O goleiro Gavin Bazunu, da Irlanda, anunciou que não irá participar dos jogos contra a Israel, pela fase de grupos da Liga das Nações. O jogador comunicou sua decisão através de uma nota publicada em sua conta pessoal no Instagram. Ele destacou o respeito que tem pelos companheiros de seleção, comissão técnica e pela torcida, mas afirmou que possui uma “convicação pessoal de que matar pessoas inocentes é errado”.
Bazunu se refere ao seu posicionamento político. Ele é crítico à atuação do governo israelense no conflito com a Palestina.
“São poucas as vezes na vida em que temos a oportunidade de nos posicionar por algo maior, e acredito firmemente que esta é uma delas”, publicou.
O próprio jogo entre Irlanda e Israel correu o risco de não ocorrer. Neste sábado, o elenco irlandês chegou a votar a possibilidade de um boicote tanto à partida deste domingo quanto ao segundo duelo com os israelenses, no returno do grupo G.
Diretor executivo da Associação Irlandesa de Futebol (FAI), David Courell confirmou que um jogador do elenco manifestou desconforto quanto ao jogo, o que levou a uma votação interna na delegação. A maioria optou por disputar as partidas, mas haverá gesto simbólicos de protesto. O principal deles será o uso de uma braçadeira preta.
A indefinição sobre a partida levou ao adiamento do jogo e da entrevista coletiva da equipe, que acabou tendo a presença de Courell, cinco horas depois do horário inicial. Ele confirmou que um dos jogadores manifestou a intenção de se retirar do elenco. A imprensa inglesa já havia informado que se tratava de Bazunu.
Os jogadores e a federação têm sido pressionados por um forte movimento do país que pede que os jogos não aconteçam, o Irish Sport for Palestine (Esporte Irlandês pela Palestina). A até o técnico da equipe, Heimir Hallgrimsson, admitiu publicamente o desconforto em entrar em campo neste domingo.
Confira, abaixo, o comunicado de Gavin Bazunu na íntegra:
“Representar meu país significa tudo para mim. Tenho o máximo respeito por cada um dos meus companheiros de equipe, pelo treinador, por sua comissão técnica e pelo povo irlandês.
No entanto, tomei uma decisão que não foi fácil. Sou um homem de fé e procuro, da melhor maneira possível, ser uma pessoa de caráter e princípios. Por isso, sinto que seria errado participar dos próximos jogos contra Israel.
Minha decisão é baseada exclusivamente na minha convicção pessoal de que matar pessoas inocentes é errado.
É importante destacar que minha posição não é contra o povo israelense ou a comunidade judaica, mas contra as atrocidades cometidas na região.
São poucas as vezes na vida em que temos a oportunidade de nos posicionar por algo maior, e acredito firmemente que esta é uma delas“.



