A família confirmou, na tarde desta terça-feira, a morte de Danilo Jander Francisco Alves, pizzaiolo de 26 anos baleado na cabeça por um policial militar na noite de sábado, em Niterói. Ele estava internado em estado grave no Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca, desde então e passava por exames para verificar a atividade cerebral. A morte foi comunicada pela equipe médica por volta das 15h30.
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— Estamos muito abalados e querendo justiça — afirmou o tio de Danilo, William Souza Alves, sub-oficial da Marinha do Brasil, ao comunicar a morte ao EXTRA.
Família publica homenagem a Danilo Alves
Reprodução
A morte foi comunicada nas redes sociais pela família, que prestou uma homenagem emocionada ao jovem:
“Nosso coração está em luto por essa perda tão dolorosa. Danilo era um jovem cheio de vida, alegria, sonhos e fazia a diferença por onde passava. Sua partida deixa um vazio enorme em todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo”, diz texto compartilhado.
Patrulhamento e ordem de parada
Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Militar, agentes do Niterói Presente faziam patrulhamento na região quando, por volta das 18h, tentaram abordar Danilo, que teria desobedecido à ordem de parada.
A guarnição era composta por dois agentes: um sargento do Batalhão de Choque, o autor dos disparos, e um sargento do Batalhão Tático de Motocicletas (BTM). Ambos estavam em duas motocicletas paradas no sinal de trânsito da Rua Mariz e Barros, esquina com a Avenida Roberto Silveira.
Durante a abordagem, um dos policiais efetuou um disparo. O motociclista foi atingido na cabeça, próximo do número 354 da Rua Mariz e Barros, e, por volta das 18h40, socorrido pelo Corpo de Bombeiros, sendo levado para o Hospital Estadual Azevedo Lima, onde permanece internado em estado grave.
O policial responsável pelo disparo foi preso e conduzido para uma unidade prisional da corporação. A Corregedoria da Polícia Militar acompanha o caso.
Em depoimento, o autor do tiro relatou que os policiais perceberam o motociclista avançando o sinal vermelho, trafegando em alta velocidade e, em determinado momento, empinando a moto. Os agentes acompanharam o rapaz até que ele precisou parar devido ao trânsito.
Ainda de acordo com os policiais, um dos agentes utilizou spray de pimenta durante a abordagem. O militar que atirou afirmou que viu o motociclista levar a mão em direção à cintura, sacou a arma e, no momento em que desembarcava da motocicleta, ocorreu o disparo. Segundo ele, o tiro foi involuntário. Já o colega de farda, também em depoimento, afirmou não ter sido possível ver se se o motociclista, naquele instante, realizou algum gesto com uma das mãos em direção à região da cintura.
Testemunha dá versão diferente da policial
Uma testemunha, porém, apresentou uma versão diferente. Ela afirmou que o motociclista veio diminuindo a velocidade até parar. Que o‘Ele tentou matar mesmo. Não foi sem querer’s policiais cercaram a motocicleta e que Danilo levantou as mãos. Segundo o relato, um dos agentes usou spray de pimenta contra o motociclista e, quase imediatamente, o outro policial efetuou o disparo.
A testemunha disse ainda não ter percebido nenhuma atitude suspeita do motociclista antes da abordagem.
Após o disparo, os policiais fizeram uma revista no motociclista e, segundo o depoimento de um dos agentes, nenhum objeto ilícito foi encontrado com ele.
Os policiais também relataram que houve aglomeração de pessoas no local e um aumento da tensão após a abordagem. Segundo eles, o spray de pimenta foi utilizado para afastar os populares que se aproximavam.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). Testemunhas já foram ouvidas, e imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas para esclarecer a dinâmica da abordagem e do disparo.
‘Ele tentou matar mesmo. Não foi sem querer’
O agente que fez o disparo, um sargento lotado no Batalhão de Choque e que prestava serviço para o Segurança Presente na ocasião, alegou que o tiro foi acidental. Para o pai, o educador físico Jander Luiz de Souza Alves, porém, houve uma “tentativa de assassinato”.
Jander Luiz de Souza Alves (à esquerda), pai de Danilo, acompanha familiares e amigos em frente ao Hospital Estadual Azevedo Lima, onde o filho está internado em estado grave após ser baleado na cabeça por um policial militar, em Niterói
Madson Gama
— Não teve nada de sem querer, não. Ele tentou matar meu filho mesmo — afirma o pai, com os olhos marejados. — Espero que não coloquem meu filho como bandido, porque ele era trabalhador, assim como toda a nossa família, que tem muitas mulheres professoras e homens militares.
Danilo, morador do bairro Gradim, em São Gonçalo, trabalhava como pizzaiolo no restaurante Sushi Rão, na Rua Mariz e Barros, em Icaraí. De acordo com o pai, ele estava a caminho do trabalho quando foi abordado, nesta mesma v. Jander contesta ainda a versão apresentada pelo policial, que disse em depoimento que Danilo trafegava em alta velocidade e empinava a moto.
— Não tinha como ele fazer isso numa via que tem muita movimentação de carros. Mesmo assim, isso não justificaria um tiro na cabeça. Ele tem habilitação, e a moto estava regular. Tanto que ela foi devolvida à família após a perícia. Ele estava de capacete, que agora está em casa com o furo da bala — diz Jander. — Na mochila dele, havia uma garrafa de café e uma peça de roupa.
‘Não consigo acreditar que ele tomou tiro de um policial’
Tio de Danilo, Douglas William Souza Alves, sub-oficial da Marinha do Brasil, o descreve como um jovem alegre, honesto e reservado.
— É um menino muito próximo da família e educado. Sou tio paterno dele e o tenho como se fosse meu filho. Temos total afinidade. Ele está sempre na casa da minha mãe tomando café — relata.
Douglas diz que está com um sentimento de revolta, “pela forma como tudo se deu”.
— Pelo que soubemos, foi uma abordagem completamente incisiva. Ele já estava rendido, com as mãos para o alto, e foi alvejado com spray de pimenta e, depois, com um disparo — conta o tio. — Soubemos da situação por um amigo dele, que pediu que o pai fosse até o trabalho dele com urgência. Eu achei que ele tivesse se acidentado. Nunca i
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Família confirma a morte de pizzaiolo baleado na cabeça por PM em Niterói: 'Abalados e querendo justiça'



