A primeira ocorrência da Força Municipal foi registrada em 18 de março, na região central da cidade, três dias após o início da operação da divisão de elite da Guarda Municipal carioca. Os agentes estavam na pista lateral da Avenida Presidente Vargas, diante da estação de metrô da Cidade Nova, quando receberam o sinal de um motorista da linha 329 (Candelária—Bancários) que parara no local. Quatro suspeitos, dois deles menores de idade, haviam forçado a porta de trás do veículo e estavam em “atitude suspeita”. Todos foram abordados e levados para a delegacia da região. Uma réplica de arma de fogo, encontrada com um deles, foi apreendida.
Desde então, outros 115 registros foram feitos por integrantes da Força, que se espalhou por outros pontos do Rio e chega hoje ao seu primeiro mês de atuação nas ruas sem ter feito qualquer disparo de arma de fogo.
— O uso das armas não é nossa primeira opção. Orientamos em caso de necessidade, quando o agente ou o cidadão está em risco. Antes, temos o spray de pimenta e o taser (pistola de choque), que também ainda não foi utilizado. Isso deixa claro que nossas regras estão sendo seguidas com rigor pelos agentes — enfatiza Brenno Carnevale, secretário de Segurança Urbana do Rio.
Região central em foco
Ao todo, no período, foram realizadas 807 abordagens, 215 conduções a delegacias e 116 registros de ocorrência desde 15 de março. O perímetro que envolve Presidente Vargas, Central do Brasil, Campo de Santana e Cinelândia concentrou as ações, com maior incidência entre 17h e 22h. Esse mapeamento de local e horário define as manchas criminais e, portanto, o trabalho dos agentes. Já foram contabilizados 22 pontos de atenção na cidade.
Um deles é o eixo Calçadão—Estação de trem de Campo Grande, na Zona Oeste, que recebeu a divisão de elite no último domingo. O próximo bairro será a Tijuca, na Zona Norte, onde os guardas municipais, identificados pelas boinas amarelas, atuarão na Praça Afonso Pena e na Rua São Francisco Xavier a partir do dia 26. Em coletiva, ontem, Brenno Carnevale destacou que o trabalho dos agentes é avaliado em reuniões semanais, o que permite ajustes em relação às demandas de cada região.
— A gente faz toda semana a reunião do CompStat Rio (sistema baseado em dados de segurança), para avaliar o balanço das últimas ocorrências. Os encontros são abertos, com participação do prefeito e de autoridades de segurança pública — afirma Carnevale.
Além do Centro, os guardas municipais também atuam no eixo Rodoviária do Rio–Terminal Gentileza– Estação Leopoldina, primeiro a recebê-los, e no entorno do Jardim de Alah, na Zona Sul.
Presença já é suficiente
Outras quatro abordagens aconteceram em março na mesma pista lateral da Avenida Presidente Vargas onde os agentes fizeram a primeira ocorrência. No dia 26, três homens foram interpelados: um deles tentou fugir e desacatou os agentes. Acabou contido e levado para a delegacia. Dois dias depois, uma motocicleta roubada foi localizada abandonada na avenida, sendo recuperada e devolvida à vítima. Já no dia 29, um adolescente com mandado de busca e apreensão em aberto foi localizado após tentativa de fuga. No quarto episódio, de 30 de março, dois homens “em atitude suspeita” foram parados e, com um deles, havia um celular com o número de IMEI indicando furto ou roubo.
Um frequentador da região, que prefere não se identificar, conta que presenciou as ocorrências. Ele passa pelo ponto de ônibus diariamente e se diz atento às ações, tanto de criminosos quanto da polícia e, agora, da Força Municipal.
— Posso dizer que a presença dos guardas municipais melhorou em 70% os crimes aqui. Não precisava de muito, só a presença já ajuda. A gente até vê policiais militares atuando, mas eles nunca ficam aqui pelo ponto de ônibus. Geralmente, ficam mais afastados, dentro de viaturas na avenida. Os guardas, não. Ficam a pé perto da gente, trabalhando, pelo o que disseram, das 10h às 22h — relata.
No entorno do Campo de Santana, um comerciante também compartilha essa sensação de segurança.
— Os crimes aqui já tinham caído, mas a presença dos guardas tem ajudado ainda mais. Vejo eles sempre aqui, a pé ou de motocicleta. Rondam o entorno do parque em momentos diferentes. Está bem tranquilo até nos fins de semana.
Já na Central do Brasil, vendedores dizem ainda não ter observado melhora. Na pista lateral sentido Rodoviária do Rio, onde há lanchonetes e presença de camelôs, contam que em determinados horários não há qualquer agente de segurança.
— Depois das 19h, você já não vê policiais ou guardas por aqui. Eu fecho a loja por volta das 21h e não vejo ninguém. A gente continua presenciando roubos, furtos, pessoas em situação de rua fazendo consumo pesado de drogas, brigando, fora todas as pessoas que fazem o terminal de banheiro. Tem de tudo na Central do Brasil, de tudo mesmo. A gente precisa de ostensividade 24h — reclama uma comerciante.
Na Cinelândia, onde a presença dos guardas é observada mais durante a noite, comerciantes destacam que a segurança havia melhorado antes da chegada da Força Municipal.
— Estar aqui entre dezembro e janeiro era um inferno. E não digo nem pela presença das pessoas em situação de rua, mas sim em relação aos furtos e roubos. Era muito, todo dia. Vi até gringo apanhar de cinco menores. Dava 18h e a Cinelândia era um deserto total, afetava muito as nossas vendas. Mas, garanto, melhorou pela atuação da PM. Quando os guardas chegaram, já estava bem melhor.
Atualmente, 600 agentes compõem a Força Municipal, e um processo seletivo em andamento abriu igual número de vagas.
O EXTRA entrou em contato com a Secretaria de Estado de Segurança Pública para saber se a integração com a divisão de elite da GM tem sido benéfica, mas não teve resposta. Na coletiva de ontem, Carnevale elogiou o apoio que tem recebido da 4ª DP (Presidente Vargas) e do 5º BPM (Praça da Harmonia).
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