veja quem ainda apoia Infantino em meio à crise da Fifa


Cada vez mais pressionado desde a tentativa fracassada de criar uma subsidiária da Fifa para vender suas ações, Gianni Infantino tenta mostrar força para permanecer no cargo. O dirigente tem usado suas redes sociais para divulgar manifestações públicas de apoio para contrapôr aos ataques vindos de federações que dizem já não ter mais confiança em sua gestão. Só que, até o momento, não tem conseguido exibir muitos apoiadores com relevância no meio do futebol e, muito menos, que sejam de países democráticos.

A lista de federações nacionais que se opuseram à Uefa e à Concacaf conta com Marrocos, Catar, Kuwait, Emirádos Árabes, Butão e Sri Lanka. Os dois primeiros são parceiros políticos da Fifa na organização da Copa do Mundo.

Dos seis, só o Marrocos possui tradição no futebol. A seleção masculina ocupa o sexto lugar no ranking. Os laços da federação local com Infantino são fortes, já que o país é um dos co-organizadores da próxima Copa e trava disputa direta com a Espanha para sediar a grande final. O apoio ao dirigente neste momento é uma das apostas do país para levar a melhor nesta briga.

É no Marrocos, inclusive, que será realizado o Congresso da Fifa do ano que vem. A edição de 2027 é cercada de importância, já que será palco da eleição para escolha do presidente para o quadriênio 2027 – 2031.

Já a seleção do Catar é só a 59º do mundo. Mas o país recebeu a Copa de 2022. Apesar da escolha da sede ter ocorrido na gestão anterior (de Joseph Blatter), Infantino foi fundamental para a realização do torneio depois que assumiu, em 2016.

O suíço resistiu às pressões e questionamentos e bancou a decisão de levar o Mundial para um lugar marcado por violações aos direitos humanos. Uma relação que ajuda a entender o recuo do catari Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, à movimentação do futebol europeu em lançá-lo como opositor do atual mandatário da Fifa na eleição de março de 2027.

Todos os outros países que apoiaram Infantino publicamente possuem seleções masculinas ainda menos expressivas. A dos Emirados Árabres é apenas a 68ª. Já as demais sequer figuram no top-100: Kuwait (133º), Sri Lanka (187º) e Butão (192º).

Com exceção do Marrocos, são seleções com um histórico em Copas quase inexistente. O Catar tem duas participações: a de 2022, como sede; e a deste ano. Os Emirados Árabes disputaram a edição de 1990, na Itália. Já o Kuwait marcou presença na de 1982, na Espanha. Butão e Sri Lanka, por sua vez, não estrearam no torneio.

Chama a atenção também o fato de apenas dois dos seis apoiadores virem de países democráticos. O Sri Lanka é uma república semipresidencialista, com presidente e primeiro-ministro. Já o Butão, embora possua um rei como chefe de estado, tem seu poder executivo nas mãos do parlamento.

Já Catar, Emirados Árabes, Kuwait e Marrocos são monarquias nas quais o rei (ou emir) concentram a totalidade (ou quase isso) do poder. Na semana passada, inclusive, Infantino visitou o país africano e participou das comemorações do Dia do Trono, que celebra a ascenção oficial do Rei Mohammed VI, em 1999.

– Estou em casa dentro deste grande país, o Reino do Marrocos, para participar das celebrações do Dia do Trono – declarou Infantino durante a passagem pelo país. – A Copa do Mundo de 2030, que o Reino do Marrocos se prepara para sediar ao lado da Espanha e de Portugal, será, sem dúvida, a mais bonita da história.

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