Especialistas alertam para necessidade urgente de contenção de gastos em 2026 e reformas estruturais a partir de 2027. Crise é agravada pelo rombo no BRB.
O Distrito Federal enfrenta um cenário fiscal delicado, com projeção de déficit que pode chegar a R$ 4 bilhões até o fim de 2026. Para especialistas ouvidos pelo g1, o quadro exige medidas imediatas de contenção de despesas ainda neste ano e reformas estruturais no médio prazo para evitar agravamento da crise.
O professor de economia do Ibmec Brasília, Renan Silva, defende que a prioridade deve ser o cumprimento rigoroso das medidas já anunciadas pelo governo, como o decreto que determina renegociação de contratos com redução de até 25% nas despesas. Ele também destaca a necessidade de controle mensal do orçamento, com liberação limitada a 1/12 por mês em cada órgão.
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O economista César Bergo aponta três frentes principais para o ajuste ainda em 2026: corte de despesas administrativas, revisão de contratos e terceirizações, e renegociação de valores para suspender ou adiar gastos não essenciais. Segundo ele, há margem para economia, mas o esforço precisa ser feito imediatamente.
Para o médio prazo, a partir de 2027, os especialistas avaliam que o DF precisará de reformas estruturais mais profundas. Renan Silva menciona a consolidação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) com foco em eficiência de gasto e maior participação popular. Ele ressalta que 64,6% do orçamento de R$ 74,4 bilhões para 2026 já está comprometido com pessoal, o que limita drasticamente o espaço para investimentos.
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O estudo do ObservaDF, ligado à UnB, mostra que a fragilidade fiscal do DF remonta a 2015 e foi agravada ao longo dos anos, especialmente pela crise do BRB, que pode gerar impacto bilionário. O DF opera com baixa disponibilidade de caixa e poupança corrente próxima de zero, o que aumenta o risco de atrasos em pagamentos e até de insolvência.
Especialistas concluem que, sem mudanças mais profundas na rigidez das despesas obrigatórias, a pressão fiscal tende a se transferir para os próximos governos, independentemente de quem vença as eleições de 2026.
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