A Polícia Federal (PF) prendeu, na noite desta quarta-feira (dia 12), Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Ele é investigado da Operação Sem Desconto, sobre irregularidades em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Lopes se apresentou na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal e será encaminhado ao sistema prisional. Em 17 de novembro de 2025, ele foi alvo de um mandado de prisão, mas não foi encontrado. Por isso, foi considerado foragido. Em julho deste ano, foi indiciado pela PF.
A Conafer é apontada pela Polícia Federal como peça central de um esquema de filiações falsas e cobranças não autorizadas em beneficiários do INSS, movimentando milhões de forma irregular para sindicatos e associações, sem a devida autorização de aposentados e pensionistas.
No mês passado, a PF concluiu a primeira investigação da Operação Sem Desconto, quando foram indiciadas, ao todo, 48 pessoas, incluindo o presidente da Conafer.
Também foram indiciados o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão, Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios, André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Entenda
A PF encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o relatório final sobre o núcleo da Conafer no esquema. No documento, que embasou o indiciamento de 48 pessoas, a corporação concluiu que o esquema de descontos irregulares em benefícios do INSS permitiu o desvio de mais de R$ 708 milhões de aposentados e pensionistas.
De acordo com a PF, os recursos eram direcionados para empresas de fachada e utilizados para enriquecimento ilícito e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
A investigação aponta que a estrutura era liderada pelo presidente da Conafer e contava com operadores financeiros, empresários, dirigentes da entidade e agentes públicos. Segundo a PF, parte dos recursos também era destinada ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e políticos para assegurar o funcionamento do esquema.
Em setembro do ano passado, Lopes chegou a ser preso pela Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS após o comando da comissão avaliar que ele mentiu durante depoimento. Lopes ficou custodiado em uma sala no Senado e foi solto após pagar fiança.
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Descontos indevidos no INSS: dirigente de entidade que estava foragido se entrega à PF e é preso




