O bebê chora, fica vermelho, se contorce, puxa as perninhas e nada parece acalmar. Para muitos pais, a primeira suspeita é cólica. Mas nem todo choro forte tem a mesma causa. Gases, dificuldade para fazer cocô, prisão de ventre e desconfortos da rotina também podem deixar o neném irritado.
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De acordo com Icaro Ramalho, fisioterapeuta pediátrico, um dos principais erros é tratar qualquer desconforto como cólica. “Se o bebê está chorando, se contorcendo, se espremendo, todo mundo acha que é cólica. Mas não é bem assim”, explica. Segundo ele, gases, dificuldade para fazer cocô, prisão de ventre e cólica podem se parecer nos primeiros meses, mas têm sinais diferentes.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também reforça que o choro faz parte do desenvolvimento neurológico e comportamental do lactente e pode estar ligado à fome, frio, calor, fralda suja e outros desconfortos do dia a dia. A suspeita de cólica aumenta quando essas causas são descartadas e o choro continua intenso, recorrente e difícil de consolar.
A seguir, Icaro Ramalho explica o que é mito e o que é verdade.
Todo choro forte é cólica
Mito. O bebê pode chorar por muitos motivos. Pode ser fome, sono, frio, calor, fralda suja, gases, dificuldade para fazer cocô ou cansaço depois de um dia cheio de estímulos.
Na cólica, o choro costuma ser mais intenso, prolongado e difícil de consolar. Segundo Icaro, é aquele choro em que colo, peito, chupeta ou tentativa de colocar para dormir não costumam resolver durante o pico da crise.
A cólica costuma aparecer nas primeiras semanas de vida
Verdade. As crises podem surgir ainda nas primeiras semanas. Segundo o fisioterapeuta, muitos nenéns apresentam episódios por volta da segunda ou terceira semana de vida, com piora mais comum entre a quarta e a sexta semana. Depois, a tendência é melhorar com o amadurecimento da criança.
Se o bebê solta pum e melhora, pode não ser cólica
Verdade. O que acontece depois do desconforto ajuda a entender melhor a situação. Se o pequeno se contorce, chora, solta pum e relaxa logo em seguida, o incômodo pode estar mais relacionado aos gases.
Icaro explica que esse antes e depois é uma pista importante. O mesmo vale quando o neném parece sofrer para fazer cocô e melhora depois que consegue.
Cólica e dificuldade para fazer cocô são a mesma coisa
Mito. Podem parecer parecidas, mas não são. Quando o bebê faz força principalmente na hora de fazer cocô e relaxa depois que as fezes saem, pode ser disquesia, uma dificuldade de coordenação comum nos primeiros meses.
Se o cocô está duro, ressecado, em bolinhas ou causa dor, pode ser prisão de ventre. Segundo o especialista, são situações diferentes e, por isso, precisam de orientações diferentes.
Colo, ambiente calmo e posição podem ajudar
Verdade. Alguns cuidados podem trazer conforto. Icaro orienta que a família observe o padrão do choro, os horários em que ele aparece, se há gases, dificuldade para fazer cocô, tensão corporal ou dificuldade para relaxar.
A partir disso, o fisioterapeuta pediátrico pode orientar posições, mobilidade suave, massagens específicas e ajustes na rotina. Em casa, vale reduzir os estímulos no fim do dia, acolher o neném no colo e observar quais posições parecem trazer mais conforto.
Remédio, troca de fórmula ou restrição alimentar resolvem qualquer cólica
Mito. A aflição dos pais é compreensível, mas Icaro alerta que medicar todo choro como cólica pode atrasar a orientação correta. Quando o desconforto vem de gases, disquesia, prisão de ventre ou outro motivo, a família precisa primeiro entender o que está acontecendo com a criança.
Fisioterapia pediátrica pode ajudar
Verdade. A fisioterapia pediátrica pode ajudar quando há tensão corporal, dificuldade de relaxar, desconforto para eliminar gases ou sinais de que o lactente precisa de uma avaliação mais individualizada.
Icaro reforça que não existe uma única causa para a cólica e que também não existe uma técnica milagrosa que resolva tudo. O trabalho, segundo ele, é observar o comportamento do bebê, ouvir a família, diferenciar cólica de outros desconfortos e orientar medidas de conforto de acordo com cada caso.
Alguns sinais indicam que pode não ser só cólica
Verdade. A cólica costuma acontecer em bebês que mamam, ganham peso e ficam bem fora das crises. Quando algo foge desse padrão, a avaliação com o pediatra é importante.
Febre, vômitos persistentes, sangue nas fezes, barriga muito distendida, recusa das mamadas, baixo ganho de peso, prostração ou choro diferente do habitual devem ser avaliados.
Resumo para os pais sobre cólicas em bebês
A cólica pode acontecer nos primeiros meses, mas nem todo choro é cólica. Observar horário, duração, intensidade, gases, cocô, mamadas e comportamento depois da crise ajuda a entender melhor o que está acontecendo. Quando houver dúvida, sinais de alerta ou sofrimento intenso da família, buscar orientação é sempre o melhor caminho.
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