Neymar, Cristiano Ronaldo e mais: o segredo por trás dos relógios de luxo das celebridades

Basta uma foto de Neymar, Cristiano Ronaldo, Gusttavo Lima, Lewis Hamilton ou John Mayer usando um novo relógio para que o assunto domine as redes sociais. Modelos raros esgotam, despertam desejo entre colecionadores e fazem muita gente acreditar que basta encontrar a peça certa para fazer um bom negócio. Mas, longe do glamour exibido por artistas, atletas e influenciadores, existe um mercado bilionário que funciona em ritmo acelerado e onde o preço de um relógio pode mudar em questão de horas.
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Ao contrário do que muita gente imagina, o valor de uma peça não depende apenas da marca ou do modelo. Procedência, documentação, estado de conservação, configuração, demanda internacional e até o país onde o relógio está naquele momento podem alterar significativamente seu preço.
Segundo Renan Bastos, especialista no mercado de relógios de luxo e fundador da RC Crown, acompanhar esse universo exige muito mais do que conhecer os modelos usados pelas celebridades.
“O mercado tem muita informação, mas pouca organização. O problema não é a ausência de dados. É a dificuldade de transformar tudo o que acontece diariamente em uma visão clara, que permita tomar decisões com segurança.”
Enquanto o público acompanha apenas os relógios que aparecem em fotos nas redes sociais ou em eventos, boa parte das negociações acontece nos bastidores, entre dealers, colecionadores e empresas espalhadas por diferentes países. Em muitos casos, uma peça muda de dono antes mesmo de ser anunciada oficialmente.
É justamente por isso que o preço encontrado na internet nem sempre representa o verdadeiro valor de mercado.
“O valor real de uma peça não está apenas no preço pelo qual ela é oferecida”, explica Renan Bastos.
“Está no preço pelo qual existe uma transação concreta, na velocidade com que ela pode ser revendida e na margem que permanece depois de todos os custos.”
A popularização dos relógios de luxo entre celebridades também ajudou a impulsionar esse mercado. Cada nova aparição de um artista usando um modelo raro costuma despertar interesse imediato entre fãs, investidores e colecionadores. Ainda assim, o especialista afirma que a exposição nas redes sociais, sozinha, não determina se um relógio representa uma boa oportunidade de compra.
“Um relógio pode parecer uma oportunidade porque está barato, mas isso não significa que seja uma boa compra. Se não houver demanda ou se a margem desaparecer com os custos de movimentação, o preço baixo deixa de ser uma vantagem.”
Para acompanhar um mercado que funciona praticamente em tempo real, a RC Crown desenvolveu um sistema próprio que reúne informações sobre histórico das peças, procedência, liquidez, estoque e movimentação internacional, transformando grandes volumes de dados em informações estratégicas para quem atua diariamente nesse segmento.
Mesmo com o avanço da tecnologia, Renan Bastos afirma que nenhum sistema substitui completamente a experiência de quem conhece o mercado.
“O sistema não toma todas as decisões sozinho. Ele organiza as informações para que uma pessoa experiente consiga decidir melhor. Em um mercado tão específico, tecnologia e conhecimento humano precisam trabalhar juntos.”
Para quem vê apenas os relógios exibidos por famosos nas redes sociais, eles representam status e exclusividade. Nos bastidores, porém, cada peça faz parte de um mercado internacional em constante movimento, onde informação, confiança e velocidade podem definir negociações que movimentam milhões de reais.
Renan Bastos é especialista em relógios e fundador da RC Crown
Divulgação



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