Em greve, servidores da Uerj protestam pelo início das obras do novo campus Zona Oeste

Servidores, técnicos-administrativos e estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) se reuniram nesta quarta-feira (dia 29) em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, para pressionar pelo início das obras do novo campus da instituição na região. A manifestação também traz na pauta as reivindicações que embasam a greve dos servidores, como a recomposição salarial e a volta dos triênios.
A concentração começou às 8h30 em frente à estação de Campo Grande. Os manifestantes caminharam até o prédio do antigo Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos, para onde a Uerj pretende transferir a sede do atual campus Zona Oeste.
A expectativa é de que as novas instalações atendam oito cursos de graduação e dois cursos de pós-graduação, explicou Carmelinda Afonso, professora do curso de Farmácia e integrante do Comando de Greve Local.
Entre os cursos de graduação estão cinco de engenharia e um de computação, da Faculdade de Engenharia e Ciências Exatas (FECC), além de Biologia e Farmácia, da Faculdade de Ciências Biológicas e Saúde. A professora descreve o campus como “um bem público” e destacou a importância da transferência ocorrer o mais rápido possível:
— Vamos ter muito mais espaço, inclusive, para ampliar nossos laboratórios de pesquisa. Fazemos pesquisas desde as engenharias até a microbiologia, pesquisa de epidemiologia, enfim, que têm uma aplicação imediata para a sociedade. Fazemos atividades de extensão, que é justamente a conversa entre a Universidade e a sociedade civil, como por exemplo atividades educativas com relação à vacinação. — observou.
O professor André Fonseca, também do curso de Farmácia, acrescenta que, com as obras, será possível “acolher muito mais estudantes no campus”
— Atualmente, nós temos dois mil alunos nos cursos — destacou.
Servidores e estudantes da UERJ protestam em Campo Grande pelo novo campus Uerj Zona Oeste e pela recomposição Salarial
Carmelinda Afonso
A instalação do novo campus veio na esteira da Lei 9.602, assinada em março de 2022, que determinou a incorporação da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) à Uerj, com a publicação de um decreto que desapropriou dois imóveis — um deles, a Faculdade Moacyr.
— Desde lá, nós aguardamos as obras para que o campus funcione no prédio em que era o Centro Universitário Moacir Sreder Bastos. Hoje, para que a obra ocorra, há uma necessidade em torno de R$ 100 milhões — explicou Fábio Fortes, professor do curso de Biologia.
Recomposição na pauta
Este é um dos atos que ocorre em meio à primeira greve dos professores da Uerj em uma década. A paralisação teve início no dia 25 de março, mas foi ampliada com a adesão dos técnicos-administrativos da Educação (TAEs) em 9 de abril.
Para além do novo campus, os servidores também reivindicam a recomposição salarial — os servidores demandam um índice de 26,35% —, o pagamento de duas das três parcelas estabelecidas pela Lei Estadual 9.436/2021 (referente ao acumulado no período de 2017 a 2021), os triênios, e garantias orçamentárias da universidade.
No caso da lei estadual, o texto previa uma recomposição acumulada de 26,11%, paga em três parcelas, mas apenas a primeira parcela (13%) foi paga aos servidores até hoje. As outras duas, no valor de 6,55% cada uma, não foram quitadas.
Já os triênios foram extintos para servidores que ingressaram a partir de outubro de 2021 em meio à entrada do segundo Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Os servidores também criticam uma mudança no cálculo do benefício: desde 2018, o índice passou a incidir apenas sobre o vencimento-base, e não sobre a remuneração global.
Por fim, as garantias orçamentárias abordam questões de professores substitutos e servidores terceirizados, que, de acordo com a categoria, tem relações de trabalho precarizadas.



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