Vorcaro diz em depoimento ao STF que fica ‘desconfortável’ em firmar delação com a PF: ‘Tinha relação com diretor-geral’

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou em depoimento ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que fica “desconfortável” em oferecer uma nova proposta de delação premiada porque tinha uma relação “cordial” com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Saiba mais: Ministros ignoram crise envolvendo Moraes em primeira sessão após revelação de relatório com mensagens de Vorcaro
Do ‘dá pra segurar?’ ao ‘já tenho que estar fora?’: mensagens detalham como Vorcaro recorreu a Moraes para driblar investigação
“Entrou o advogado novo, a gente queria construir uma nova colaboração, me sinto desconfortável de propor uma colaboração, em que a gente tem um diretor da Polícia Federal, com quem eu tinha… um diretor‐geral com quem eu tinha uma relação. Que frequentou eventos, que participou de todo esse crescimento do banco e relação de eventos de participação em que ele esteve presente em diversas outras situações que eu gostaria de narrar. Não tem a menor chance disso se viabilizar e dar certo”, afirmou Vorcaro em depoimento.
“Pelo meu entendimento, não há possibilidade de eu prestar uma colaboração cujos fatos envolvam as pessoas que estão escutando a corroboração”, completou o ex-banqueiro em outro trecho da oitiva.
A audiência, revelada pela colunista Bela Megale, do GLOBO, durou cerca de 1h40, ocorreu em 27 de agosto e não contou com a presença de nenhum integrante da PF. A interlocutores, Andrei Rodrigues afirmou que só esteve com Vorcaro uma vez e nega uma relação de proximidade.
No depoimento, Vorcaro alegou ter sofrido ameaças durante sua prisão porque, nos últimos dois anos, tinha uma “relação do núcleo de poder atual, incluindo a própria Polícia Federal”. Indagado pelo juiz do gabinete de Mendonça que conduziu o procedimento sobre o diretor-geral da PF, Vorcaro respondeu que teve uma “relação cordial” com Andrei, que “não chegou a ser uma amizade”.
“Uma relação de estar em eventos conjuntos, de estar em eventos de charuto, juiz, de ter uma tratativa cordial, amistosa, de ir com família em eventos do banco, convites para eventos de Fórmula 1, de outras coisas”, sustentou.
No depoimento, o banqueiro afirmou que tem informações sobre irregularidades praticadas por pessoas que fazem parte do “atual governo”. Pessoas próximas a Vorcaro têm propalado a ideia de este é o motivo pelo qual a direção da PF não demonstraria interesse em firmar o acordo, sobretudo em período eleitoral.
Investigadores da PF refutam essa tese, dizendo que ele não relatou nenhum fato novo ou indicou meios de prova que justificassem a utilidade da colaboração premiada.
Integrantes da PF ainda classificaram as declarações sobre “intimidação psicológica” como “fantasias” que fazem parte de uma estratégica dele de fechar uma delação sem a presença da corporação.
Procurada, a Polícia Federal disse que não irá se pronunciar. Procurados, os advogados Daniel Bialski e Sergio Leonardo, que representam Vorcaro, afirmaram que não vão se manifestar.
Em nota, o gabinete de Mendonça disse que o depoimento aconteceu por “requerimento expresso da defesa” de Vorcaro. Segundo o texto, os advogados dele pediram a oitiva sob o pretexto de que ele “relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência”. O gabinete do ministro afirmou que não comentaria o conteúdo da audiência, que “é resguardado por sigilo legal”.
“A presença de representante do Ministério Público em audiências dessa natureza é exigência legal, e foi observada. Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido. Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete”, diz a nota enviada pelo gabinete de Mendonça.
No dia seguinte ao depoimento ao gabinete de Mendonça, em 28 de agosto, Vorcaro prestou depoimento de cerca de quatro horas à PF por meio de videoconferência. Na ocasião, ele foi perguntado sobre fatos relacionados ao inquérito que investiga o suposto pagamento de propina a ex-diretores do Banco Central para evitar a liquidação do Master. Vorcaro negou que tenha pagado favores indevidos aos ex-servidores.
Initial plugin text



Source link

- Advertisement -spot_img

More From UrbanEdge

Alex Telles será desfalque no Botafogo contra o Palmeiras pelo Brasileirão

O lateral-esquerdo Alex Telles será desfalque...

Relâmpago McQueen ganha vida e terá participação especial no GP da Itália

O Relâmpago Mcqueen, protagonista da franquia...
- Advertisement -spot_img