Duas pessoas morreram, nesta quarta-feira, devido à queda de um muro em Santa Teresa em meio à ventania que alcançou 105km/h na cidade. As vítimas eram dois homens que trabalhavam na construção da fortificação, localizada na Rua Doutor Júlio Otoni. Às 19h, o Corpo de Bombeiros informou que realizou 31 salvamentos no estado e que um pescador estava desaparecido em Tarituba, na Costa Verde. As ocorrências começaram por volta das 16h30, quando os primeiros alertas sobre o tempo começaram a ser divulgados pelo Centro de Operações e Resilência, da Prefeitura do Rio. O prefeito, inclusive, chegou a pedir para que os moradores evitassem deslocamento e ficar embaixo de marquises e árvores.
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Em Mesquita, na Baixada Fluminense, um homem está em estado grave após ter sido atingido por uma telha.
— Estamos morrendo de medo. Estou preocupada com meu filho, com meu neto. A gente só quer saber a hora que vai conseguir chegar em casa — desabafou Maria das Graças Abaranga da Silva, que voltava do trabalho em Botafogo e teve a viagem de metrô interrompida pela falta de energia.
Apagão, queda de árvores e caos no trânsito
Diversos bairros da cidade ficaram sem luz logo no início do vendaval, por volta das 16h30. Entre eles, o Centro, a Gávea, Laranjeiras, Cosme Velho, Tijuca, Catete, Jardim Botânico, Copacabana, Cidade Nova, Botafogo e Catumbi. A Light chegou a se pronunciar sobre a situação, afirmando que ela foi causada por uma “falha externa ao sistema”.
A Rua Riachuelo, na Lapa, também ficou às escuras — uma árvore caiu na esquina com a Rua Frei Caneca. Apenas comércio com geradores, como mercados e alguns restaurantes, mantiveram funcionamento. Nas calçadas, havia muito lixo, folhas e galhos de árvores espalhados. Pedestres e comerciantes tentavam se proteger dentro de lojas e uma moça que passava próximo ao mercado Mundial, nesta mesma rua, chegou a ser atingida pela tampa de uma caixa d’água. Os semáfaros, devido à falta de luz, ficaram desligados por algum tempo, o que aumentou o caos no trânsito.
Próximo dali, um posto de combustíveis na Praça da Cruz Vermelha teve parte de sua cobertura levada pelo vento. Já na região do Sambódromo, uma árvore e um poste também foram derrubados.
Na Zona Sul, no entorno do Jóquei Clube, a ventania arrastou areia, que chegou a ficar pairando no ar. Cena semelhante foi vista no Aterro do Flamengo, onde a terra levantada obrigou os motoristas a fecharem as janelas dos carros.
Árvores tombadas também foram vistas na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, e na Avenida Chile, no Centro. Na Rua Guilhermina Guinle, também em Botafogo, um poste com placa de sinalização tombou.
Já em Niterói, uma árvore caiu sobre carros na Rua Miguel Couto, em Icaraí. Na Região Oceânica, o forte vendaval também provocou o desabamento da estrutura de um posto de combustível localizado na Estrada Francisco da Cruz Nunes, em Piratininga.
Transportes afetados
Metrô: Circulação de trens nas linhas 1, 2 e 4 está em processo de normalização, na noite desta quarta-feira (29/07). Mais cedo, uma falha no fornecimento de energia elétrica interrompeu a operação em todo o sistema metroviário
Trem: Circulação retomada às 19h30. Até então, passageiros que chegavam à Central do Brasil eram avisados que a circulação estava suspensa
VLT: Circulação normalizada às 18h40. Falta de energia suspendeu a circulação de todas as linhas por cerca de uma hora e meia
Barcas: Circulação chegou a ser suspensa. A última atualização é de que a linha Charitas x Praça Quinze tem intervalos irregulares. As demais linhas estão com circulação normal
BRT: Linha 67 (Deodoro x Campo Grande) opera com intervalos irregulares após queda de árvore. Horário de pico será estendido para atender ao público que virá do metrô e do trem, informa a Mobi-Rio
Já a estação Dom Bosco do BRT, no Recreio, Zona Sudoeste, chegou a ser fechada temporariamente após o telhado ter sido danificado pelo vento. Reparos já foram feitos e a parada, reaberta. A linha 67 (Deodoro x Campo Grande) opera com intervalos irregulares após queda de árvore. Horário de pico será estendido para atender ao público que virá do metrô e do trem, informa a Mobi-Rio.
— É tudo um caos. Todo mundo está com medo do vento, do que ele pode causar, e agora o transporte também virou um problema — observou Gláucia Nascimento Archer, que se deparou com a estação Uruguaina do metrô fechada. — Comentaram no trabalho que ia ventar, mas ninguém esperava que fosse nesse nível.
No Aeroporto Santos Dumont, houve um apagão perto das 16h40. O Centro de Operação da Prefeitura informou que houve registro de vento forte no Aeroporto do Galeão (74,1 km/h), onde quatro voos foram desviados após as condições adversas do tempo. A ponte Rio-Niterói, que chegou a entrar em sistema de pare e siga, voltou a ter circulação de carros normalizada às 17h40. Segundo a concessionária Ecovias, o fluxo tem lentidão nos dois sentidos.
Segundo a concessionária VLT Carioca, suas linhas foram suspensas por conta de interrupção do fornecimento de energia. A circulação foi retomada às 18h40.
Com o transporte público afetado, o que se vê é o preço dos carros por aplicativo disparar. Uma viagem entre Ipanema e a Lapa, que custa pouco mais de R$ 30 normalmente, está em R$ 110 no fim da tarde.
Cidade em estágio 2
Durante a tarde, o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) colocou o município em Estágio 2, o segundo nível em uma escala de cinco, devido à ventania. As rajadas superiores a 100km/h estão previstas até quinta-feira e são motivadas pela passagem de uma frente fria.
A previsão para o restante da tarde e da noite é de céu parcialmente nublado, sem chuva, mas com ventos variando de moderados a muito fortes. O Estágio 2 indica risco de ocorrências de alto impacto e pode ser elevado caso as condições meteorológicas se agravem.
Alerta de vento forte até o fim da noite
A Defesa Civil nacional enviou um alerta de vento forte para o Rio nas próximas horas. O alerta é válido até as 23h55. Em balanço divulgado pouco antes das 18h pelo Corpo de Bombeiros, equipes foram acionadas para quatro desabamentos, 26 salvamentos de pessoas e 30 ocorrências de corte de árvores.
O Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN-RJ) emitiu alerta, às 15h30, sobre os efeitos da aproximação de uma frente fria pelo oceano, com impacto nas regiões Costa Verde, Sul II, Baixada Fluminense, Metropolitana, Baixada Litorânea e Norte Fluminense. A vigência é até às 7h de quinta-feira.
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Ventos de mais de 100 km/h atingem o Rio, causam duas mortes, interrompem transportes, e prefeito pede para população evitar deslocamento




