Julgamento de segurança de Rogério Andrade por morte de jovens na Zona Norte do Rio é adiado

O julgamento do policial militar Carlos Fernando Dias Chaves, que estava previsto para esta terça-feira, foi remarcado para 30 de setembro devido à ausência de uma testemunha. O sargento, que também é segurança do bicheiro Rogério Andrade, responde pela morte de dois jovens na Pavuna, Zona Norte do Rio. Ele teria atirado contra as vítimas após confundir um macaco hidráulico com uma arma.
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O crime, que vitimou Jorge Lucas de Jesus Martins Paes, de 17 anos, e Tiago Guimarães Dingo, de 24 anos, aconteceu em 2015. Os jovens estavam em uma motocicleta voltando de uma mecânica onde haviam ajudado um amigo a consertar uma Kombi quebrada, quando cruzaram com uma viatura e foram baleados nas costas, morrendo no local.
O PM, no momento, atuava em uma ação de busca por uma carga roubada e alegou à Justiça que teria confundido o macaco hidráulico que Jorge Lucas portava com uma submetralhadora. Isso o teria feito acreditar que, tanto ele quanto os colegas de corporação, estavam em perigo. No depoimento, ele também acusou os jovens, que trabalhavam como mototaxistas, de fazerem “disque drogas”.
Chaves se tornou réu pelo duplo homicídio em 2016, mas a decisão de levar o caso a júri popular ocorreu somente em 2019. O julgamento ficou a cargo do 4º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio. A Defensoria Pública atua como assistente de acusação, representando a família de Dingo.
Procurada pela reportagem do Globo, a Polícia Militar disse que a Corporação não comenta decisões ou andamentos de trâmites judiciais.
Sargento havia retornado de um afastamento e estava “trabalhando com ódio” segundo colega
Quando os assassinatos aconteceram, ele havia retornado ao 41º BPM (Irajá) há 1 ano e 3 meses, após um período de oito meses afastado devido a um tiro de fuzil ter atingido seu pé esquerdo durante uma operação no Morro do Chapadão. O sargento já possuía 15 anos de corporação, incluindo sete no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
No dia seguinte ao crime, um colega de corporação de Chaves, à época lotado no 41º BPM (Irajá), afirmou que o réu estava “trabalhando com ódio” na época em que o crime ocorreu. Em uma escuta telefônica, gravada com autorização da Justiça, o colega relatou que o sargento “ficava falando que ia matar, matar, e com isso deixou de ser profissional” e que “qualquer um que ele pegasse, ia matar”.
No diálogo interceptado, um oficial do batalhão, que teve seu sigilo telefônico quebrado, pergunta a um praça como a ação aconteceu. O policial responde que os demais PMs que patrulhavam o local na ocasião “disseram para o Carlos Fernando não atirar, eles gritaram para não atirar, dizendo ‘ninguém atira, não atira, não é arma’”. Em seguida, o PM completa: “O Carlos Fernando mirou e atirou e ninguém entendeu nada”. Durante a conversa, o policial também afirma que o sargento tentou fugir do local do crime: “Carlos Fernando foi até o rapaz e, ao verificar que estava morto, disse para ‘meter o pé’”.
O sargento também teria respondido ao pai de uma das vítimas com desdém logo após o crime. Durante o enterro de Tiago, Gilberto Lacerda Dingo afirmou que não aceitava as desculpas da polícia em relação à morte do filho e relembrou o ocorrido.
— Quando começou a confusão, apontaram para mim quem era o policial que tinha feito o disparo. Cheguei perto dele e perguntei por que fazia isso. O policial debochou da minha cara e disse: “Fiz. Já está feito” — contou Gilberto na ocasião.
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Réu é alvo na Operação Pretorianos
O sargento também é alvo da Operação Petrorianos, do Ministério Público, sob acusação de integrar o núcleo da segurança pessoal do bicheiro Rogério Andrade. Há três semanas, ele foi detido, acusado de violar a prisão domiciliar. Entre as regras descumpridas estão o recolhimento noturno e aos finais de semana e o descarregamento da tornozeleira eletrônica em, pelo menos, nove dias.
Conforme o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em uma dessas ocasiões o aparelho permaneceu desligado por mais de três dias, o que inviabilizava a fiscalização do cumprimento da medida cautelar e colocava em risco a ordem pública. A Operação Pretorianos é uma ação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que investiga a atuação de policiais militares e penais na segurança armada do contraventor Rogério Andrade.
A primeira fase foi deflagrada em março de 2024 para o cumprimento de 20 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão. Entre os alvos estavam 18 policiais militares da ativa e um policial penal que integravam o grupo chefiado por Rogério Andrade.
*Aluna do curso Jornalismo do Futuro, sob supervisão de Rafael Galdo
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