Estomatite: o que é essa inflamação que provoca feridas dolorosas na boca?

Pelo nome, muita gente imagina que a estomatite tenha alguma relação com o estômago. Só que, na realidade, se trata de uma inflamação da mucosa da boca que pode atingir regiões como língua, gengivas, parte interna das bochechas, céu da boca e lábios.
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Além de dolorosa, ela pode dificultar tarefas simples do dia a dia, como comer, beber e até falar.
Segundo a otorrinolaringologista Dra. Cleonice Hirata, do Hospital Paulista, o termo não se refere a uma doença específica, mas sim a um processo inflamatório que pode ter diferentes origens: “A estomatite pode ser causada por infecções virais, fúngicas e, mais raramente, bacterianas, além de traumas provocados por mordidas, aparelhos ortodônticos ou próteses mal adaptadas, assim como alergias, doenças autoimunes, tumores, deficiências nutricionais e até reações a determinados medicamentos”, explica.
Nem toda ferida na boca é estomatite
Um dos equívocos mais frequentes é considerar qualquer ferida na boca como estomatite — ou acreditar que toda estomatite seja apenas uma afta.
Enquanto a afta costuma surgir como uma pequena úlcera isolada, arredondada e bem delimitada, a estomatite geralmente envolve uma inflamação mais extensa da mucosa, podendo causar múltiplas lesões, vermelhidão, inchaço, ardência e dor intensa.
Em alguns casos, especialmente quando a origem é viral, também podem surgir febre e aumento dos gânglios do pescoço. Outro ponto de atenção são as lesões persistentes: feridas que não cicatrizam em até duas semanas, apresentam endurecimento, sangram com facilidade ou sofrem alterações de cor precisam ser avaliadas por um especialista para descartar outras doenças, incluindo lesões pré-cancerosas ou câncer de boca.
Afinal, o inverno aumenta os casos?
Embora muitas pessoas percebam um aumento das feridas na boca durante os meses mais frios, o inverno, por si só, não provoca estomatite diretamente.
O que acontece é que essa época do ano reúne diversos fatores que favorecem o aparecimento — ou agravamento — da condição. Entre eles estão a maior circulação de vírus respiratórios, o hábito de permanecer por mais tempo em ambientes fechados, o ressecamento da mucosa provocado pelo clima seco e pela menor ingestão de água, além da queda temporária da imunidade associada a infecções, estresse, noites mal dormidas e alimentação inadequada.
“Não existe uma relação direta entre o frio e a estomatite”, diz Hirata: “O inverno cria um cenário que favorece alguns tipos da doença, principalmente aqueles relacionados a infecções virais e ao ressecamento da mucosa”.
Quem merece atenção especial?
A estomatite pode acometer pessoas de qualquer idade, mas alguns grupos apresentam maior predisposição, principalmente crianças — devido à maior exposição a vírus em creches e escolas — idosos — especialmente aqueles que utilizam próteses dentárias ou apresentam boca seca — e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, câncer, HIV ou outras condições que comprometem o sistema imunológico.
Pacientes em tratamento com medicamentos imunossupressores, quimioterapia ou radioterapia também apresentam maior risco de desenvolver o problema.
Como prevenir?
Embora nem todos os casos possam ser evitados, alguns hábitos ajudam a reduzir o risco de desenvolver estomatite. Entre as principais recomendações estão
Manter uma boa higiene bucal, escovando corretamente os dentes e utilizando fio dental diariamente;
Ingerir água regularmente para evitar o ressecamento da mucosa;
Manter uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas e minerais;
Corrigir próteses ou aparelhos que estejam causando atrito;
Evitar alimentos que provoquem irritação quando houver sensibilidade;
Não compartilhar objetos de uso pessoal quando houver suspeita de infecções virais.
O acompanhamento periódico com médico e dentista também contribui para identificar precocemente alterações na cavidade oral.
Quando procurar um especialista?
Na maioria das vezes, pequenas lesões desaparecem espontaneamente em poucos dias. No entanto, alguns sinais indicam que a avaliação médica não deve ser adiada.
É importante procurar atendimento quando as feridas persistirem por mais de 14 dias sem apresentar cicatrização, forem muito grandes, numerosas ou extremamente dolorosas, surgirem repetidamente sem causa aparente ou estiverem associadas à febre alta, dificuldade para engolir ou sinais de desidratação.
“Nessas situações, a avaliação profissional é fundamental para identificar a causa da estomatite, indicar o tratamento mais adequado e descartar outras doenças que podem exigir acompanhamento específico”, conclui a Dra. Cleonice Hirata.



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