, rápidos e sensíveis.
Ele afirma que hoje é possível identificar substâncias em concentrações extremamente baixas, permitindo aplicações mais seguras em áreas como medicina, alimentos, meio ambiente, energia e indústria.
Sá acrescenta que outro destaque importante na área química é o desenvolvimento de novos materiais, como polímeros avançados, nanomateriais, materiais biodegradáveis e compostos de alta performance utilizados em eletrônica, construção civil, energia e medicina. Ao longo do tempo, diz ele, a química também teve papel fundamental na evolução da indústria farmacêutica e biotecnológica, contribuindo para o desenvolvimento de medicamentos mais modernos, vacinas, terapias específicas e métodos diagnósticos mais eficientes.
Já na área ambiental, o profissional destaca que surgiram novas tecnologias voltadas à sustentabilidade, incluindo tratamento de água e efluentes, reciclagem química, reaproveitamento de resíduos, redução de emissões e desenvolvimento de combustíveis e processos menos poluentes.
“Recentemente, o que se percebe é que a sociedade vem assistindo a integração da química com inteligência artificial e a modelagem computacional vem acelerando pesquisas e permitindo prever comportamentos químicos para desenvolver novos materiais e otimizar processos industriais de forma mais rápida e eficiente, levando a química a colaborar ainda mais com o progresso em todos os setores”, diz Rodrigues de Sá.
Conforme disse ele, a química é uma área que conversa com todas as outras áreas do conhecimento. Na medicina, contribui para o desenvolvimento de medicamentos e exames diagnósticos. Na engenharia, participa da criação de materiais e processos industriais. Na agricultura, está presente em fertilizantes, defensivos e análise de solos. Na biologia, ajuda a compreender os processos da vida. Na área ambiental, auxilia no controle da poluição e na sustentabilidade.
Sá destaca ainda que muitas das maiores inovações tecnológicas surgem justamente da integração entre química, física, biologia, computação e engenharia, tornando a química uma ciência central para o avanço científico e tecnológico. A química tem potencial para causar grandes evoluções impulsionada pela tecnologia, pela automação e pela integração com áreas como biotecnologia, inteligência artificial e ciência dos materiais.
“A integração da química com inteligência artificial e modelagem computacional vem acelerando pesquisas e permitindo prever comportamentos químicos, desenvolver novos materiais e otimizar processos industriais de forma mais rápida e eficiente, impulsionando o desenvolvimento humano, tecnológico e econômico”, avalia o químico.
Grandes nomes
Ao longo da história foi percorrido um longo caminho da ciência e da evolução humana graças a algumas mentes brilhantes que contribuíram muito para o desenvolvimento da química. Alguns foram cruciais com suas invenções e descobertas na sua época, como Robert Boyle, Antoine Lavoisier, John Dalton, Amedeo Avogadro, Joseph Louis Gay-Lussac, Humphry Davy, Jacob Berzelius, Michael Faraday, Dmitri Mendeleev, Henri Becquerel, Pierre Curie, Marie Curie, Gilbert Lewis, Linus Pauling.
Essas mentes brilhantes deixaram o legado dos maiores cientistas, filósofos e comunicadores científicos de todos os tempos. O mundo hoje habita na morada do avanço científico em diferentes setores da ciência por causa dessas personalidades, como pode ser constatado em diversos portais na internet.
Robert Boyle deu o pontapé inicial e imprimir uma orientação metodológica baseada na precisão das medidas e na racionalidade das deduções experimentais levando a esse campo de estudos, antes chamado de alquimia, a ser denominado de química.
Antoine Lavoisier foi responsável por muitos feitos já que era extremamente prolífico descobrindo diversos elementos que ajudaram a continuar a transformação da química de uma ciência qualitativa em uma ciência quantitativa. É considerado o “pai da química moderna”.
John Dalton foi um dos primeiros cientistas a defender que a matéria é feita de pequenas partículas, os átomos. Ele concluiu que toda a matéria, não apenas gases, deve consistir de diminutas partículas e reviveu, assim, a antiga teoria atômica. Seu trabalho é a base sobre a qual a química moderna foi construída.
