Veja dicas para não se enrolar com as contas do dia a dia

Desde a pandemia, a alimentação — principal despesa das famílias — subiu 83,1%, o aluguel aumentou 51,1%, e os remédios e serviços de saúde ficaram 55% mais caros. Os números superam a inflação média de 41,8% no período, medida pelo IPCA, segundo levantamento da Tendências Consultoria. Com o endividamento das famílias no pico e 30% da renda comprometidos com débitos, esses gastos pressionam o orçamento antes mesmo das dívidas.
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Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, diz que a parcela da renda disponível para gastos extras caiu para 21%, o menor nível desde 2011.
— Adiciona o crédito nessa equação e, apesar do crescimento da economia e do mercado de trabalho estar nas mínimas históricas, essa sensação de bem-estar com o que sobra para recreação e lazer é menor — diz ela.
Diante de tantos aumentos, o planejamento financeiro ganha ainda mais importância para não se enrolar no fim do mês. Abaixo, Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), dá dicas de comportamento e gestão das finanças pessoais para as famílias brasileiras que estão com o orçamento apertado.
Como organizar o orçamento
Planejamento – O ideal é que cada pessoa faça uma previsão de todas as receitas e despesas fixas e variáveis antes de o mês começar, não esquecendo de parcelas assumidas. Isso permite enxergar se o orçamento está equilibrado ou se será necessário reduzir gastos. Pode-se usar planilha, aplicativo, agenda ou caderno.
Anotações – Despesas inesperadas aparecem. Quando a pessoa atualiza sua planilha ao longo do mês, consegue corrigir excessos antes que eles se transformem em dívidas. Até pequenos gastos do dia a dia devem ser anotados.
Categorias – Separe os gastos por categorias. Moradia, alimentação, transporte, saúde, educação e lazer devem ser analisados individualmente para identificar onde é possível enxugar despesas.
Parcelas – Parcelar conta de luz, compras no supermercado ou medicamento de uso contínuo não é recomendado. O problema é que essas despesas vão voltar no mês seguinte, enquanto as parcelas antigas continuarão existindo, criando a bola de neve.
Cartão de crédito – O principal cuidado com o cartão de crédito é entender que é apenas uma forma de pagamento e não representa um aumento de renda. Aliás, quando a pessoa paga apenas o valor mínimo da fatura, entra nos juros do rotativo, considerados um dos mais altos do mercado. Isso transforma uma dívida pequena em um problema muito maior .
Parcelamento – Também é importante evitar o excesso de parcelamentos “sem juros”. Apesar de parecerem inofensivos, o consumidor precisa avaliar se continuará conseguindo pagar aquelas parcelas, caso aconteça algum imprevisto, como desemprego.
Despesas essenciais – Preserve as despesas essenciais, como moradia, alimentação, energia elétrica, água e medicamentos. Depois, é importante avaliar as dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial, para priorizar os pagamentos.
Metas – Tenha objetivos financeiros claros para um planejamento financeiro de longo prazo. Sem metas, o dinheiro tende a ser consumido apenas pelas urgências do dia a dia.
Reserva – A reserva de emergência é um dos pilares da organização financeira. Serve para evitar que imprevistos, como problemas de saúde, virem novas dívidas. O ideal é guardar mensalmente uma parte da renda.
Como sair de uma dívida
Para quem já tem pagamentos em atraso, uma boa oportunidade de regularizar a situação surgiu nessa semana. O governo federal lançou o Desenrola Brasil 2.0, que permite a renegociação do cheque especial, rotativo do cartão de crédito, cartão de crédito parcelado e crédito pessoal não consignado (CDC). O débito deve estar com atraso entre 90 dias e dois anos. Mas, atenção, só pode participar do programa quem tem renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).
Os percentuais de desconto no valor total da dívida são fixos, de acordo com a modalidade do crédito e o prazo de atraso. A média será de 65% de desconto. Os acordos de parcelamento terão juro de 1,99% ao mês, e prazo de pagamento de quatro anos.
A nova fase do Desenrola trará ainda a possibilidade de os trabalhadores usarem parcela do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para reduzir seu endividamento. Mas a previsão de integrantes do governo federal é de que o dinheiro só seja direcionado para os bancos em agosto.
