Foi tudo muito rápido. Uma pessoa me viu e me chamou para trabalhar como modelo no Rio. A princípio, não me interessei, porque não era algo que eu sonhava. Mas minha família é de axé, houve uma reunião em casa e recebi um recado muito bem dado de que aquele era o caminho que eu deveria seguir. Quando cheguei aqui, em duas semanas comecei a estudar teatro. Minha carreira como modelo não durou nem dois meses, porque logo me apaixonei pela interpretação e me descobri artista. Sempre foi difícil, e ainda é, estar longe de Salvador. Hoje, tenho até uma espécie de trauma de fazer malas. Mesmo quando vou viajar feliz para a Bahia, o ritual de arrumar as coisas me traz tristeza e angústia. Eu estava acostumado a viver cercado de amor e cuidado e, meses depois, estava sozinho em outro estado, sem uma rede de afeto. Precisei construir tudo isso. Foi difícil, mas importante para meu amadurecimento. Eu faria tudo de novo.