Amedeo Avogadro impulsionou a Física e a Química a patamares mais elevados, dando início a uma nova era da física de partículas reunindo átomos e moléculas em suas pesquisas. Suas contribuições consolidaram seu lugar como um dos fundadores da Teoria Molecular.
Joseph Louis Gay-Lussac tinha uma curiosidade insaciável, sendo esta uma característica que o predispôs a se tornar um dos maiores experimentadores do século XIX. Suas análises o levaram a descobrir que, quando os gases reagem a temperatura e pressão constantes, eles se combinam em volumes que estão em proporções simples; e ao volume do produto (se gasoso).
Humphry Davy descobriu o poder da eletricidade de reagir com substâncias químicas e transformá-las. Na virada do século XIX, a eletricidade estava em alta e ele se dedicou a fazer baterias e a se conectar a qualquer coisa, só para ver a reação. A eletroquímica levou ao surgimento da indústria do alumínio e à produção de painéis solares, semicondutores, mostradores digitais e até baterias de lítio recarregáveis.
Jacob Berzelius foi um dos fundadores da química moderna. Ele foi a primeira pessoa a medir pesos atômicos precisos para os elementos, o que ajudou a confirmar a Teoria Atômica de Dalton e se tornou a base da tabela periódica de Mendeleev. Dentre outras contribuições, ele também ajudou a tornar a química sistemática.
Michael Faraday foi principalmente um experimentalista, tido como o “melhor na história da ciência” nessa área, mesmo não conhecendo matemática avançada, como cálculo infinitesimal. Suas grandes contribuições para a ciência tiveram grande impacto sobre o entendimento do mundo natural. Um dos seus maiores feitos foi sem dúvida fundar a eletroquímica em conjunto com seu mentor Humphry Davy, descobrindo as leis da eletrólise (que levam o seu nome).
Dmitri Mendeleev era apaixonado por química. Seu desejo mais profundo era encontrar uma maneira melhor de organizar essa área da ciência. O desejo de Mendeleev o levou à descoberta da lei periódica e à criação da tabela periódica, um dos símbolos mais icônicos da ciência que quase todos o reconhecem instantaneamente. Os impactos dos trabalhos dele em Química e Física foram enormes. Mendeleev também fez contribuições importantes (mas menos conhecidas) para os campos da geologia, meteorologia e hidrodinâmica.
Henri Becquerel conduziu uma série de experimentos para verificar quais minerais conseguem emitir radiação. A partir de seus experimentos, Becquerel conseguiu provar de forma conclusiva a descoberta da fonte dos misteriosos raios radioativos que todos os cientistas procuravam: o urânio.
Depois de Becquerel, a pesquisa sobre a radioatividade foi levada adiante por Marie Curie e seu marido Pierre Curie. Com as descobertas de Becquerel, Pierre e Marie Curie, o mundo ganhou a radioatividade que nos deu os diagnósticos por imagem, um tratamento para os tumores, um método de calcular a idade da Terra e uma fonte de energia para que as espaçonaves pudessem explorar o Sistema Solar.
Avançando mais, Gilbert Lewis foi um químico norte-americano que explicou que os elétrons e as ligações químicas dos átomos não estavam no núcleo e que os elétrons orbitam em camadas ao redor do núcleo. A descoberta da ligação covalente por Lewis permitiu que os cientistas começassem a fazer milhões de compostos químicos, que moldaram a face da vida moderna. Lewis também contribuiu com sucesso para termodinâmica química, fotoquímica e separação isotópica.
Linus Pauling, Nobel de Química, sempre foi aclamado como um dos cientistas mais importantes que já existiram. Ele essencialmente inventou, sozinho, o que agora conhecemos como biologia molecular, o estudo de coisas como proteínas e ácidos no corpo. Ele foi pioneiro na aplicação da Mecânica Quântica em química e, em 1954, foi premiado com o Nobel de Química pelo seu trabalho relativo à natureza das ligações químicas.



