'Desde 3h50 e nada': passageiros relatam dificuldades para chegar ao trabalho em dia com greve de ônibus no Rio

Passageiros enfrentam dificuldades para chegar ao trabalho nas primeiras horas desta segunda-feira, primeiro dia da greve dos motoristas de ônibus do Rio de Janeiro. Nas redes sociais, usuários relataram falta de coletivos e de veículos do BRT, além de pontos lotados, embora o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) tenha determinado a circulação de pelo menos 50% da frota de cada linha.
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A paralisação começou às 0h, após decisão da categoria tomada na noite de domingo, e afeta as linhas municipais de ônibus e o sistema BRT. Os trabalhadores reivindicam piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e de R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados, além de aumento no vale-alimentação e adoção da jornada de trabalho na escala 5×2.
Por volta das 5h, um pssageiro publicou nas redes sociais:
“Nenhum um ônibus rodando. Até o @BRTMobiRio que disseram que estaria rodando 50% da frota, até agora só passou dois carros de Madureira carro 35 para Alvorada desde as 04:00 na Estação Praça Seca. Só o Caxias intermunicipal rodando”.
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Outra usuária escreveu: “Os pontos cheíssimos e aderiram a greve mesmo”.
Uma terceira passageira afirmou que não conseguiu seguir para o trabalho: “Eu me arrumei toda, sai de casa e mesmo assim não consegui ir por causa da greve dos onibus do rio… To super a favor dos motoristas, a causa é super justa, mas vou levar falta”.
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Às 5h06, outra usuária relatou a ausência de veículos do BRT desde às 3h50. “Era melhor a Mobi Rio ter soltado a nota de ontem dizendo que iria aderir a greve, desde 3:50 e nada!”, publicou. Também houve relatos de falta de veículos em Madureira.
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Ônibus vandalizados
De acordo com o Rio Ônibus, 30 coletivos foram vandalizados. O sindicato das empresas informou, ainda, que há 800 coletivos circulando pela cidade.
O Rio Ônibus afirmou que as empresas estão mobilizadas para colocar suas frotas em operação. A entidade informou que os consórcios fazem um apelo a todos os motoristas e rodoviários para que compareçam às garagens para que a normalidade do serviço seja restabelecida o quanto antes. “Lembramos a importância do respeito à legalidade e à determinação da Justiça, que exige pelo menos 50% da frota circulando para atender a população”, diz, em nota.
Reforços
A TrensRJ afirmou que a operação dos trens será reforçada nesta segunda-feira. Serão feitas viagens extras para todos os ramais pela manhã e por volta de meio-dia, para atendimento da demanda adicional prevista pela greve de ônibus municipais e antecipação do retorno para casa devido ao jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo.
A circulação dos trens segue de acordo com os intervalos abaixo:
Ramal Japeri: intervalo médio de 8 minutos
Ramal Santa Cruz: intervalo médio de 9 minutos
Ramal Deodoro: intervalo médio de 8 minutos
Ramal Saracuruna: Gramacho x Central do Brasil – intervalo médio de 12 minutos; Saracuruna x Gramacho – intervalo médio de 30 minutos
Ramal Belford Roxo: intervalo médio de 15 minutos
O MetrôRio informou que também reforçou a operação, ampliando a oferta de composições para os clientes.
Justiça determinou circulação mínima
No sábado, o TRT-1 reconheceu a legalidade da greve e determinou que ao menos 50% da frota de cada linha permaneça em circulação. A decisão foi proferida pela desembargadora Maria Helena Motta, que negou o pedido do Rio Ônibus para declarar a paralisação ilegal.
O sindicato patronal havia solicitado que 90% dos veículos circulassem nos horários de maior movimento, além da proibição de bloqueios em garagens e vias públicas.
Na decisão, a magistrada destacou que o direito de greve deve coexistir com a continuidade dos serviços essenciais.
“O direito de greve é garantia constitucional de extrema relevância, contudo deve coexistir harmoniosamente com a continuidade das atividades essenciais indispensáveis ao atendimento das necessidades da comunidade. O transporte público urbano funciona como um serviço de suporte básico e sua interrupção integral inviabilizaria o deslocamento dos cidadãos e comprometeria o funcionamento de outros setores vitais, tais como hospitais, escolas e serviços de segurança pública (…) A extensão geográfica e a densidade demográfica do Município do Rio de Janeiro exigem um patamar de contingência superior (aos 30%) para evitar o colapso completo da mobilidade urbana”, escreveu.
A desembargadora fixou multa de R$ 50 mil para ambos os sindicatos caso o percentual mínimo de circulação não seja cumprido. Ela também proibiu as empresas de contratar motoristas temporários para enfraquecer a greve ou demitir funcionários que participem do movimento. A análise sobre eventuais descontos salariais pelos dias parados ficará para uma fase posterior do processo.
Sindicato manteve paralisação
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que a greve será mantida e que a categoria cumprirá a determinação judicial.
— A greve está mantida e vamos cumprir o determinado pela Justiça, que é a de que ambas as partes mantenham 50% da frota circulando nos horários de pico. Inclusive já encaminhamos ofício para a direção do Rio Ônibus e consórcios para o cumprimento, mas ainda não recebemos nenhum retorno por parte dos empresários. Determinação é para ser cumprida e não discutir — disse.
Antes da decisão do TRT-1, o sindicato dos trabalhadores havia pedido autorização para manter apenas 30% da frota em circulação nos horários de pico e 15% no restante do dia, além da suspensão dos descontos salariais durante a paralisação.
Em nota, o Rio Ônibus informou que as negociações com o Sindicato dos Rodoviários permanecem abertas e que as empresas seguem empenhadas na busca de uma solução. A entidade afirmou ainda que a operação desta segunda-feira será normal.
A Mobi Rio, empresa pública responsável por algumas linhas municipais e pelo sistema BRT, também informou que a operação ocorrerá normalmente. Já a Prefeitura do Rio declarou que acompanha a situação e que adotará medidas para reduzir os impactos à população, além de informar que solicitou à Justiça o aumento do percentual mínimo de veículos em circulação.



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