Mesmo desperdiçando um caminhão de chances, o México confirmou seu favoritismo contra a África do Sul e estreou com vitória de 2 a 0, nesta quinta-feira, na Copa do Mundo de 2026. O Estádio Azteca, na capital Cidade do México, pulsou do lado de dentro, com gols de Quiñones e Jiménez, e do lado de fora, com protestos dirigidos à presidente Claudia Sheinbaum, que não compareceu ao estádio.
Os mexicanos criaram dificuldades desde o início ao pressionarem a saída de bola da seleção sul-africana — que tentava explorar, sem sucesso, o entrosamento de cinco dos 11 titulares que atuam juntos no Mamelodi Sundowns, rival do Fluminense no último Mundial de Clubes. O volante Sithole, do Tondela (POR), era quem mais se aproximava do trio de zagueiros para dar opção de toques curtos, mas foi presa fácil para a marcação mexicana enquanto esteve em campo.
Foi em um bote para cima de Sithole, aos nove minutos de jogo, que o volante mexicano Lira roubou a bola que depois chegou aos pés de Quiñones. O atacante do clube saudita Al Qadsiah, colombiano que se naturalizou mexicano há três anos, chutou entre as pernas do goleiro Williams e soltou o grito de gol no Azteca.
Enquanto isso acontecia, dezenas de mexicanos entravam em conflito com as forças policiais ao redor do estádio, em uma manifestação que misturava reinvindicações salariais e cobranças de uma atuação mais firme do governo para investigar casos de vítimas dos cartéis do narcotráfico.
A presidente Claudia Sheinbaum, que tem acusado a oposição de usar os protestos para “provocar” a polícia, estava a quilômetros de distância do Azteca: ela assistiu à estreia da seleção mexicana em um telão instalado em um complexo esportivo no subúrbio da capital, buscando sinalizar empatia com torcedores que não conseguiram ingresso para a Copa.
Mesmo atrás do placar logo cedo, a África do Sul não mudou sua estratégia: apostava em aproximar os volantes Sithole e o ídolo Mokoena do trio de zaga para sair jogando, numa tentativa de achar passes em profundidade para os laterais Mudau e Modiba.
O México, por sua vez, gerava perigo sempre que recuperava a bola no campo de ataque — e não foram poucas as vezes. Sithole era a principal vítima, mas até Mokoena cometeu seu erros, como ao sofrer um desarme já nos acréscimos do primeiro tempo que o meia Brian Gutierrez desperdiçou.
O técnico mexicano Javier Aguirre, que também comandava a seleção no empate com os sul-africanos na estreia da Copa de 2010, não escondia sua irritação a cada chance perdida no Azteca. Mas o cenário ficou mais tranquilo aos cinco minutos do segundo tempo, quando Sithole fez falta na entrada da área em Gutierrez e, por ser o último homem, foi expulso.
A vantagem numérica deu confiança a Aguirre para lançar alguns queridinhos da torcida, como o jovem atacante Gilberto Mora, do Tijuana, de apenas 17 anos. Logo depois da mexida, o México chegou ao segundo gol, em um cruzamento escorado de cabeça pelo ídolo Raul Jiménez, de 35 anos.
A África do Sul ainda teve tempo de perder mais um jogador por cartão vermelho, aos 39 do segundo tempo: o meia Zwane — outro egresso do Mamelodi Sundows — foi expulso por uma cotovelada, após revisão do árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio no VAR.
Com dois jogadores a menos no lado sul-africano, os minutos finais da partida poderiam ser tranquilos para o México. Isso se o zagueiro César Montes não cometesse falta dura na entrada da área, aos 47 minutos, e recebesse cartão vermelho direto — em uma decisão rigorosa do juiz brasileiro.
A expulsão animou a África do Sul, que se lançou ao campo de ataque na esperança de um empate improvável. Que acabou não vindo.



