Além de Christa Pike, conheça outros casos de execuções malsucedidas nos EUA

Christa Pike se tornou a primeira condenada à morte a sobreviver a uma injeção letal — duas doses foram aplicadas, na noite de quarta-feira (30/9), mas ela resistiu e foi levada em estado grave a hospital no Tennessee (EUA). A americana é apenas o caso mais recente de uma uma longa e macabra história de execuções malsucedidas: desde a cabeça de um assassino de policiais que pegou fogo até executores embriagados durante o serviço.
Segundo o Death Penalty Information Center, cerca de 3% de todas as execuções nos EUA no período entre 1890 e 2010 apresentaram falhas.
O maior número — 85 casos — ocorreu em enforcamentos mal-executados, incluindo o de 1901 do fora da lei Tom Ketchum, mais conhecido como Black Jack, cuja cabeça se desprendeu completamente do corpo durante a queda, pois os executores não haviam levado em conta o quanto ele havia engordado na prisão.
As execuções por cadeira elétrica ocuparam o segundo lugar, com vários incidentes em que a cabeça dos condenados pegou fogo.
Em 1990, a cabeça de Jesse Tafero, um assassino de dois policiais da Flórida, incendiou-se quando os operadores da cadeira elétrica tentaram, sem sucesso, enviar descargas de energia pelo corpo dele. Eles haviam usado, por engano, uma esponja sintética não condutora sob o eletrodo da cabeça, transformando-o num curto-circuito humano. Sonia Jacobs, a companheira de Jesse, também foi condenada à morte pelo crime, mas teve a sentença convertida em prisão perpétua.
Sete anos depois, a cabeça de outro condenado na Flórida também pegou fogo.
Jesse Tafero
Reprodução
“Pedro Medina… foi declarado morto às 7h10 da manhã, mas não antes que um funcionário da prisão, usando luvas de proteção, ajudasse a apagar as chamas que saíam da cabeça do condenado, e que tanta fumaça invadisse a câmara de execução a ponto de uma janela para o exterior ter de ser aberta”, escreveu o “LA Times” em 1997 sobre o episódio.
A injeção letal — concebida para ser uma forma moderna e humana de executar assassinos — registrou 75 tentativas malsucedidas até 2010.
O sangue de Clayton Lockett, estuprador e assassino, espirrou sobre o médico que tentava inserir uma agulha de injeção letal na região da virilha dele em 2014.
“Acho que ele não percebeu que havia atingido a artéria, e lembro-me de dizer: ‘Você acertou a artéria. Tem sangue por toda parte'”, disse um paramédico ao jornal britânico “The Guardian”.
O estado do Alabama registrou três injeções letais malsucedidas apenas no ano de 2022. Os três prisioneiros ficaram com o corpo repleto de marcas de perfuração, hematomas e — em um dos casos — cortes irregulares, enquanto a equipe médica tentava, sem sucesso, inserir agulhas em suas veias.
Um dos prisioneiros permaneceu preso à maca por 90 minutos, sendo repetidamente perfurado pelos paramédicos, segundo informações do Death Penalty Information Center.
No caso de Christa, a condenada por homicídio em 1995 ajudou a equipe encarregada de conduzir a aplicação da pena capital a encontrar uma veia para a injeção letal, disse um dos seus advogados. Segundo Stephen Ferrell, Christa colaborou repetidamente com a equipe responsável pela execução, orientando-os sobre onde encontrar acesso para o acesso intravenoso. Mas nem assim, Christa evitou uma grave falha no processo.
“A Sra. Pike não apenas cooperou, mas tentou ajudar a orientar as pessoas que estavam buscando os acessos intravenosos sobre onde poderiam encontrá-los”, declarou Ferrell. “Ela dizia repetidamente: ‘Por favor, tentem mais acima, no meu ombro. Por favor, tentem aqui, por favor, tentem aqui. Acho que vai dar certo’. E ela lhes agradecia, pelo menos quando eles achavam que haviam conseguido estabelecer o acesso. A Sra. Pike foi gentil, cooperou e se manteve em paz durante todo o tempo”, completou ele, de acordo com o “Sun”.



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