“Conheci Paulo Gustavo quando eu tinha 15 anos. Nossas avós moravam no mesmo prédio, eu o via de longe. Mas nos aproximamos mesmo numa boate que frequentávamos, a Madame Kaos (que está no espetáculo). Escrever o musical foi ao mesmo tempo difícil e facílimo. Eu enrolei pra começar; pensava ‘meu Deus! A mãe e a irmã serão as primeiras pessoas a ler’! É muita responsabilidade! E nós temos uma relação de muito afeto; imagina se elas não gostassem, não se emocionassem, não se reconhecessem e reconhecessem o Paulo Gustavo… Tudo isso me assustava. Mas quando já não podia mais procrastinar, confesso que o texto nasceu rápido. Eu realmente era uma pessoa que podia fazer esse trabalho. Sou escritor de fato, roteirista, e amigo, testemunha, parceiro, personagem dessa jornada. Eu sabia muito, conhecia detalhes. Usei coisas que PG me contou quando a gente tinha 16 anos e coisas que Juju me contou na época, sobre os momentos finais, no hospital, na intimidade mais dolorosa e profunda da família. Nenhum dos dois me contou para que eu escrevesse um dia essa peça; me contaram porque somos amigos, irmãos, porque dividíamos a vida. No entanto, estava tudo dentro de mim, no meu coração, nas minhas lembranças. Quando superei o medo da responsabilidade e também o medo de mexer nesse luto, o texto veio. E veio bonito, forte, potente, cheio de amor e verdade. Todos gostaram! Na primeira leitura, entre risos e lágrimas, Déa gritou ‘é tudo verdade’!”.



