Durante muito tempo, um relacionamento sério parecia seguir uma ordem obrigatória: namoro, casamento e os dois morando na mesma casa. Não por acaso o povo dizia: Quem casa, quer casa.
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Depois começavam as discussões sobre dinheiro, tarefas domésticas, parentes, temperatura do ar-condicionado e, claro, a clássica: Quem deixou a toalha molhada em cima da cama.
Agora, alguns casais decidiram manter o relacionamento sem dividir o mesmo endereço.
Esse tipo de união recebeu o nome de LAT, sigla em inglês para Living Apart Together. Em português, seria algo como “vivendo juntos, mas separados”.
Não se trata necessariamente de um namoro à distância nem de uma situação provisória. São pessoas que mantêm compromisso, fidelidade e planos em comum, mas preferem continuar cada uma na sua casa.
Será que funciona? Ou é apenas um namoro que ganhou uma sigla elegante para não precisar encarar a mudança?
A saudade pode ajudar o desejo
Quando o casal não mora junto, os encontros precisam ser combinados. Existe preparação, expectativa e até saudade.
O parceiro deixa de ser apenas aquela pessoa de pijama que pergunta se o boleto foi pago. Ele volta a ser alguém que está chegando para um encontro, geralmente vestido e penteado, o que já representa uma vantagem.
Alguns estudos encontraram frequência sexual maior entre pessoas que vivem relacionamentos LAT do que entre casais que moram juntos.
Isso não significa que comprar uma segunda casa seja o novo tratamento para a falta de sexo. Além de caríssimo, provavelmente não funcionaria para todo mundo, mas…
O resultado mostra algo interessante: a intimidade precisa de proximidade, enquanto o desejo também pode precisar de algum espaço. Quando duas pessoas moram juntas, grande parte das conversas começa a envolver compras, louça, filhos, animais, contas e problemas da casa. Sem perceber, o casal pode virar uma eficiente equipe administrativa e deixar de se enxergar como amantes.
Difícil manter o clima quando alguém interrompe o beijo para perguntar:
– Você tirou o frango do congelador?
Para as mulheres maduras, a proposta pode ser atraente
Depois de passar muitos anos cuidando dos filhos, do marido, dos pais e da casa, algumas mulheres não querem assumir novamente o cargo de cuidadora oficial da família.
Elas desejam companhia, amor, carinho e sexo, mas não pretendem voltar a recolher meias pelo chão nem explicar a que horas chegarão em casa.
Muitas já possuem seu imóvel, seus hábitos e uma rotina organizada. Talvez gostem de dormir com a televisão ligada, tomar café às três da manhã ou conversar longamente com o gato. Abrir mão dessa liberdade pode parecer um preço alto demais para iniciar um novo relacionamento.
Manter duas casas permite preservar a autonomia financeira, a privacidade e aquelas pequenas manias que, vistas apenas duas vezes por semana, ainda parecem encantadoras.
Duas casas também trazem problemas
O modelo tem algumas dificuldades bem pouco românticas. A primeira delas é financeira: manter dois imóveis custa caro.
A distância também pode provocar insegurança, facilitar segredos e deixar algumas responsabilidades sem resposta.
Quem cuidará do outro durante uma doença? Existe liberdade para aparecer sem avisar? Quantas noites serão passadas juntos? Como ficam as despesas, as férias e os compromissos familiares?
Essas questões precisam ser conversadas.
Sem acordos claros, uma pessoa pode acreditar que está vivendo uma união estável, enquanto a outra aparece apenas nos momentos agradáveis e desaparece diante de qualquer dificuldade.
Nesse caso, não temos um casal moderno. Temos alguém muito esperto com uma nécessaire pronta.
Também existe diferença entre escolher morar separado e ser obrigado pela distância, pelo trabalho ou por dificuldades financeiras. Nem todo casal que vive em casas diferentes aderiu a uma nova tendência. Alguns simplesmente gostariam de morar juntos e não podem.
Morar junto não garante intimidade
O modelo LAT pode preservar a saudade e evitar parte do desgaste da rotina. Mas um relacionamento verdadeiro não pode existir apenas durante encontros agradáveis, com a casa arrumada e a louça escondida dentro do forno.
Intimidade também envolve doenças, problemas financeiros, mau humor e momentos inconvenientes.
Por outro lado, dividir o mesmo endereço não garante proximidade. Existem casais que dormem na mesma cama e quase não conversam. Alguns se comunicam apenas para informar que o gás acabou.
Morar separado não é melhor nem pior do que o casamento tradicional. Pode funcionar quando os dois realmente desejam esse modelo e concordam sobre fidelidade, dinheiro, responsabilidades e futuro.
A pergunta não deveria ser se todo casal que se ama precisa morar junto.
Talvez seja mais simples perguntar: você conseguiria manter um relacionamento sério sabendo que, depois de cada encontro, cada um voltaria para a própria casa?
Dependendo do ronco do parceiro, muita gente já está respondendo que sim.
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