Velhas guardas das escolas de samba são declaradas patrimônio imaterial do Rio no Dia do Samba

Neste 2 de dezembro, quando se celebra o Dia Nacional do Samba, as velhas guardas das escolas de samba foram declaradas patrimônio imaterial do estado do Rio. Compostos por quem representa e preserva a tradição das agremiações, esses grupos são reconhecidos a partir de um projeto de lei, sancionado pelo governador Cláudio Castro nesta terça-feira, conforme publicação em Diário Oficial.
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— A velha-guarda é a espinha dorsal de uma agremiação. Se não fosse por seus componentes, não existiria escola — observa Tia Surica, integrante da Velha Guarda da Portela, uma das mais tradicionais no mundo do carnaval. — Me orgulho muito de fazer parte dessa equipe. Essa juventude curte muito a velha guarda e é uma satisfação grande, porque não somos eternos.
Desde 1980 entre os integrantes da velha guarda portelense, Tia Surica, hoje com 85 anos, lembra de seu ingresso no grupo. Na ocasião, ela havia se mudado de Madureira após um problema familiar e, ao retornar ao bairro do Subúrbio carioca, Manacéia (1921-1995), histórico compositor da azul e branca disse que estava a procurando (e não achava).
— Quando voltei, ele disse que eu deveria entrar na velha guarda por ser a mais velha entre as mulheres da escola. Então me integrei e estou até hoje — completa a sambista.
Tia Surica e outros componentes da Velha Guarda da Portela durante apresentação
Alexandre Cassiano / Agência O Globo / 04-02-2023
No próximo sábado, dia em que parte o tradicional Trem do Samba, da Central do Brasil até Oswaldo Cruz, trajeto inspirado nas viagens de Paulo da Portela (fundador da escola de Madureira), as velhas guardas de Mangueira, Salgueiro, Império Serrano e Vila Isabel estão confirmadas como atrações do palco montado na Central. Já em Oswaldo Cruz, a apresentação será da Velha Guarda da Portela.
O texto publicado em Diário Oficial ressalta a importância de se “preservar a cultura de cada agremiação, de seus membros experientes e ícones da história de cada uma delas”. A “manutenção das raízes do samba e de seus desfilantes ilustres e eternizados” também é mencionada na publicação, assinada pelo governador. Já o projeto de lei, de autoria do deputado estadual Dionísio Lins, destaca esses componentes como “relíquias do samba”.
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