“E o Senhor Deus ordenou ao homem: ‘Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque, no dia em que dela comer, certamente você morrerá’.”
Gênesis 2:16-17
Recentemente, abordei dez pessoas de diferentes religiões, orientações sexuais, classes sociais, formações acadêmicas e regiões da cidade do Rio de Janeiro, com idades entre 16 e 67 anos.
A pergunta era simples e direta: o que é liberdade para você?
Invariavelmente, todos — absolutamente todos — associaram liberdade ao poder de fazer o que quiserem, na hora que desejarem, sem restrições ou freios, sejam eles morais, sociais ou legais.
A conclusão foi clara: para muitos, liberdade é sinônimo de ausência de limites.
Mas será mesmo?
O texto bíblico que abre esta reflexão — independentemente da crença de cada um — nos apresenta uma ideia provocadora: a liberdade humana já nasce acompanhada de um limite. Não como punição, mas como direção.
Como afirma o teólogo contemporâneo Timothy Keller:
“Liberdade não é a ausência de restrições, mas a descoberta das restrições certas — aquelas que nos fazem florescer.”
Séculos antes, João Calvino já apontava algo semelhante: livre é aquele que consegue dizer “sim” e “não”. Porque quem só diz “sim” pode estar tão aprisionado quanto quem só diz “não”.
A narrativa do Éden, para além de um debate religioso, oferece uma leitura profundamente humana: viver bem exige aprender a lidar com limites.
Em termos práticos, isso significa reconhecer que nem tudo o que é possível é, necessariamente, saudável.
Nesse mesmo caminho, o psiquiatra e pensador existencialista Viktor Frankl reflete:
“Liberdade não é apenas libertar-se de algo, mas libertar-se para algo — assumir responsabilidade.”
Ou seja, liberdade é harmonizar escolhas e consequências.
Comumente tendemos a confundir intensidade com realização. Vivemos muito e intensamente, mas, sem se quer elaborar, prevendo os desdobramentos.
É como se buscar uma vida de experimentações oceânicas, mas com reflexões rasas, como uma piscina de criança.
Até mesmo uma vida feliz, prazerosa e próspera precisa de contornos. Não como prisão, mas como proteção.
Limites, são farois que servem de referências nesse mar de possibilidades e infinitos convites de prazeramentos.
Talvez a verdadeira liberdade não esteja em fazer tudo o que se quer, mas em saber escolher aquilo que, de fato, nos faz bem — e ter força para dizer “não” ao que nos afasta disso.
Então, me diga: Você quer ter liberdade para fazer tudo, ou maturidade para escolher bem?
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