Acusado de assédio, maestro do coral Meninas Cantoras de Petrópolis ironiza denúncias e provoca: 'Sou imensamente pior do que escreveram'

O maestro Marco Aurélio Xavier, acusado de assédio moral e sexual por ex-integrantes do coral Meninas Cantoras de Petrópolis (MCP), escolheu o sarcasmo para reagir publicamente às denúncias publicadas pela revista “Piauí” no começo de junho. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (24) e apagado horas depois, o músico de 74 anos não negou as acusações ponto a ponto. Em vez disso, provocou: garantiu ser “imensamente pior” do que os relatos descreveram e fechou a fala citando, sem qualquer constrangimento, seus próprios “grandes mestres” nazistas.
Leia também: Xuxa rompe silêncio após denúncias de abuso contra maestro das Meninas Cantoras de Petrópolis: ‘Sinto muito’
Geração Neymar: Seis em cada 10 brasileiros com o nome do jogador nasceram na década em que ele virou ídolo nacional
“Tem uma revistinha aí, uma repórter, sabe, que juntou umas testemunhas e falaram tudo de mal contra mim. Perderam tempo, que se tivessem me entrevistado, eu sou imensamente pior do que escreveram. Eu teria as maiores barbaridades para falar sobre mim. Afinal, meus grandes mestres foram nazi… nazistas. Fica a dica”, disse ele no vídeo.
Initial plugin text
A fala marca uma das primeiras manifestações públicas do maestro desde que a revista “Piauí” publicou a apuração com relatos de 17 ex-coralistas, hoje entre 24 e 60 anos, sobre humilhações, assédio moral e episódios de abuso sexual ocorridos quando ainda eram crianças e adolescentes no grupo.
Xavier fundou as Meninas Cantoras de Petrópolis em 1976, então com 24 anos, dentro de um colégio católico da cidade serrana fluminense. Ao longo de quatro décadas, o coral formado só por meninas de 9 a 15 anos se tornou um dos maiores fenômenos da música infantojuvenil brasileira. O grupo gravou com nomes como Roberto Carlos, Gilberto Gil, Sandy & Junior e Simone, com quem emprestou vozes ao clássico álbum natalino “25 de dezembro”, e chegou a se apresentar com o produtor dos Beatles, George Martin, para um público estimado em 100 mil pessoas na Quinta da Boa Vista, no Rio.
Foi também por esse histórico de prestígio que o maestro conquistou uma autoridade quase incontestável sobre o grupo, segundo descrevem ex-integrantes à “Piauí”. O coral foi extinto em 2016, por falta de patrocínio, e, no ano seguinte, recebeu do governo do Rio de Janeiro o título de patrimônio cultural imaterial do estado.
O vídeo desta quarta, no entanto, não foi a primeira reação do maestro à repercussão do caso. Duas semanas antes, ele já havia comentado, no Facebook, um vídeo de uma pessoa que saiu em sua defesa: “Grato de coração. O grupo começou em 1976 e foi até 2016. Não sei dessas crueldades covardes agora. São seres que ‘cuspiram no prato que comeram’. Super beijo.”
Em comentário nas redes sociais, o maestro Marco Aurélio Xavier disse que acusações vieram de seres que “cuspiram no prato que comeram
reprodução
A reportagem da “Piauí” relatou que Xavier foi procurado por telefone no dia 28 de abril e respondeu “de forma solícita”. Ao ser informado de que a matéria trataria das acusações feitas por ex-coralistas, chegou a dizer que daria entrevista no dia seguinte. Em vez disso, bloqueou o contato da revista no Instagram e no WhatsApp e nunca mais retornou, nem por telefone, nem por e-mail enviado à página oficial do coral.
O padrão se repetiu nesta quarta-feira: depois da publicação do vídeo, o maestro foi novamente procurado, agora pela Tribuna de Petrópolis, por ligação e mensagem de WhatsApp, e mais uma vez não respondeu.
A apresentadora Xuxa Meneghel, ligada ao grupo nos anos 1990, alertou ao se manifestar sobre o caso no dia em que a matéria saiu:
“Meu Deus, e onde está esse monstro?”, escreveu Xuxa, que, na sequência, foi direta ao rechaçar qualquer tentativa de romantização dos abusos: “Espero que ninguém diga que ‘elas precisaram passar por isso pra serem quem foram’, porque é isso que as pessoas que romantizam abusos psicológicos, físicos e mentais dizem. E o abuso de confiança é o pior. Sinto muito por todas que passaram por isso.”
A cantora Simone, que gravou com o coral o álbum natalino “25 de dezembro”, também já se pronunciou.
“Estou indignada. É tristeza, é crime. Não pode ficar impune”, declarou ela.
Initial plugin text



Source link

- Advertisement -spot_img

More From UrbanEdge

- Advertisement -spot_img