A Caixa Econômica Federal, gestora do FGTS, vai se dedicar inicialmente ao pagamento do valor remanescente do saldo disponível na conta para quem aderiu ao saque-aniversário e foi demitido entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. O cronograma de pagamento terá que ser executado até 1º de junho, diz o banco.
Desenrola: nova chance
O técnico de rede Rony de Moraes, de 38 anos, vê no novo Desenrola uma chance de reorganizar a vida financeira após um período de instabilidade. Morador de Japeri, na Baixada Fluminense, ele voltou a trabalhar em novembro de 2025, mas ainda enfrenta dívidas acumuladas durante os sete meses em que ficou desempregado.
Sem renda fixa naquele período, ele recorreu ao cartão de crédito e a um empréstimo para cobrir despesas básicas e evitar perder a casa própria. As dívidas chegaram a cerca de R$ 2 mil no cartão e entre R$ 4 mil e R$ 5 mil no crédito pessoal. Após conseguir um emprego, ganhando um salário mínimo, ainda não conseguiu equilibrar o orçamento:
— O salário não é suficiente para quitar as dívidas e manter as despesas básicas.
Anteriormente, ele tentou renegociar seus débitos, mas não encontrou condições viáveis. Agora, pretende aderir ao Desenrola 2.0 e considera usar parte de seu Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para reduzir a dívida, desde que as parcelas caibam no orçamento.
— Pode ser uma oportunidade de conseguir descontos e juros menores. Seria a chance de voltar a ter controle da minha vida financeira.
Como aderir ao programa
Diferentemente do primeiro Desenrola, neste ano as negociações são feitas diretamente com os bancos. As principais instituições financeiras do país já estão com canais organizados para receber os pedidos de endividados, mas dificuldades do governo para resolver detalhes regulatórios do programa atrasaram a disponibilidade das ofertas. A previsão é que as renegociações fiquem disponíveis esta semana.
Bradesco – Os clientes do Bradesco já podem realizar um pré-cadastro pelo portal renegocie.bradesco.com.br.
Caixa – Clientes podem fazer contato pelo Alô CAIXA (4004-0104 para capitais e regiões metropolitanas) e 0800-104-0104 nas demais regiões), pelo site do banco, pelas agências e pelo WhatsApp Caixa (0800-104 -0104).
Banco do Brasil – Os clientes já podem verificar se atendem às condições do programa e manifestar o seu interesse pela renegociação no site do BB (bb.com.br/desenrola). Quando a regulamentação estiver concluída, as renegociações poderão ser feitas via WhatsApp (61-4004-0001), aplicativo, internet banking, rede de agência ou teleatendimentos, nos números 4004-0001 (capitais e regiões metropolitanas) ou 0800-729 -001 (demais localidades).
Nubank – Por meio do app do Nubank, o cliente encontra ofertas personalizadas de renegociação.
Itaú Unibanco – O banco informou que está pronto para apresentar as ofertas de renegociação aos clientes elegíveis em todos os seus canais, como app, WhatsApp (11-4004-1144), site (itau.com.br/renegociacao) e por parceiros credenciados de renegociação, mas afirmou que ainda espera a finalização das questões técnicas do governo.
Santander – O banco afirmou em comunicado que oferece os canais de atendimento para esclarecimento de dúvidas, e que “está preparado para iniciar a oferta do serviço aos clientes o mais brevemente possível, dentro das condições definidas pelo governo”.
C6 Bank – A contratação, quando o produto estiver no ar, será feita por meio dos canais oficiais do banco: aplicativo, WhatsApp (11-2832-6049) e telefone (3003-6116, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-660-6116, para demais localidades).
Vale lembrar que o Desenrola Brasil 2.0 não contempla todas as pendências que os brasileiros podem ter. Contas de consumo ficaram de fora. A regra geral para quem quer renegociar nesses casos é procurar a empresa com a qual está inadimplente. Para dívidas bancárias que não atendem aos critérios da nova fase do Desenrola, como o tempo em atraso, a dica é a mesma.
Também é uma possibilidade fazer a portabilidade de crédito ou portabilidade de dívida. Todo cliente tem o direito de transferir uma operação de crédito (empréstimo ou financiamento) de um banco para outro que ofereça melhores condições, como juros menores e prazo de pagamento maior.



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