Juíza declara suspeição em processo de intervenção e nomeia dois administratores provisórios da SAF do Vasco


A juíza Caroline Rossy, que afastou Pedrinho da administração da SAF do Vasco na semana passada, declarou suspeição no caso, na noite desta quinta (2). Além disso, ela nomeou, provisoriamente, dois novos administradores: Adriana Campos Conrado Zamponi e Alexandre Cordeiro Macedo. A primeira interventora, Samantha Longo, renunciou alegando motivos de segurança.

Em decisão assinada às 21h21 desta quinta (2), a juíza Caroline Rossy explicou que soube de fatos novos, às 20h14, logo após receber os advogados do Vasco, que impedem sua continuidade no processo. Por isso, ela declarou suspeição.

Em seguida, na decisão, “considerando a necessidade de assegurar a continuidade da administração provisória”, a juíza nomeou Adriana Campos Conrado Zamponi, “administradora judicial”, e Alexandre Cordeiro, que já era conselheiro da SAF. Eles vão exercer as “atribuições inerentes à intervenção judicial, até ulterior deliberação do Juízo que assumir a condução do feito”.

Cordeiro era o único conselheiro que não tinha sido afastado na decisão judicial anterior. Além disso, foi indicado no relatório realizado por Samantha antes de sua renúncia.

No último dia 23, a juíza Caroline Rossy determinou o afastamento provisório de Pedrinho e outros dois membros — Christiano Stockler Campos e Felipe Elias — do Conselho de Administração da SAF do Vasco, além de ter nomeado Samantha Longo como interventora judicial pelo prazo de 60 dias.

Pedido de reconsideração

Agora, o Vasco pede a reconsideração da decisão, e se apoia no argumento de que o relatório apresentado por Samantha não apontou irregularidades graves, mas sim falhas em relação à transparência e troca de informações, como atas de reuniões não assinadas.

Nesta quinta, a juíza recebeu, em seu gabinete, os novos advogados do Vasco, Walter Wigderowitz e Gustavo Faria Cortines. Os escritórios que participaram da homologação do plano de Recuperação Judicial do clube se retiraram do caso nesta quarta (1).

Na reunião, os advogados reforçaram fundamentos descritos na petição para a reconsideração da decisão da juíza. Como resposta, ela disse que, antes de apreciar os argumentos, demandaria a manifestação do Ministério Público, da Administração Judicial Conjunta e da Requerente, a 777.

Protesto na porta de São Januário, neste domingo (28), contra decisão que afastou Pedrinho da SAF — Foto: Reprodução / Mídia Vascaína

Mas, “após finalizar o atendimento presencial aos advogados”, escreveu a juíza na decisão, “sobrevieram ao conhecimento desta Magistrada fatos supervenientes, que já foram devidamente comunicados às Instâncias/Órgãos Funcionais Superiores deste Tribunal de Justiça”. Por esse motivo, e sem esclarecer quais seriam os fatos, ela pediu suspeição, determinando o envio do processo ao Juízo Tabelar (6ª Vara Empresarial).

Agora, o pedido de reconsideração da decisão será analisado pela juíza Simone Gastesi Chevrand, da 6ª Vara Empresarial do RJ.

Na última terça-feira, Pedrinho foi retirado do Conselho da SAF do Vasco por decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A juíza Caroline Fonseca atendeu ao pedido formulado pela 777 Carioca e alegou falhas na governança e transparência da SAF vascaína. Além do presidente do clube, os conselheiros Christiano Stockler Campos e Felipe Elias também foram afastados do Conselho de Administração da SAF.

A decisão judicial não impede a venda da SAF, mas diz que ela precisa ser alinhada com a 777 Carioca. Há dois anos, a 777 foi retirada da SAF do Vasco, também por decisão judicial, em meio ao seu processo de falência. Desde então, a seguradora A-Cap assumiu os ativos da empresa, e seria com ela a negociação pela revenda da SAF. Por isso, o ressurgimento da 777 no processo chamou a atenção.

No início do despacho, a juíza oficializou o pedido de Samantha Longo, de renunciar do caso. Ela informou que, “em razão de circunstâncias supervenientes relacionadas à sua segurança pessoal”, não haveria mais condições mínimas necessárias para continuar no cargo.

Antes, Samantha entregou um relatório em que identificou “falhas de governança e excesso de informalidade nos registros das reuniões do Conselho de Administração”. Ela defendeu a abertura imediata de uma mediação envolvendo o Vasco, a 777 e os interessados na compra da SAF, para buscar uma solução definitiva e viabilizar a venda da empresa prevista na Recuperação Judicial.

No seu despacho, a juíza Caroline afirmou que Samantha “desenvolveu trabalho verdadeiramente hercúleo, promovendo reuniões com os diversos agentes envolvidos, examinando extensa documentação eapresentando relatório técnico preliminar que já reúne relevantes elementos acerca da atual situação de crise de governança existente”. Por considerar legítimos os argumentos de Samantha, a juíza acolheu seu pedido de renúncia.

Entrevista de Marcos Lamachia

Nesta quarta, o empresário Marcos Lamachia, que tem negociações avançadas para comprar a SAF do Vasco, falou pela primeira vez sobre o assunto publicamente, em entrevista ao Blog do Diogo Dantas. Ele rebateu as acusações de ex-aliados políticos sobre falta de transparência na atual administração e a decisão da Justiça que afastou Pedrinho do cargo.

“O que mais espanta é que em menos de 24 horas após a decisão judicial que afastou o Pedrinho, o Silvio Almeida (ex-vice de finanças) procurou minha equipe para mudar os termos do acordo. Silvio é sócio do Carregal (ex-vice jurídico) e do Marco Schroeder, presidente do Conselho Fiscal da SAF, o mesmo que elaborou o parecer que preparou o caminho da ação que afastou o Pedrinho”, afirmou.



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