Daniel de Oliveira afirma educar os três filhos longe do machismo: 'Ética e respeito mostrados na prática'

Quem te viu, quem te vê… De machista incorrigível, que não admitia ver sua noiva subir ao palco e cantar, a homem sensível e arrependido, Alaorzinho (Daniel de Oliveira) tem passado por uma virada e tanto em “Coração acelerado”.
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— Hoje em dia não dá mais para entender qualquer tipo de comportamento machista. A gente vê esse tipo de discurso ganhar força na internet por meio desses red pills babacas, mas nós, homens, precisamos entender, de uma vez por todas. A gente sempre dependeu muito das mulheres para nos educar, mas já passou da hora de nos conscientizarmos. É por causa do machismo essa violência contra a mulher, a questão do assédio, do feminicídio… Quem é machista, numa novela, tem que se estrepar mesmo, pra mostrar o que acontece. O cara limitou os sonhos da mulher, ela foi embora. Houve um rompimento de mais de 20 anos entre Alaorzinho e Janete (Leticia Spiller) — observa Daniel de Oliveira, intérprete do personagem na novela das sete da Globo.
Daniel de Oliveira é Alaorzinho em “Coração acelerado”
Manoella Mello/Rede Globo/Divulgação
Se todo castigo pra machista é pouco, o empresário sentiu o golpe ao descobrir toda a farsa de Zilá (Leandra Leal) para afastá-lo de seu grande amor, quando a ex-noiva lhe enviou um áudio com a confissão das maldades arquitetadas pela irmã invejosa. E o fim do casamento foi inevitável, para desespero da mulher e também da filha, Naiane (Isabelle Drummond), que viram seu sonho encantado de família ruir. Agora hospedado na pensão do bar Zuzanete, o empresário vai investir cada vez mais pesado para reconquistar o coração de Janete.
— Zilá construiu com ele uma relação de mais de 20 anos em cima de uma mentira, incluindo a acusação do roubo de um anel de família. A intenção era quebrar esse amor autêntico que Alaorzinho sempre sentiu por Janete, e vice-versa. Pode demorar, mas uma inverdade dessas sempre vem à tona, não tem como guardar pra sempre. Com o rompimento dessa relação, Alaorzinho tenta se reaproximar de sua paixão, só que tem o Palhares Leite (Gabriel Godoy) na jogada… — observa o ator.
A farsa de Zilá (Leandra Leal) foi descoberta por Alaorzinho (Daniel de Oliveira) em “Coração acelerado”
Reprodução/TV Globo
‘DNA danado’
Além de ter sido enganado por Zilá, Alaorzinho ainda deve se decepcionar quando descobrir que Naiane, sua princesinha intocável, também finge para João Raul (Filipe Bragança) ser Diana, a menina que ele conheceu na infância, tomando o lugar de Agrado (Isadora Cruz), prima dela, no coração do astro sertanejo. Mesmo ainda apaixonado pela ex, o Mozão do Brasil pediu a Princesinha Country em casamento. E Zilá vai aproveitar a deixa desse noivado para tentar se reaproximar de Alaorzinho.
— Vai ser uma frustração geral quando essa enganação for descoberta! É um mau-caratismo, né? Mesmo sendo por amor, é um amor estranho demais. Naiane precisa achar o rumo dela, parece adolescente ainda… Essa menina puxou a mãe, viu? Que DNA danado! — faz graça o ator.
Daniel ainda analisa a possibilidade de seu personagem ser o pai biológico de Agrado, o que revelaria que Naiane e Agrado são irmãs, e não primas, perpetuando assim a antiga rixa entre suas mães:
— Isso aí está sendo ventilado desde o começo da novela. Estamos todos com essa pulga atrás da orelha. Então, pode ser… Imagina se Alaorzinho povoou a cidadezinha de Bom Retiro! Ia ser legal… (risos).
Alaorzinho (Daniel de Oliveira) pede perdão a Janete (Leticia Spiller), em “Coração acelerado”
Reprodução/TV Globo
A realidade da guerra vista de perto
Pai de três meninos — Raul, de 18 anos, e Moisés, de 15, frutos do casamento com a atriz Vanessa Giácomo, e Otto, de 9, do relacionamento com a atriz Sophie Charlotte —, Daniel afirma estar atento à educação dos filhos para que não se norteiem por uma visão machista do mundo:
— A ética e o respeito devem ser ensinados e mostrados no dia a dia, na prática. Um tempo atrás, eles cantaram uma música no carro que aprenderam com os colegas de escola e envolvia bullying. Logo chamei a atenção. A gente precisa tomar posição desde que são pequenos, porque depois pode piorar. Eles têm que aprender ainda novos, dentro de casa.
Daniel de Oliveira posa com os três filhos
Reprodução/Instagram
O acesso dos filhos à internet e à televisão sempre teve limite, ele conta:
— Tem coisas que uma criança não tem que assistir: telejornal, novela, “Big Brother”… Não são programas indicados para a infância. Precisa dormir mais cedo. Óbvio que não dá para criar numa redoma de vidro, isolado do mundo. Mas há de se ter cuidados. Hoje em dia, você liga a TV e vê falando da guerra no Irã, é um negócio muito drástico, pesado.
E quem poderia imaginar que o ator, quando criança, viveu essa dura realidade de perto?
— Quando eu tinha 7 anos, fui morar com meus pais no Iraque. Era 1985, em meio à guerra com o Irã (durou de 1980 a 1988), que era fronteiriça. Moramos num acampamento brasileiro às margens do rio Eufrates, por um ano. Vi muito tanque, casamatas, os caras acompanhavam a gente com arma… Fui umas três vezes para Bagdá, só dava Saddam Hussein nos cartazes. Para mim, um menino, ele era quase como um popstar, estava em todos os lugares. Mas essa experiência não me traumatizou, me enriqueceu. Eu vivia solto lá, deixava a casa aberta, saía de bicicleta… Não tinha essa coisa de mísseis e drones — relembra.
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