Debate sobre uso de anabolizantes reacende após morte: proibição existe no Rio há mais de 20 anos

O debate sobre uso de anabolizantes voltou com força após a morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, encontrado sem vida em 23 de maio de 2025.
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O atestado de óbito do jovem apontou morte súbita causada por cardiomiopatia hipertrófica, doença em que o músculo cardíaco se torna anormalmente espesso, condição que pode ser agravada pelo uso de anabolizantes.
Nas redes sociais, o atleta afirmava, abertamente, que usava hormônios.
No Rio, a Assembleia Legislativa do Estado tem atuado há mais de duas décadas na prevenção e combate a essas substâncias. A Lei 3.985/02, por exemplo, proíbe a comercialização de qualquer medicamento ou produto considerado anabolizante em todo o território fluminense, com exceção aos casos prescritos por médicos com as especificações exigidas.
A proteção vai além da proibição da venda. Leis também obrigam academias de ginástica, clubes esportivos e estabelecimentos similares a realizarem palestras mensais de conscientização sobre os riscos do uso dessas substâncias.
A medida determina, ainda, que, no ato da matrícula, o aluno receba uma cartilha alertando sobre os malefícios dos anabolizantes ao organismo.
Efeitos colaterais dos anabolizantes
Os riscos são amplamente documentados. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o uso de anabolizantes provoca efeitos colaterais em homens e mulheres, como explosões de raiva, comportamento agressivo, paranoia, alucinações, psicoses, coágulos sanguíneos, retenção de líquidos e aumento da pressão arterial.
Em adolescentes, há risco de comprometimento do crescimento e maturação óssea acelerada. A entidade classifica o uso disseminado dessas substâncias, dentro e fora do esporte de elite, como uma epidemia mundial e um grave problema de saúde pública.
De acordo com a Associação Médica Brasileira (AMB), o volume de vendas de anabolizantes industrializados cresceu 45% entre 2019 e 2021. A testosterona é o principal hormônio utilizado, mas não o único: a insulina, substância que mantém diabéticos vivos, também passou a ser injetada por praticantes de fisiculturismo em busca de mais massa muscular.
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