Vídeo: empresário da “Picanha Bolsonaro” é pego acusado de calote de R$ em pessoa trans


Reprocução

Dono do Frigorífico Goiás, próximo de Jair e Flávio Bolsonaro, responde a denúncia de ameaça e desentendimento com acompanhante trans

Uma mulher trans identificada como Aline* (nome fictício) registrou boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) na noite de 15 de junho de 2026. Ela acusa o empresário goiano Leandro Batista Nóbrega, dono do Frigorífico Goiás e conhecido nacionalmente pela “Picanha de Bolsonaro”, de transfobia, de não pagar R$ 500 por um programa e de fazer ameaças após uma discussão.

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Leandro Batista Nóbrega é um empresário que ganhou projeção nacional com vídeos de churrascos, ações de marketing do frigorífico e publicações de cunho político. Próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ele reúne cerca de 2,5 milhões de seguidores no perfil da empresa no Instagram e outros 974 mil em sua conta pessoal. Também ficou conhecido por declarações e ataques a mulheres trans e a parlamentares como Erika Hilton e Duda Salabert.

Segundo o boletim de ocorrência, ao qual a reportagem teve acesso, o desentendimento começou durante o atendimento sexual. Aline* afirmou que prestou o serviço, mas Leandro não ficou satisfeito porque queria assumir uma posição que ela havia informado previamente não realizar. O empresário teria ido ao apartamento dela por volta das 13h, no horário combinado, e permanecido no local por cerca de 1h10. Quando saiu do banho, ela reconheceu que se tratava do dono do Frigorífico Goiás.

“Leandro não ficou contente, pois queria ser passivo, e a declarante disse que não fazia ativo”, registra o boletim de ocorrência. Aline* também relatou que o empresário já a havia procurado em 2024 e voltou a entrar em contato em maio de 2026. Antes da abordagem, ela diz ter notado que um perfil ligado ao Frigorífico Goiás visualizava com frequência suas publicações no Instagram. Posteriormente, Leandro a contatou pelo WhatsApp para marcar o encontro.

Após o desentendimento, Aline* afirmou ter sido ameaçada. Ela registrou a ocorrência poucas horas depois do encontro, ainda na noite de 15 de junho. No boletim, a mulher descreve o episódio como uma situação de violência e desrespeito, com cobrança do valor combinado de R$ 500 que, segundo ela, não foi pago.

O caso ganha repercussão por envolver um empresário com forte presença nas redes e ligações políticas com a direita bolsonarista. Até o momento, não há informação pública sobre se Leandro Batista Nóbrega foi intimado ou se prestou depoimento. A Deam deve investigar as acusações de ameaça e eventual violência. A reportagem não conseguiu localizar o empresário ou sua defesa para se manifestar sobre o caso.

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