O deputado Amilton Filho (MDB) foi sepultado no início da noite deste sábado, 26, por volta das 18 horas, no Cemitério São Miguel, em Anápolis. Antes, familiares, amigos, moradores e autoridades participaram do velório aberto ao público no Ginásio Internacional Newton de Faria. O parlamentar, que exercia o segundo mandato na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e disputava a reeleição, morreu aos 41 anos em um acidente de trânsito na BR-050, nas proximidades do aeroporto de Cristalina, na madrugada deste sábado.
O corpo chegou ao ginásio às 15h03, escoltado por uma viatura do Corpo de Bombeiros. Alunos de quatro colégios militares de Anápolis participaram da recepção, marcada por aplausos e comoção. O prefeito Márcio Corrêa (PL), o pai do deputado, Amilton Batista de Faria, amigos e outras autoridades carregaram o caixão até o local do velório.
Estiveram presentes o governador Daniel Vilela (MDB); o ex-governador Ronaldo Caiado (UB) e sua esposa, Gracinha Caiado; o presidente da Alego, deputado Bruno Peixoto (UB); o prefeito Márcio Corrêa; e os deputados estaduais Antônio Gomide (PT), Bia de Lima (PT), Charles Bento (MDB), Coronel Adailton (SD), Issy Quinan (MDB), Lincoln Tejota (UB), Lucas Calil (PRD), Talles Barreto (UB), Virmondes Cruvinel (UB), Wagner Camargo Neto (SD) e Vivian Naves (Republicanos). Também compareceram deputados federais, prefeitos, vereadores, ex-parlamentares e outras lideranças goianas, entre elas o conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios Humberto Aidar.
Irmã de Amilton e presidente da Câmara Municipal de Anápolis, a vereadora Andréa Rezende agradeceu as homenagens, pediu orações e conduziu um Pai Nosso antes do cortejo para o sepultamento.
Despedida dos colegas
Abatido, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Bruno Peixoto, contou que havia falado com Amilton pouco antes de receber a notícia. “Quando tive a notícia, não acreditei, porque tinha acabado de falar com ele. Conversávamos todos os dias. Amilton Filho era um irmão para mim”, afirmou. Bruno decretou luto oficial de cinco dias no Poder Legislativo e cancelou seus compromissos políticos deste sábado. Em manifestação nas redes sociais, expressou pesar pela perda e desejou conforto aos familiares e amigos.
O deputado Antônio Gomide recordou a convivência política com Amilton em Anápolis e na Assembleia, mesmo quando ocupavam posições partidárias diferentes. “Nós sempre tivemos respeito, sempre dialogamos, sempre lutamos pela cidade juntos”, disse. Segundo Gomide, a morte deixa “um vazio muito grande” na representação política de Anápolis. À família, ele dirigiu uma mensagem sobre a memória do parlamentar: “A dor é imensa, o vazio é muito grande, mas o legado e a lembrança são mais fortes”.
Para a deputada Vivian Naves, a morte representa “uma perda muito grande” para Anápolis e para Goiás. Ela destacou as contribuições do colega ao município e desejou conforto aos amigos e familiares.
O deputado Coronel Adailton descreveu Amilton como uma jovem liderança com trajetória promissora. Ele relatou ter procurado a irmã do parlamentar, Andréa Rezende, para prestar solidariedade à família. “É uma grande perda para o Parlamento goiano, para o futuro de Anápolis e para o futuro do nosso Estado”, afirmou.
Ronaldo Caiado lembrou os dois mandatos em que conviveu com Amilton, ele como governador e o parlamentar na Alego. Segundo o ex-governador, o deputado buscava o diálogo e o entendimento, inclusive na condução de matérias na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ). “É uma perda não só política de Anápolis, mas também de uma nova liderança para a política Goiás”, declarou.
Acidente
A informação inicial divulgada apontava que o veículo em que o deputado viajava havia colidido com uma carreta estacionada. Essa descrição ainda precisa de confirmação oficial. Em entrevista ao Portal Centro Norte, o motorista Alessandro José Costa e o jornalista e videomaker Glauber Érick, que acompanhavam Amilton, relataram uma dinâmica diferente onde, segundo eles, a caminhonete atingiu a lateral esquerda de um caminhão que seguia lentamente à frente e capotou após o impacto.
Os dois disseram que permaneceram conscientes e foram encaminhados a um hospital de Cristalina. As circunstâncias do acidente, incluindo a posição e a movimentação do caminhão, dependem da apuração e dos laudos das autoridades responsáveis.
Ainda segundo o relato dos dois integrantes sobreviventes do veículo, que passam bem, o grupo seguia para Cristalina após uma agenda em Anápolis. A previsão era passar a noite no município antes de uma carreata programada para este sábado.
Trajetória
Natural de Anápolis, Amilton Filho formou-se em Direito pela UniEvangélica. Participou do movimento estudantil, presidiu o diretório acadêmico do curso e foi servidor público estadual entre 2007 e 2017. Era casado com Ana Caroline Guimarães e deixa dois filhos, Samuel e Laura.
Na política, exerceu dois mandatos de vereador em Anápolis. Eleito pela primeira vez em 2012, com 2.965 votos, presidiu a Câmara Municipal no biênio 2017–2018. Nesse período, esteve à frente de iniciativas como o “Câmara nos Bairros” e o “Parlamento Jovem” e coordenou a realização do segundo concurso público da história do Legislativo municipal.
Em 2018, conquistou o primeiro mandato de deputado estadual, com 16.486 votos. Foi reeleito em 2022 pelo MDB, com 46.556 votos. Sua atuação na Assembleia tinha entre os focos a relação com os municípios, a educação, a saúde e a geração de emprego e renda.
Na Alego, presidiu a Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor e, nos últimos dois anos, a CCJ. Também integrava as comissões de Defesa dos Direitos do Consumidor, como vice-presidente, de Educação e de Organização dos Municípios. Em 2026, disputava o terceiro mandato consecutivo.
A morte do parlamentar também exigirá providências para a ocupação da vaga na atual legislatura. O ex-deputado estadual Thiago Albernaz (MDB), atual diretor Legislativo da Alego, é apontado como possível sucessor. A sua convocação deve ser confirmada oficialmente pela Assembleia.
Durante o velório, o pai de Amilton pediu que apoiadores mantivessem adesivos e outras peças de campanha até a eleição de 4 de outubro, como forma de homenagem. A manifestação da família não equivale à substituição ou à continuidade jurídica da candidatura, questões que dependem dos procedimentos do partido e da Justiça Eleitoral.



