Pesquisas: nunca americanos romperam tantas amizades e relações amorosas como nos últimos anos

Amizades acabam. Fato. Acontece desde Caim e Abel. Mas, ultimamente, nenhum fator determinante para o rompimento tem sido tão significativo quanto a política. Aconteceu muitas vezes no Brasil nos últimos anos. O cenário polarizado brasileiro se repete em escala ainda maior nos EUA. Num país dividido há séculos entre duas forças — os democratas e os republicanos — nunca se perdeu tantos amigos por discordâncias políticas como nos últimos anos.
O impacto não recai apenas sobre amizades. Um estudo de grande escala publicado na PNAS Nexus descobriu que 37% dos americanos relataram ter perdido um relacionamento com um amigo, familiar, parceiro romântico ou colega de trabalho por causa de diferenças políticas.
A pesquisa revelou, ainda, que democratas são mais propensos a terminar os relacionamentos. Esse cenário se tornou mais frequente com a chegada de Donald Trump ao poder, que acendeu o radicalismo nos dois lados.
Um outro estudo, do grupo global de pesquisas YouGov, apontou que, entre aqueles que disseram ter vivido rompimentos, 62% disseram ter perdido um amigo; 40%, um membro da família; 29%, um colega de trabalho e 10%, um parceiro romântico. Mais da metade afirmou ter perdido mais de um tipo de relacionamento. Igualmente, os democratas foram os que mais tomaram a iniciativa para os términos.
Os rompimentos por questões políticas começaram a crescer nos EUA a partir de 2016, na campanha que culminou com a primeira vitória nas urnas de Trump. Por causa especificamente dessa disputa eleitoral 14% dos americanos relataram ter perdido relacionamentos. Na campanha de 2024, o número subiu para 18%.
”Efeito Trump’ acelerou os rompimentos de amizades e relações amorosas nos EUA
Saul Loeb/AFP
Os dados das pesquisas mostram, ainda, que eleitores dos dois lados que perdem amigos por razão política tendem a ver o ex-amigo, o ex-colega de trabalho ou o ex-namorado como um “radical”. Pessoas que haviam vivenciado rompimentos também apresentavam visões mais distorcidas sobre as reais crenças dos oponentes. Numa pesquisa nacional, democratas que haviam rompido relações superestimaram a porcentagem de republicanos que concordavam com nacionalistas brancos em cerca de 12,6 pontos percentuais a mais do que democratas que não haviam rompido relações. Republicanos que haviam rompido relações superestimaram a porcentagem de democratas que acreditavam que a maioria dos brancos nos EUA era racista em cerca de 14,6 pontos percentuais a mais.
Outra descoberta dos estudos mostra que os eleitores rompidos têm mais resistência aos americanos comuns do “outro lado” do que aos políticos em quem eles votam.



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